Descobrindo vozes consonantes – e outras nem tanto (parte 2)

Categoria: Mundo, Vídeos | 26 de maio de 2016

Descobrindo vozes consonantes - e outras nem tanto (parte 2) | Sobre Autoestima

Eu ia discorrer sobre coisas que eu concordei e coisas que eu não concordei com relação aos vídeos (desse post aqui), mas acho besteira. O que importa é que se tratam de vídeos de pessoas que estão no mesmo barco e no mesmo caminho que eu – e que muitos leitores daqui.

A Helena, nossa, a *Helena* é um ser mitológico, não é, não? Queria dar um abraço nela – eu sempre me sinto assim quando esbarro nessas pessoas incríveis que conseguiram super se aceitar, mesmo não encaixando nos padrões e mesmo com o mundo inteiro enchendo o saco. É um amor que eu sinto. É como se o amor que elas conseguiram conquistar por si mesmas fosse contagiante. Dá vontade de falar “dá aqui um abraço! Deixa eu encostar em você pra ver se você me passa um pouquinho disso!” :-D.

Estava pensando na Bia Jiacomine dizendo que, pra galera do mundo, hoje em dia, ou você é fitness ou você *tem que* se aceitar, se amar e tudo o mais.

A gente vive mesmo numa era de extremos, não é? Na qual ninguém mais nem disfarça a intolerância e a agressividade. Onde até mesmo a sua forma de se relacionar consigo mesma, com o seu corpo, com a sua vida, deveria seguir algum padrão ou alguma condição de grupo.

Pfffffff.

Vale reforçar que quando eu falo aqui  no blog de auto aceitação e autoestima não é no tom de **tem que** não, hein, gente? Aliás, nada é. A jornada de cada um é única e intransferível, e só cada um para saber onde dói, onde aperta, o que funciona, o que caga tudo, etc. Mas se tem uma coisa que eu aprendi é que não adianta nada ser a fitness tchutchuquérrima se você não se aceita de verdade.

Aceitar-se não é fácil. Como as meninas dos vídeos disseram, é bem difícil e não é algo que se consiga da noite pro dia. É um processo, longo, sofrido, suado, pesado às vezes, mas vale o esforço. Autoaceitação é uma conquista. E quando o mundo inteiro está o tempo todo, massivamente, exaustivamente, de todas as formas possíveis, em qualquer lugar que você vai, de maneiras diretas, indiretas e/ou subliminares, te dizendo que você **tem*que*ser*jovem** (pra sempre), **tem*que*ser*magra** (pra sempre), **não*pode*ter*cabelo*branco**, **não*pode*ter*cabelo*que*não*seja*liso*e*impecável**, **não*pode*ter*marca*de*expressão**, **não*pode*ter*pêlos*corporais**, **não*pode*ter*ruga**, **não*pode*ter*estria**, **não*pode*ter*celulite**, **não*pode*ter*gordura*corporal**, **não*pode*ter*dobrinhas*de*nenhum*tipo**, que **tem que** ter *tudo*sempre* bem *firme*,*liso*,*uniforme*e*durinho* – como plástico -,  essa não é uma conquista pequena, não, gente. Mas é importante porque, tendo autoaceitação, a vida pode seguir o rumo que for: namoros/casamentos podem acabar; a gente pode cometer erros e burrices e besteiras e cagadas; nosso corpo, cabelo e aparência podem mudar; tudo pode cair, amolecer e enrugar, mas nada disso significará um fender ou cindir de nós mesmos. Porque aceitar-se é estar inteiro – e estar na vida por inteiro.

Pensei numa metáfora agora. Imaginem que a vida é oceano e que a gente – corpo, espírito e o que mais tiver – é barco. Quando a gente não está inteiro, nem é preciso tempestade pra afundar – o mar pode estar calmo como água de banho de banheira, mas fácil, fácil, a gente vai parar lá no fundo. Agora quando nós estamos inteiros, sólidos em nós mesmos, pode vir a tempestade que for: não digo que saímos ilesos, mas *saímos*, e nos regeneramos, e seguimos navegando.

(Quem me conhece na vida real deve estar rindo com mais essa metáfora de barco rsrsrsrs) (ou então eu é que ando convivendo demais com psicanalistas rsrsrsrs)

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