Pelo direito à não-domesticação capilar

Categoria: Vida | 19 de setembro de 2016

Pelo direito de ser feliz com o cabelo que se tem - Sobre autoestima

Já contei aqui da minha saga capilar (nesse post antigo). Meu cabelo é essa coisa geniosa e imprevisível, que fica sempre do jeito que bem entende. É assim desde a adolescência e, depois de muita guerra, eu aprendi a não me incomodar com ele.

Há algumas semanas eu resolvi pintá-lo de novo. Eu tenho bastante cabelo branco (também, desde a adolescência) e esse lance de tintura é um saco, né? Porque passam nem bem quinze dias e lá estão os brancos ressurgindo de novo. Você acaba escravizado. E sempre tem um mala pra reforçar, de formas indiretas e outras nem tanto, que “já está na hora de retocar as raízes” (Argh). Não sei se eu teria saco pra ficar voltando no salão de duas em duas semanas – deixa eu pensar… Hmmmmmm… Não. -, mas, com toda a certeza, eu não tenho dinheiro (:-D) (pequeno detalhe fundamental). Por isso, fiquei um tempão sem ir lá – por dureza e também (principalmente, sejamos sinceros) por uma resistenciazinha básica, por ter sido cobrada melhorias no âmbito capilar. Vocês que me leem, já sabem como a coisa funciona por aqui: veio com cobrança babaca, *fodeu*. O que nem sempre é bom, mas enfim, lá fui eu pro salão.

Como o cara que geralmente faz o meu cabelo não estava, acabei sendo atendida por um cabeleireiro desconhecido (#medo), que de cara já me conquistou por sugerir que eu mantivesse a minha mecha (eu tenho um mechão branco bem na frente). Fiquei encantada! Uma opção para fora da escravidão! O branco já está aqui mesmo – o cabelo pode crescer à vontade.

Ele pintou, fez isso, fez aquilo, e terminadas as químicas colorísticas, lá vem ele falar de tratamento.

Ok, tratamentos.

Como eu tinha conseguido um dinheiro, escolhi um que era caro, mas que, segundo ele, operava milagres. Era daqueles que você precisa pranchar o cabelo depois, pro calor selar a cutícula ou sei lá o quê.

Saí do salão com as madeixas flutuantes no estilo comercial de shampoo. E lisas. Perfeitamente obedientes.

Normalmente eu detesto meu cabelo liso. Sou uma quase careca,  daí quando o bicho alisa, fico com cara de quem tomou lambida de vaca. Mas dessa vez eu até curti. Minha filha achou lindo, o namorado se animou, foi divertido. Por isso não lavei logo de cara. Deixei o dia seguinte passar, e no próximo eu ainda não tinha lavado também. Acho que gostei dos desdobramentos relacionísticos e acabei mantendo a lisura da cabeça por mais tempo. Só que aí uma coisa muito louca aconteceu:

Eu comecei a ficar mal humorada.

Comecei a me sentir incomodada.

Comecei a me sentir não-eu.

Feia. Esquisita. Apagada.

Como que ecoando meus pensamentos, uma pessoa na faculdade vira pra mim e diz, assim que me vê chegar: “mas o que foi que você fez com o seu cabelo?!”

Pronto.

Fiquei me perguntando a mesma coisa. Por que eu não tinha lavado tudo logo?

Cheguei em casa agoniada e mergulhei no chuveiro. Passei shampoo umas três vezes pra tirar bem os artifícios domesticadores todos. Fiquei me olhando de instante em instante no espelho, na desconfiança, enquanto esperava o cabelo secar. E quando ele secou e armou, volumoso e maluco como sempre, eu respirei aliviada.

Essa vida de cabelo certinho não é pra mim, não.

Pelo direito a mapas: 11 passos para amar a si mesmo

Categoria: Amor Próprio, Mundo | 27 de agosto de 2016

Descobrindo vozes consonantes - e outras nem tanto | Sobre Autoestima

Eu nunca fui muito fã de passo-a-passos. Sempre olhei com certa desconfiança pra esses livros do gênero “trago sua felicidade em 10 etapas” e coisa que o valha. Mas uma pessoa de quem eu gosto muito, uma profissional maravilhosa que trabalha com Radiestesia, há uns bons meses me passou um link do YouTube para uma tradução de uma “palestra” chamada +AmorPorFavor: Aprendendo a amar a si mesmo, de uma autora chamada Louise Hay. Eu fui ouvir, achei que valeu bastante a pena e que rendia bastante assunto.

