O desafio quase impossível de não se machucar

Categoria: Amor Próprio, Relacionamentos | 6 de outubro de 2017

Fala aê, povo…

Estou aqui pensando sobre as dificuldades de fazer o que é melhor pra gente… Sobre o longo e turbulento caminho que se tem que trilhar até chegar no ponto em que se está inteiro o suficiente pra delimitar claramente a fronteira dos nossos limites, custe o que custar.

Porque como custa…

Como dói…

Acho que, realmente, se não estivermos inteiros e firmes, a gente não sustenta isso. É uma decisão onerosa.

Importante, mas onerosa.

Muita coisa aconteceu do lado de cá e eu já estava para escrever há um tempo, porque escrever aqui faz parte do meu movimento/processo de deixar ir, de elaborar…

Talvez eu ainda não estivesse pronta…

Mas agora, se não há outra direção a seguir, vamos lá nos livrar disso logo.

A história com o Namorado-agora-ex não acabou nos últimos posts. Houve reencontro, pegação, felicidade momentânea, muita alimentação de esperança… Meu coraçãozinho, estendido dramaticamente no chão, até levantou a cabecinha do túmulo, animado, cheio de expectativa diante de uma ideia de possibilidade de que as coisas mudassem de curso.

Tudo isso – agora passado o tempo, eu posso dizer -, em vão.

Já disse aqui antes – e nesse período, infelizmente, isso só se confirmou – como a conexão existente entre mim e Namorado-agora-ex é forte. É muito, *muito* forte. Mesmo depois de tanta cagada, apesar de tudo, quando ele me abraça, é como se o meu corpo expandisse, como se algo no meu peito acendesse e se tornasse tão, tão enorme, que a minha pele passa a ser uma limitação irritante a ser transposta. Acho que se alguém pudesse se transformar em estrela, essa seria a sensação.

O mais triste é que eu sei que ele sente a mesma coisa.

E isso não faz a menor diferença…

Tá. Parei. Vou me abster de julgamentos aqui. O que eu posso dizer, porque tem a ver com o meu processo e com as coisas que a gente discute por aqui (e pode parecer totalmente off em um primeiro momento, mas a gente chega lá), é que ele queria continuar na minha vida sem continuar, “ficar ficando”, digamos assim. E, aqui, leia-se, comigo e com outras pessoas.

Opa.

Quando ele disse isso a primeira vez, foi como se eu tivesse levado um coice de cavalo no estômago. Mas eu me fingi de tranquila e disse: “Tudo bem, eu entendo. Se é isso o que você precisa nesse momento, eu respeito”.

Sim, gente, eu respeito. De verdade.

Mas e o que EU preciso nesse momento?

Percebem o conflito?

Quem me acompanha sabe o tipo de pessoa que eu sou, mas vamos lá prum resumo básico pra quem é novo por aqui. Eu não era de “ficar ficando” nem quando adolescente. Eu casei com o meu primeiro namorado, e embora tenha muita gente que torça o nariz pra isso e ache ridículo, e ruim, e ache que eu deveria era ter galinhado muito antes de “””””me prender”””” a uma pessoa, eu discordo completamente. É o que eu sou. Eu adoro estar em um relacionamento sério. Não me sinto presa de forma alguma, muito pelo contrário, acho extremamente libertador poder escolher cumprir os acordos estabelecidos com o outro. Eu adoro intimidade, cumplicidade, companheirismo, comprometimento, dedicação, o pacote todo. Claro, muitas pessoas são diferentes, mas no que se refere a mim, é isso o que eu gosto. É disso que eu preciso. *Eu* sou assim.

E, sabendo disso – ou seja, apesar de mim (!) -, eu decidi embarcar no barco dele e deixar correr pra ver aonde ia (e, assim, me violentar de uma forma muito bizarra).

Só que, lá pelas tantas eu percebi que eu estava me iludindo. Eu percebi que eu havia concordado com isso na esperança de que ele percebesse o quanto a nossa conexão é especial (!), que eu sou a mulher da vida dele (!!), que ele quer casar comigo (!!!), etc. etc. etc. Eu não estava *realmente aceitando* o que ele estava me propondo: eu estava me enganando, esperando que ele se desse conta de coisas que talvez ele nem sinta (!!!!) – nem agora, nem nunca. E imagina, gente – Apenas imaginem !!!!!!! -, se eu, algum dia, soubesse que ele tinha ficado com outra pessoa? (!?!?!?!!!) Ou se, sei lá, um dia, por cagada do destino, eu estivesse andando por aí e me deparasse com ele com outra? (?!?!?!?!?!!!!) Já pensou que merda?

