Pelo direito de ir à praia

Categoria: Mundo | 7 de abril de 2015

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Outro dia esbarrei em um post de uma americana – Marie – que, seguindo o exemplo de uma amiga, havia resolvido fazer a experiência de ir à praia de biquini e, como num diário de campo antropológico, contar como havia sido (em um post de campo :-D). Até aquele momento, ela nunca havia cogitado usar biquini – “nunca que eu vou caber em um”, ela pensava; “biquini não é para pessoas como eu” – até ler o artigo dessa amiga dela (título: “eu usei um biquini e nada aconteceu”) que havia decidido fazer a experiência praia/biquini/post-de-campo primeiro e que havia escrito que nada tinha acontecido: “ninguém fugiu horrorizado, nenhuma criança caiu em prantos, ninguém jogou coisas na cabeça dela”. O artigo da amiga – também uma mulher gordelícia – mostrou para a Marie que era possível, sim, usar biquini; e que biquini era, sim, para pessoas como elas – e para todas as pessoas, ora!

Pois bem, lá foi ela para a praia, mas não apenas com o intuito lazer: ela decidiu fazer do passeio um experimento social mesmo, e o que ela contou apenas confirmou aquela minha teoria de assim como são as pessoas são as criaturas :-D.

Ela resolveu caminhar ao longo da beira d’água e prestar atenção na reação das pessoas à visão de uma mulher gordelícia caminhando de biquini.

– Pausa para um comentário de crítica à sociedade tosca nossa de cada dia: cara, como assim reação das pessoas ao fato dela estar ali?! Por que as pessoas tem que ter “reação” alguma a isso?!?! –

Ela recebeu, de algumas pessoas, olhares reprovadores e jocosos, expressões de desdém e de deboche. “O pior”, ela disse, “veio das pessoas mais jovens”, que se cutucavam, apontavam pra ela, riam e faziam comentários do tipo “olha a gorda” etc. Ela conta inclusive que um homem de meia idade apontou-a para os filhos dizendo “olhem lá, a vaca burra”.

*vomitemos*

Bando de gente escrotaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa!!!!

Pior: bando de gente má, cara. O que leva alguém a querer humilhar outra pessoa dessa forma é totalmente incompreensível para mim. E, para a Marie, o que mais a chocou foi a reação desse pai que parecia estar ensinando os filhos a odiar pessoas gordas (!!!!). Coisa louca.

A reação dela foi uma coisa linda. Ela olhou para aquilo com distanciamento, não se deixou desencorajar nem atingir, e as conclusões a que ela chegou foram as seguintes: que, levando em consideração a quantidade de gente na praia, essas reações vieram de uma minoria – o que é bom sinal, mas que, ainda assim, é uma coisa extremamente triste – uma palhaçada, eu acrescento – alguém ter que passar por situações assim só porque o seu corpo não é como de uma boneca esquálida de plástico; e que cabe aos gordelícios e gordelícias de plantão tentar mudar isso e não se deixar abater – e não só a eles, mas a todos que escapam da fôrma opressora do “ideal” e do “aceitável”. A posição que ela resolveu assumir foi: “agora mesmo é que eu vou à praia de biquini! E de todas as cores e tamanhos”, porque não é o tentar fazer-se invisível ou o tentar ser o que não se é que combate o preconceito, mas sim aceitar-se, assumir-se e encarar esse mundo de frente.

❤♥❤♥❤♥❤♥❤♥❤

Lindona ela ♥.