Por muitos e muitos anos, eu me vi tendo que trabalhar essas questões sem saber como. Eu me lembro de estar na terapia e falar pra minha terapeuta: “Eu sei que eu preciso melhorar minha autoestima… Mas como?! Como?!?!?!” Então achei que trazer as etapas apresentadas pela Louise Hay – que fazem total sentido e têm muito a ver com as coisas que a gente conversa por aqui – poderia ajudar vocês de alguma forma.

Pelo menos é algum tipo de mapa, algum tipo de ponto de partida.

Eu vou dar uma sintetizada nos passos todos aqui, deixo o link da palestra também pra vocês ouvirem se quiserem, e nos próximos posts a gente vai trabalhando algumas coisas, tá?

Então, vamos lá.

Os onze passos que ela sugere são os seguintes:

.•°*°•..¸¸.*♡*.¸¸.*☆*

Passo 1 >> Não se critique. Aceite-se como você é.

Passo 2 >> Não se assuste. Não meta medo em si mesmo. Não fique sempre esperando pelo pior das situações.

Passo 3 >> Seja amável, gentil e paciente consigo mesmo. Alegre-se com os pequenos avanços, por menores que sejam. Tudo o que você precisa é de um pouco de prática e tempo.

Passo 4 >> Pense com bondade a seu respeito. Fazer afirmações positivas sobre si mesmo é uma das melhores formas de tratar-se com bondade. Pense bem a seu respeito.

Passo 5 >> Relaxe. Feche os olhos. **Respire**. Bastam alguns minutos por dia, pra começar. Tire um tempo para se dar paz, para se dar **respiro**.

Sugestão: Inspire profundamente. Ao expirar, mande embora o medo, a tensão, os pensamentos negativos. Inspire. Na expiração, pense: “Eu te amo. Vai ficar tudo bem”.

Passo 6 >> Medite. A meditação é um processo que parte do princípio de que todos nós temos sabedoria em nosso interior. Meditar é concentrar-se para escutar todas as respostas que precisamos e que estão dentro de nós. Ao meditar, pergunte a si mesmo o que você quer saber e espere. A resposta virá.

Passo 7 >> Elogie-se. Elogie-se o mais que puder. Valorize suas conquistas e avanços. Ame-se e não dependa de ninguém para dizer que você merece as coisas boas da vida.

 

Procure responder as seguintes perguntas:

O que você sente que merece?

Você merece amor e aproveita tudo o que a vida lhe oferece de bom? Por que?

Você pensa que não merece nada? Se sim, qual é a razão desse pensamento? Você quer se livrar dele? Quer colocar outro pensamento no lugar? Qual é o pensamento que você quer colocar no lugar desse?

Lembre-se: os pensamentos podem ser mudados. O que você quer mas não está conseguindo? Reflita sobre isso. Procure descobrir claramente o que deseja.

O que era preciso fazer para receber amor na sua infância? Qual foi a mensagem que seus pais lhe passaram? Seus pais achavam que você merecia coisas boas? Ou você tinha que ter sempre o primeiro lugar na escola para merecê-las? O que acontecia quando você fazia alguma coisa que eles achavam errada?

O que você acha de si?

Você realmente sente que merece se amar? Se não sente, qual é a razão? É porque não alcançou “o sucesso” na vida? Não ganhou bastante dinheiro? Nunca teve uma projeção especial? Não atingiu a perfeição com que sonhava? O que faria de você uma pessoa realmente merecedora de amor?

Você se dispõe a fazer afirmações positivas?

Se for preciso, você buscará uma terapia?

Você deseja abandonar os ressentimentos e perdoar as pessoas?

O que você se dispõe a fazer para mudar sua vida?

 

Passo 8>> Peça ajuda. Amar-se é buscar apoio. Não tenha medo de estender a mão e pedir ajuda aos amigos. E se não for suficiente, procure uma terapia, um grupo de apoio.