Será mesmo que eu – amando essa pessoa como eu amo, querendo as coisas que eu quero, sendo quem eu sou – tinha condições de sustentar uma coisa dessas?

Claro – óbvio – que não.

E essa conclusão me veio no meio da madrugada, semana passada.

Eu acordei por volta de uma da manhã completamente angustiada. Muito, muito ansiosa, tipo, meu-deus-tô-passando-mal-o-que-é-isso. Ele estava dormindo do meu lado e eu tive o ímpeto de acordá-lo. Disse que estava passando mal, angustiada, não sei, e ele me pediu para conversar com ele e dizer o que eu estava sentindo. Eu pedi então pra ele me explicar o que era exatamente que ele queria, em que pé nós estávamos, porque eu não estava conseguindo entender a situação muito bem. A sensação era a de que nós estávamos juntos – sem estar. Tudo muito escorregadio, indefinido, o que me dava a sensação constante e horrível de não saber onde eu estava pisando. Ele falou muitas coisas, disso de estarmos livres pra estar com outras pessoas e etc. Aí, eu perguntei:

“Mas, como é isso? Nós vamos ser namorados, mas com um acordo de que podemos sair com outras pessoas se quisermos?”

“Pode ser, desde que todo mundo saiba que estamos em um relacionamento aberto.”

“Mas por que a gente tem que ficar dando satisfação pros outros do tipo de relação que a gente tem?”, eu perguntei.

“Pra eu não perder a oportunidade de ficar com ninguém. A pessoa pode não querer ficar comigo, sabendo que eu estou com você.”

Pausa.

(Apenas pausa rsrsrs)

Nesse momento, o silêncio dentro de mim era tão grande que engolia a Terra inteira.

E, então, seguiu-se um dos posicionamentos mais difíceis da minha vida.

Eu disse:

“Eu não quero isso pra mim”.

Eu, realmente, não quero.

E é uma merda, e muito, muito doloroso, porque tomar essa decisão me priva de ter um monte de coisas que eu quero desesperadamente – e eu falei isso pra ele -, mas eu não posso aceitar isso. Não importa o quanto eu ame e queira essa pessoa na minha vida, eu não posso aceitar a proposta dele, simplesmente porque isso me machucaria demais. Muitas pessoas levariam isso numa boa, mas eu não sou uma delas. E, não sendo, **eu** não posso, **de jeito nenhum**, me machucar dessa forma.

(pausa da tristeza)

Então, foi assim, o fim depois do fim.

Na hora da despedida eu só consegui dizer “vou sentir muito a sua falta” e ficar repetindo que o amava… e foram exatas duas as vezes que eu consegui verbalizar “eu amo você…” até ele se desvencilhar do meu abraço e, mais uma vez, fechar a porta atrás de si e sair da minha vida…

(choro)

Já pensei vinte milhões de vezes em voltar atrás – mas não posso.

Olho o celular zilhões de vezes por dia (antes mais, agora menos) pra ver se ele me mandou alguma mensagem…

Outro dia, a campainha tocou quase nove horas da noite (coisa muito muito rara por aqui) e eu dei um pulo louco da cadeira e saí correndo pra abrir a porta, achando que só podia ser ele. Foi apenas ódio o que eu consegui sentir, quando dei de cara com um motoboy, me entregando um livro que eu nem lembrava mais que tinha comprado. Fiquei puta com a vida, tipo, “Ha. ha. Como você é engraçada”. Que motoboy vem fazer entrega de livro nove horas da noite?! Só pra me sacanear.

Enfim…

Assim vou seguindo.

Uns dias, parece que eu quase esqueci, outros não. Os rompantes de choro já não me surpreendem mais: eu deixo vir, me acabo de soluçar, deixo passar. Enxugo o rosto com a manga da camisa e continuo a fazer o que quer que eu estivesse fazendo antes do choro i(nte)rromper… Os dias passam…

Lentos pra caralho, te falar. Como grandes lesmas gordas que se arrastam…

Queria apertar um botão e aparecer em 2020…

Se alguém conhecer um jeito de matar um amor dentro de si de forma rápida e limpa, avisem aí. Tô querendo aprender.

Até lá, paciência…

Sigo despedaçada… ma(i)s inteira.

comentários via facebook