#ProntoFalei – Sutiã porrrrrrrrrrrrrrrrrrrrANenhumaaaAAA!!!!!!!!!!!!!!!!!

Categoria: #ProntoFalei | 31 de maio de 2017

Era uma vez… um Ser. Um Ser daqueles que fazem valer a boa e velha premissa:

“Assim como são as pessoas, são as criaturas”.

Em uma conversa, deitado com a namorada na cama, Ser passa a mão por sobre a blusa dela, na altura dos seios.

Namorada, tadinha, imaginando desdobramentos interessantes, é confrontada com a seguinte pergunta:

“Você está sem sutiã?”

Opa, questão digna de um princípio de história 18+.

Não fosse o tom.

Ah, o tom…

Entonação, na vida, é tudo, gente.

E Namorada sente que, naquela perguntinha, que tinha tudo pra ser ma-ra-vi-lho-sa, tem uma virada de caminho que leva pra cantos bastante obscuros da floresta.

Um pouco hesitante, ela responde:

“Tô… (?)”

Ele: “Você sempre fica sem sutiã quando fica em casa?”

(***outra guinada tortuosa de direção de caminho e…. PRECIPÍCIOOOOOO!!***)

Ela: “Às vezes. Quando eu tô com vontade. Por quê?”

Ele: “Você sabe que não usar sutiã faz o peito cair, né? Peito é músculo. Se não tem nada pra segurar, é pra baixo que ele cresce. Pra sempre.”

(***som da pessoa desavisada se destroçando lá embaixo***)

Seguem-se outras pérolas da sabedoria (ironiaaaaa) do tipo:

“É só porque eu gosto dos seus peitos e quero que eles fiquem sempre assim, bonitos”,

(Aham. Claro. Puro cuidado. Preocupação com o bem do outro. Aham) (>>Importante reforçar: ironia comendo)

mas nós não precisamos – e não queremos – e não vamos ouvir.

 

Namorada – e todas as mulheres por aí que têm que ouvir esse tipo de merda – não dê ouvidos a isso. Não permita que a escrotice de alguém te impeça de ficar à vontade dentro da sua própria casa – ou onde você estiver! Se você está aí, do outro lado, sentada, agora, se sentindo péssima e segurando os próprios peitos, pensando se veste um sutiã ou não, descruze os braços e deixe os seios livres sem se sentir mal por isso. Faça/seja o que/como quiser, e o que/como gosta. Não deixe a babaquice dos outros interferir – entrar, envenenar, corromper. Não permita!!!!! E não dê à escrotidão alheia o poder de tirar a sua paz. Observe de fora, com distanciamento, e entenda que a babaquice é do babaca que perdeu a oportunidade ímpar de ficar calado. Única e exclusivamente dele.

Ela não tem nada a ver com você. Não pertence a você. Não diz nada sobre você.

Saiba disso como todo o seu coração, tá?

Para o Ser, como para todos os sem-noção (pra não chamar de outras coisas) que são objetos dessa seção, o destino de sempre:

Fala sério…

 

 

 

 

 

 

Revisitando coisas já ditas

Categoria: Mundo, Vida, Vídeos | 26 de maio de 2017

Sei lá por qual motivo eu estou com os posts sobre abuso na cabeça. Fico pensando e pensando numa frase que eu escrevi – “é nos limites cinzentos que a gente se perde” – e me perguntando se eu fui clara o bastante.

Essa frase é um alerta para o perigo de certas sutilezas, que acabam mascarando, pra gente e pros outros, a horripilância de certas coisas e situações.

Na minha vida, nenhuma das situações de abuso foi ao estilo trash total-estranho-te-pega-num-beco-te-espanca-e-faz-coisas-terríveis-dignas-de-filme-de-terror. Nenhuma delas. Mas isso não quer dizer que elas não aconteceram, e nem que não causaram estrago.

Refletindo sobre isso, encontrei um vídeo da Jout Jout que eu acho que reforça bem essa ideia, e resolvi trazer pra cá pra complementar.

É um pouco pesado – porque abuso é pesado -, mas vale a pena. Pra pensar. Pra reconhecer.

Porque reconhecimento – poder identificar, poder discernir – é uma parte importante do poder fazer algo a respeito.

Beijos procês.