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<fonte das imagens: http://www.bustle.com/articles/41873-i-am-a-plus-size-woman-who-wore-a-low-rise-bikini-to-the-beach-and-this-is>

 

 

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8 comentários leave one →

  1. Gabriella

    Oi! Estava sumida, mas sempre lendo aqui… Seu post de hoje foi muito legal, também já fiz esse experimento antropológico, mas não foi na praia, foi andando na orla com uma parte de cima bikini e parte de baixo legging de malhar.
    As reações foram muitos olhares de reprovação… Só no primeiro dia eu observei, nos outros eu desencanei e fui caminhando sem olhar pra ninguém…
    Não tenho coragem de ir pra praia com meus familiares pois sei que ficarão me avaliando o tempo todo, ninguém merece… Mas tenho coragem de ir sozinha, só que nunca vou.
    Um dia uma pessoa da minha família disse: compra um maiô para agente ir para praia. Nunca tinha usado maiô, qual a necessidade de sair para comprar um maiô sendo que eu tenho bikini? Só pra ela não ter que olhar pra minha barriga? Ai ai… pessoas chatas! Acabei comprando um maiô, mas não fui pra praia, não tenho mais vontade.
    Abraço!

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    • Gabriellaaaaaaaa! Que bom saber que estás por aí 😀 Espero que esteja bem!!
      Afffff dez mil vezes e meia pra essa pessoa que falou do maiô… Posso usar a história pra fazer um #ProntoFalei? 😀
      Êta povo complicado… 😀
      Eu sei como você se sente porque me sinto igual – disso de ir com familiares pra praia e tudo. Eu tb não curto tanto praia (não tenho lá muita tolerância a sol) mas um dia ainda vou dar uma de Marie. Definitivamente é um bom exercício pra testar auto aceitação :-D.
      Um abração pra ti, sucesso e obrigada pela visita 🙂

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      • Gabriella

        Oiii, pode usar sim, vou ficar até metida! rsrs!
        Eu até gostava de ir na praia, mas perdi o gosto de uns tempos pra cá, é até difícil admitir, mas perdi o gosto por causa das pessoas que vão ficar falando, olhando, acho isso uma coisa tão boba, ficar se limitando por causa dos outros, mas acho que fiz isso… Pois invento mil desculpas, mas no fundo eu sempre gostei de ir sim.
        Abraços!

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        • Até que não é tão bobo. Magoa né, ser apontada e ter que ouvir gente falando um monte de besteira e te olhando torto sem motivo. Não é tão simples lidar com agressividade/negatividade alheia gratuita. Mas tenta exercitar isso. Eu tb vou tentar :-D. Fiquei com a maior vontade de fazer um movimento: “todos à praia” 😀 mas só vou sugerir depois que eu encarar e registrar em foto 😀
          bjo

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  2. Amiga, juro que também não entendo o que os outros têm a ver com o corpo de pessoas que nem conhecem. Onde está escrito que todos devem seguir um padrão? As pessoas parecem cada vez se preocupar mais com os outros e esquecerem de si mesmas. E o pior, muitos que criticam também possuem os mesmos defeitos (ou até piores).

    Mundo esquisito…

    Beijos!!

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    • Hiper esquisito. O exemplo do homem de meia-idade por exemplo: putz, chamar a mulher de “vaca burra” só porque ela estava na praia de biquini?!?!?! É muito MUITO tosco. Muito triste.

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  3. E ela é linda mesmo!
    Eu consigo “entender” o motivo da maioria dos comentários ser de pessoas mais jovens. Porque pessoas mais jovens ainda não amadureceram e ainda não entenderam que tem coisa muito mais importante na vida do que ter um corpo bonito. E mais, elas ainda não sabem que ter um corpo bonito é a última coisa que temos na cabela quando se tem tanto com o que se preocupar na vida. Me preocupa mais o comentário do pai babaca lá, ainda mais por ele ter feito o comentário dele perto dos filhos. Obviamente que todas as reações negativas são preocupantes e idiotas, mas um cara experiente, que sabe como a vida não é mole, e ainda passar esse tipo de conceito pros filhos, é um ser que devia se perguntar o que de bom tá fazendo pro mundo.
    Beijo!

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    • Pois é. É preocupandte mesmo. Principalmente o caso do homem: criando mais seres preconceituosos e gordofóbicos pra perseguirem os outros no mundo… É muito triste.

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