Passo 9 >> Tenha carinho com o negativo. “Negativo” são todas as características e hábitos que adquirimos e que comprometem nossa felicidade e/ou causam prejuízo aos outros. Desapegue-se dos velhos padrões de comportamento com amor e acolhimento.

Passo 10 >> Cuide de seu corpo. Ele é a casa onde você mora. Ame e cuide da sua casa, mas de formas prazerosas. Descubra *de que você gosta*. Não faça exercícios que você não gosta, porque se você se fizer sofrer, você não vai se amar. Busque atividades que lhe deem prazer. Beba muita água e cuide da sua alimentação – os benefícios serão tanto físicos quanto emocionais.

Passo 11>> Exercício do espelho: olhe no espelho e diga: “Eu te amo! Eu te amo de verdade!” Fazer isso talvez sinta estranho e ridículo, talvez você sinta vergonha, mas tente! Tenha coragem e persistência e faça essa afirmação todas as vezes em que estiver diante do espelho. Você verá que sua energia interior começará a mudar e que, aos poucos, você se libertará dos comportamentos e pensamentos destrutivos. Amar-se passará a ser mais fácil.

Sugestões:

>> Ao acordar, olhe-se no espelho e diga: “Eu te amo. O que eu posso fazer hoje para te deixar mais feliz?” Espere para ver que resposta virá. É possível que, no início não venha nenhuma, principalmente se você não estiver acostumado a se tratar com carinho. Mas insista. Aos poucos as respostas começarão a aparecer.

>> Quando alguma coisa ruim ou desagradável acontecer com você, corra para o espelho e diga: “Eu te amo! Eu te amo de qualquer jeito”.  Fazendo isso você perceberá que os acontecimentos vem e vão, mas que o seu amor por si mesmo é uma constante, e a coisa mais importante da sua vida.

>> Olhe dentro dos seus olhos no espelho e diga: “Eu te perdoo”.

>> Ao menos uma vez por dia, olhe dentro dos seus olhos no espelho e diga: “Eu te amo. Eu te amo de verdade”. Faça isso agora.

.•°*°•..¸¸.*♡*.¸¸.*☆*

Tem muita coisa legal né? E é incrível como está afinado com coisas que a gente vem conversando nos últimos posts, e com a sugestão de uma das leitoras de mantras positivos e coisas que poderiam ajudar outros leitores etc.

 

Sugestões? Dúvidas? Comentários? Sinais de fumaça? 🙂

A palestra é essa aqui ó:

 

 

Fiquei pensando em criar um grupo de apoio com vocês…

🙂

A gente segue conversando.

Beijos

 

 

Dizer-se é tornar-se, é ser

Categoria: Mundo, Vida | 19 de agosto de 2016

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<“Amor e gratidão”. Fonte da imagem: http://www.masaru-emoto.net/english/water-crystal.html>

Existe toda uma gama gigantesca de filosofias milenares e religiões que afirmam a força criadora das palavras. Na tradição cristã, a abertura do primeiro capítulo do evangelho segundo João é das mais badalas: “No princípio era o verbo…”

“No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus.
Ele estava no princípio com Deus.
Tudo foi feito por ele; e nada do que tem sido feito, foi feito sem ele.
Nele estava a vida, e a vida era a luz dos homens”
 (João 1:1-4).

Ou seja, Deus era palavra – e só foi Deus com a palavra “deus” – e a palavra era o princípio. Com ela e a partir dela a criação se deu. Nesse sentido, verbalizar é tornar real. É pela palavra que o insubstancial se faz substância.

Peguei o exemplo da tradição cristã porque fui criada católica e tenho exemplos dessa religião mais à mão. Mas a força das palavras é bastante reconhecida, acho que posso afirmar sem risco, por todas as religiões (vide a presenças de zilhões de orações). O hinduísmo, a mais antiga delas, ou pelo menos a mais antiga das tradições vivas, tem na entoação de mantras – e na crença do poder transformador das palavras – a grande base de sustentação de suas práticas. Você repete e repete a mesma coisa, de novo e de novo, e é como se, ao fazer isso, você a chamasse para si. E sua realidade se transformasse de acordo.

Uma das leitoras me pediu para escrever um post sobre mantras positivos, lá pelo Facebook, e na hora em pensei no Ho’oponopono. Como sempre vejo as coincidências desse tipo como sinais que não devem ser ignorados, me preparo aqui para finalmente falar nele.

É engraçado porque o Ho’oponopono já está na minha vida há bem um ano. Ele entrou nela via Gabriel-arcanjo (lembram dele? Meu bio-guru?) e, embora eu nunca tenha me esquecido dele, não o coloquei como prática ativa. Dei umas repetidinhas aqui e acolá, em momentos esparsos, e depois nunca mais.

Até agora :-D.

O Ho’oponopono é uma técnica de cura havaiana que tem por objetivo gerar equilíbrio e paz interior. Ele tem por núcleo a noção de total responsabilidade (!), ou seja, a ideia de que ser responsável por nossa vida engloba absolutamente **tudo** o que nela está. Isso significa dizer que tudo o que está em nossa vida, pelo simples fato de estar nela, é de nossa inteira responsabilidade. O que implica dizer que o nosso mundo, a nossa realidade, é *criação nossa*. De acordo com esse raciocínio, se males te afligem, se você sofre, se pessoas te machucam, isso só existe como projeções que saem de dentro de você. Assim, não é o mundo, a vida e as pessoas que têm que mudar, mas você. O problema não está fora, mas dentro. Dentro de você.

Um exemplo meio bobo que talvez possa ilustrar isso de alguma forma é a história do copo com água até a metade. Você pode olhar o copo e ficar aborrecido, ou estressado, ou triste, ou revoltado, ou qualquer coisa assim porque ele está metade vazio. Ou você pode olhar para ele e vê-lo como um copo metade cheio.

A realidade da experiência copo pode mudar de acordo com você.

E a responsabilidade é sua.

Ho’oponopono significa amar a si mesmo. O processo consiste na crença de que, se você deseja melhorar sua vida, você deve curá-la. E que a cura de outras pessoas que você venha a querer ajudar também, só pode ser realizada por você curando a si mesmo. Como se todos e tudo o que nos cerca fosse uma única coisa. Como se fôssemos uma parte de um todo e a cura desse todo só pudesse ser alcançada através da cura da nossa parte.

É um pouquinho enrolado de entender – pelo menos pra mim é. Mas eu quis trazer o  Ho’oponopono pra cá como primeira sugestão de palavras de poder positivas, porque ele tem tudo a ver com o meu post anterior. E vocês já, já, vão entender.

A técnica consiste em repetir, uma vez após a outra, as seguintes palavras:

“Eu sinto muito. Me perdoe. Eu te amo. Obrigado.”

Escrevendo esse post e pensando no anterior, eu me dei conta de um equívoco que fez toda a diferença: quando eu aprendi o Ho’oponopono, ou eu repetia aleatoriamente, ou eu me imaginava direcionando essas palavras a alguma outra pessoa.

Sempre pra fora.

Nunca pra dentro.

(é uma tendência minha rsrs)

Quando na verdade, desde o início e desde sempre, eu deveria estar dizendo essas coisas pra mim.

E fazendo as pazes comigo mesma…

Bem, como antes tarde do que nunca, vamos lá:

Por todas as minhas ofensas e agressões, por todo meu ódio, rancor e desprezo, por toda a minha inegável incapacidade em te dar o seu devido valor, pelo meu sarcasmo, pela minha crueldade e implacabilidade, pela minha falta total de compaixão, pelo meu ignorar das suas necessidades, por não te acolher nem te defender, por todo o meu desrespeito, Kelly, eu sinto muito. Me perdoe. Eu te amo. Obrigada.

Eu sinto muito. Me perdoe. Eu te amo. Obrigada.

Eu sinto muito. Me perdoe. Eu te amo. Obrigada.

Eu sinto muito. Me perdoe. Eu te amo. Obrigada.

Eu sinto muito. Me perdoe. Eu te amo. Obrigada.

Eu sinto muito. Me perdoe. Eu te amo. Obrigada.

Eu sinto muito. Me perdoe. Eu te amo. Obrigada.

Eu sinto muito. Me perdoe. Eu te amo. Obrigada.

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