“Críticas construtivas” (ênfase nas aspas)

Categoria: Relacionamentos | 25 de abril de 2017

Eis a situação:

Um casal conversa. A mulher, que havia recebido um dinheiro inesperado, pondera sobre o que fazer com ele e pede a ajuda do homem para pensar junto:

“Eu poderia chamar alguém para tapar os buracos na parede que os cachorros fizeram”, ela diz. “Ou mandar consertar as rachaduras de vazamento na parede do quarto… Ou trocar de colchão, já que, o que está aí, está velho e faz as minhas costas doerem… Ou ajeitar o sofá, que está todo rasgado… Ou ajeitar as cadeiras da mesa da sala, que estão todas desmontando…”

Segue a lista. Todos os itens, nesse nível.

Quando parece que tudo o que está quebrado, furado, vazando, descascando, etc. foi mencionado, ele vira pra ela e diz:

“Você podia aproveitar e ir no cabeleireiro”.

(?!?!?!?!?!?)

Aí, dentro da mulher, como né?

*Pausa tensa*

“O que você quer dizer com isso?” Ela pergunta, já num tom de vai-dar-merda.

“Nada, ué. Seu cabelo está ressecado, só isso”.

O tempo fecha no rosto dela e suas palavras saem com a lentidão do que está prestes a explodir:

“Em algum momento eu expressei algum tipo de insatisfação com o meu cabelo?”

“Não. E eu adoro o seu cabelo. Mas acho que ele precisa de mãos profissionais. É só uma sugestão, uma crítica construtiva. É cuidado”.

Nessa hora, olhando pra cara dela dá pra ler claramente o *crítica construtiva e cuidado é o caralho!!* que não sai, mas que está inegavelmente ali.

A briga come entre os dois.

Ele dizendo que ela está fazendo tempestade em copo d’água e que não tem problema nenhum ele “expressar preferências”. Ela, revoltada com o absurdo de tudo isso.

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Vamos lá.

Muita merda nessa vida é dita e feita sob os rótulos da “crítica construtiva” e do “cuidado”.

Crítica construtiva é quando eu percebo que o outro tem uma necessidade ou uma vontade – que é *dele*, e não *minha* imposta a ele – que ele está tendo dificuldade em concretizar. Diante dessa dificuldade, talvez eu tenha sugestões para dar – claro, ***se*** a pessoa quiser sugestões – de coisas que possam ajudar a pessoa a conseguir, ou a pensar em formas de conseguir, aquilo que ela quer. Isso é crítica construtiva.

Cuidado (para) com o outro é quando eu estou ciente e consciente das necessidades **do outro** – necessidades *dele*, e não *minhas* impostas a ele -, e faço coisas – que eu posso e **quero** – para atender/suprir essas necessidades. Isso é cuidado.

Logo, o homem do diálogo não estava nem fazendo “críticas construtivas”, nem “cuidando” da mulher. O que ele estava fazendo era expressar o desejo de que ela atendesse ou suprisse as necessidades estéticas dele (!!!). Necessidades estéticas que eram só dele, e não dela. Isso sem falar no contexto, né? Bem diferentes as prioridades dos dois…

Enfim…

Gente, ninguém tem que ser o projeto estético de ninguém. Ninguém tem que fazer intervenções no próprio corpo de nenhum tipo para atender vontades/necessidades que são só de outros, e não dos próprios. Ninguém!!!! Se isso, em algum momento, for posto para vocês de forma impositiva, reajam! Coloquem a pessoa no seu devido lugar e/ou pulem fora! Isso é desrespeito.

Existem inúmeras maneiras não impositivas e não desrespeitosas de “expressão de preferências”. Uma delas, que é maravilhosa e funciona que é uma beleza pra todos os envolvidos, é o elogio (sincero, claro). Quando a pessoa com quem você se relaciona, coloca uma roupa, ou faz alguma coisa no cabelo, ou pinta a unha, ou faz depilação ou algo assim (***porque quer***), e você gosta *e elogia*, ela aprende de uma forma super gostosa, sobre as suas preferências e necessidades estéticas. Assim, quando ela quiser que você a ache mais atraente e bonita, ou quando ela quiser se sentir mais atraente e bonita perto de você, é bastante provável que ela vá se arrumar ou fazer coisas considerando essas preferências. Mas olha só que legal: não por obrigação, não por insegurança, não por imposição, mas por vontade própria.

E isso faz toda a diferença do mundo.

E pra quem não entender, vamo lá, cartãozinho do Buda: