Exercício de autogentileza: fotografia

Categoria: Amor Próprio | 1 de novembro de 2016

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Exercício da semana:
Ser gentil com a pessoa (eu) que aparece nas minhas fotos.

Difícil isso.

Essa semana eu vi umas fotos que o Namorado tirou de mim, na praia. Eu já as havia visto – e feito caretas. E soltado sons de frustração. E virado a cara. E dito: “Argh, não quero ver isso”.

Lugar comum na minha relação com as minhas fotos.

Mas aí, por acaso, nesses processos malucos de smart phones de hoje em dia, essas fotos ressurgiram, mostradas tipo sugestão de lembrança do Facebook.

Meu primeiro impulso foi o de repetir a minha primeira reação, mas aí eu me freei. Disse a mim mesma para parar por um instante. Eu me propus respirar e olhar *de verdade* para a pessoa na foto. Olhar com os mesmos olhos com os quais eu observo todas as outras pessoas do mundo – um olhar certamente mais gentil do que aquele que eu reservo para mim. Eu me propus olhar para mim na foto sem as expectativas absurdas que normalmente acompanham essa dinâmica: um esperar ver alguém dentro de padrões que não são meus, não são *eu* e nem nunca vão ser.
“Ai… eu tô gorda nessa foto”, a gente diz, como se isso fosse algo péssimo e como se o fato nos decepcionasse.

Bem, se a gente não é magro, por que a gente espera ver alguma coisa diferente?

Tem tantas mulheres gordas que eu acho **lindas**. Por que eu não posso olhar pra mim da mesma maneira?

O professor da academia, na avaliação funcional, disse que o peso ideal pra mim é 46kg. Eu ri e pensei:  “Tsc, tsc, tsc. Tolinho“. Porque eu sei que isso simplesmente não é viável. Não é real. Não é ideal. *Para mim*.Não é, nunca foi e nem nunca vai ser a minha realidade, não importa quantas vezes os cálculos e tabelas das academias do mundo atestem o contrário.

Eu fiquei olhando para mim na foto.

O que eu estava esperando ver ali? Por que eu estava frustrada?

Não, a mulher na foto não era pequena, fina, nem de estrutura delicada.

Não, não era uma modelo, nem alguém com um tipo de beleza extraordinário.

Era eu, a mesma de sempre, ali, se ralando na areia, nas posições mais toscas, pra cavar um buraco-cratera pra filha.

E por que eu deveria me sentir menos por isso?

“É você, aí, na foto”, eu me disse. “Isso não é ruim”.

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  1. suzi pereira

    Maravilhoso seu blog! Um texto inspirador. Parabéns…

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    • Fico feliz que tenha gostado. Muito obrigada!!
      Sucesso pra ti e obrigada pela visita

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