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Revisitando coisas já ditas

Categoria: Mundo, Vida, Vídeos | 26 de maio de 2017

Sei lá por qual motivo eu estou com os posts sobre abuso na cabeça. Fico pensando e pensando numa frase que eu escrevi – “é nos limites cinzentos que a gente se perde” – e me perguntando se eu fui clara o bastante.

Essa frase é um alerta para o perigo de certas sutilezas, que acabam mascarando, pra gente e pros outros, a horripilância de certas coisas e situações.

Na minha vida, nenhuma das situações de abuso foi ao estilo trash total-estranho-te-pega-num-beco-te-espanca-e-faz-coisas-terríveis-dignas-de-filme-de-terror. Nenhuma delas. Mas isso não quer dizer que elas não aconteceram, e nem que não causaram estrago.

Refletindo sobre isso, encontrei um vídeo da Jout Jout que eu acho que reforça bem essa ideia, e resolvi trazer pra cá pra complementar.

É um pouco pesado – porque abuso é pesado -, mas vale a pena. Pra pensar. Pra reconhecer.

Porque reconhecimento – poder identificar, poder discernir – é uma parte importante do poder fazer algo a respeito.

Beijos procês.

Comunicação não-violenta

Categoria: Vida, Vídeos | 22 de fevereiro de 2017

Naquele video sobre o qual eu falei no post passado tem essa parte (começa em 42:46) que eu adoro (na verdade tem um milhão de partes que eu adoro, mas quero muito falar sobre essa). Pra quem assistiu, foi mal a repetição, pra quem não viu ainda, vou contar como uma história:

Um pai, adepto da comunicação não-violenta, educa os filhos nessa prática/vivência. Um belo dia ele resolve trocá-los de escola – de uma com metodologia não-violenta, para uma escola tradicional (leia-se: violenta). Vejam, ele tem noção de que a maioria das esferas na nossa sociedade operam de modo violento, então ele queria dar aos filhos a oportunidade de praticar, uma vez que eles não poderiam ficar para sempre protegidos em uma bolha à parte do resto do mundo.

O filho volta do primeiro dia de aula parecendo não muito feliz. O pai então lhe pergunta:

“Como foi a escola?”

E o menino responde:

“Foi ok… Mas, nossa, pai… Alguns daqueles professores…puxa…”

“Por que? O que foi?”

“Poxa, pai, eu nem tinha passado da porta – sério, eu estava a meio caminho da entrada – quando um professor veio correndo pra mim e disse: ‘Ora, ora! Olha só a garotinha!'”

[pausa]

O pai sabe que, provavelmente, o professor estava reagindo ao cabelo comprido do menino. Ele sente a raiva subir e se prepara para ir ter uma conversinha com o professor, esquecendo todos os seus ensinamentos sobre não-violencia.

Ele, então, pergunta:

“E como é que você lidou com isso?”

“Eu me lembrei do que você disse, pai: ‘quando se está nesse tipo de ambiente, nunca dê a ninguém o poder de fazer você se submeter ou se revoltar’.”

“Nossa, você lembrou disso? Isso é um grande presente. Adoro mesmo saber que você lembrou disso mesmo nessas condições. E então? O que vocês fez?”

“Eu tendei compreendê-lo, pai. Tentei perceber o que ele estava sentindo e precisando.”

“Nossa, você lembrou de fazer isso? E o que foi que você percebeu?”

“É bastante óbvio, pai. Ele parecia irritado e queria que eu cortasse o cabelo.”

“E como é que isso fez você se sentir?”

“Eu fiquei triste por ele. Ele era careca e parecia ter um problema com cabelo.”

 

😀

Ei, menino, quero ser você quando eu crescer 😀

Que bálsamo deve ser conseguir se sentir assim no mundo

 

Descobrindo vozes consonantes – e outras nem tanto (parte 2)

Categoria: Mundo, Vídeos | 26 de maio de 2016

Descobrindo vozes consonantes - e outras nem tanto (parte 2) | Sobre Autoestima

Eu ia discorrer sobre coisas que eu concordei e coisas que eu não concordei com relação aos vídeos (desse post aqui), mas acho besteira. O que importa é que se tratam de vídeos de pessoas que estão no mesmo barco e no mesmo caminho que eu – e que muitos leitores daqui.

A Helena, nossa, a *Helena* é um ser mitológico, não é, não? Queria dar um abraço nela – eu sempre me sinto assim quando esbarro nessas pessoas incríveis que conseguiram super se aceitar, mesmo não encaixando nos padrões e mesmo com o mundo inteiro enchendo o saco. É um amor que eu sinto. É como se o amor que elas conseguiram conquistar por si mesmas fosse contagiante. Dá vontade de falar “dá aqui um abraço! Deixa eu encostar em você pra ver se você me passa um pouquinho disso!” :-D.

Estava pensando na Bia Jiacomine dizendo que, pra galera do mundo, hoje em dia, ou você é fitness ou você *tem que* se aceitar, se amar e tudo o mais.

A gente vive mesmo numa era de extremos, não é? Na qual ninguém mais nem disfarça a intolerância e a agressividade. Onde até mesmo a sua forma de se relacionar consigo mesma, com o seu corpo, com a sua vida, deveria seguir algum padrão ou alguma condição de grupo.

Pfffffff.

Vale reforçar que quando eu falo aqui  no blog de auto aceitação e autoestima não é no tom de **tem que** não, hein, gente? Aliás, nada é. A jornada de cada um é única e intransferível, e só cada um para saber onde dói, onde aperta, o que funciona, o que caga tudo, etc. Mas se tem uma coisa que eu aprendi é que não adianta nada ser a fitness tchutchuquérrima se você não se aceita de verdade.

Aceitar-se não é fácil. Como as meninas dos vídeos disseram, é bem difícil e não é algo que se consiga da noite pro dia. É um processo, longo, sofrido, suado, pesado às vezes, mas vale o esforço. Autoaceitação é uma conquista. E quando o mundo inteiro está o tempo todo, massivamente, exaustivamente, de todas as formas possíveis, em qualquer lugar que você vai, de maneiras diretas, indiretas e/ou subliminares, te dizendo que você **tem*que*ser*jovem** (pra sempre), **tem*que*ser*magra** (pra sempre), **não*pode*ter*cabelo*branco**, **não*pode*ter*cabelo*que*não*seja*liso*e*impecável**, **não*pode*ter*marca*de*expressão**, **não*pode*ter*pêlos*corporais**, **não*pode*ter*ruga**, **não*pode*ter*estria**, **não*pode*ter*celulite**, **não*pode*ter*gordura*corporal**, **não*pode*ter*dobrinhas*de*nenhum*tipo**, que **tem que** ter *tudo*sempre* bem *firme*,*liso*,*uniforme*e*durinho* – como plástico -,  essa não é uma conquista pequena, não, gente. Mas é importante porque, tendo autoaceitação, a vida pode seguir o rumo que for: namoros/casamentos podem acabar; a gente pode cometer erros e burrices e besteiras e cagadas; nosso corpo, cabelo e aparência podem mudar; tudo pode cair, amolecer e enrugar, mas nada disso significará um fender ou cindir de nós mesmos. Porque aceitar-se é estar inteiro – e estar na vida por inteiro.

Pensei numa metáfora agora. Imaginem que a vida é oceano e que a gente – corpo, espírito e o que mais tiver – é barco. Quando a gente não está inteiro, nem é preciso tempestade pra afundar – o mar pode estar calmo como água de banho de banheira, mas fácil, fácil, a gente vai parar lá no fundo. Agora quando nós estamos inteiros, sólidos em nós mesmos, pode vir a tempestade que for: não digo que saímos ilesos, mas *saímos*, e nos regeneramos, e seguimos navegando.

(Quem me conhece na vida real deve estar rindo com mais essa metáfora de barco rsrsrsrs) (ou então eu é que ando convivendo demais com psicanalistas rsrsrsrs)