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Dar a cara para bater – parte 1

Categoria: Amor Próprio, Vida | 7 de novembro de 2016

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O conflito dessa semana teve a ver com grana. Regra geral nesse país de hoje: quem já não tinha muito dinheiro, agora tem menos ainda.

E eu, nesse bolo.

Aí eu entrei em uma espiral louca de estresse mental, onde fiquei tentando desesperadamente achar o que fazer para conseguir sair do sufoco e, uma das coisas que me veio à mente foi divulgar meu livro para os meus amigos. Algo do tipo: “Então gente, novembro, meu aniversário chegando. Que tal ajudarem a amiga escritora aqui, comprando meu livro?”

Quando a ideia me passou pela cabeça a primeira vez, ela me pareceu razoável, afinal, é um sonho/objetivo meu conseguir fazer da escrita uma forma de sustento. E tá lá o livro, pronto. Feito. À venda. Só que esse “é, pode ser” durou pouco (muito pouco), porque a ideia foi logo seguida por uma onda de ansiedade.

Vejam, eu já falei até aqui sobre o meu livro, mas nunca no meu Facebook pessoal, por exemplo. Pouquíssimos são os amigos que sabem que eu tenho um livro à solta por aí. E mesmo alguns desses, quando me disseram: “comprei seu livro!”, geraram em mim um pavor muito curioso.

No auge desse conflito, eu recorri a uma amiga (que leu o livro) pedindo opinião. Eu falei sobre o que eu estava pensando em fazer e perguntei o seguinte:

“Você acha que o livro é bom o bastante?”

E ela:

“Bom o bastante para quem?”

E mais pra adiante na conversa ela disse – assim, a frase ali solta, única, hegemônica no parágrafo:

“Tem alguma coisa errada com essa pergunta.

Pausa.

Eu respirei… Senti, mais do que pensei…

É . Tem alguma coisa errada com essa pergunta.

“Você acha que o livro é bom o bastante?”

Bem, se eu estou perguntando, é porque eu não sei. É porque eu, embora goste muito da história que escrevi, duvido dela.

Que merda, né?

O lance é que não tem nada a ver com a história, com o produto final que é o livro em si.

É porque **eu** fiz, que eu duvido.

O livro é uma parte de mim. Apesar de ser uma obra ficcional e não contar *a minha história*, por ser algo que eu criei, do nada, com esforço, trabalho, com muito investimento pessoal,  o livro sou eu.

E eu duvido de mim.

Eu nunca acho que o que eu faço é bom o bastante. Eu sempre penso que poderia ser melhor. Então, quando eu pergunto: “Você acha que o livro é bom o bastante?”, no fundo, o que eu estou perguntando é:

“Você acha que eu sou boa o bastante?”

E, é. Tem alguma coisa muito errada com essa pergunta.

Avaliação funcional, episódio 2: A persistência do bacon

Categoria: Vida | 19 de setembro de 2016

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Não me aguentei.

Dois meses de academia se passaram e eu fiz outra avaliação funcional.

Adivinhem o resultado?

😀

O professor pegou os meus dados, me pôs na balança, fez bioimpedância, tirou fotos malditas e, depois de passar pro sistema, abaixou a cabeça…

E riu.

😀

Ele *riu*.

Eu também.

Eu entendi.

Eu já sabia.

Ele disse: “É… Você conseguiu piorar”.

Puta merda rsrsrsrsrs

É isso aí gente. Mesmo fazendo musculação e correndo na esteira que nem hamster quase todos os dias, eu estou mais baconzita do que quando comecei :-D.

UAHAHAHA

Ai, ai… a ironia da vida.

Diagnóstico: mesmo peso, mais gordura.

E eu: “Como pode isso?!”

Como pode? Pergunto eu a vocês. Eu, que nunca fiz musculação, perder “massa magra” (músculo) ao invés de ganhar, depois de começar a fazer musculação ?!?!?!?

É muito louco tudo isso.

Segundo ele, como meu condicionamento físico tá alto, o aeróbico que eu faço tá suficiente. O que falta é pegar mais pesado no muscular.

?!?!

Ahn?!

Eu disse: “Cara, com todo o bacon que já tem aqui, tu vai me fazer ficar musculosa por baixo, e eu vou virar o boneco de marshmallow!”

Ele riu.

Mas, vamo lá, na tentativa.

“70%, Kelly. Alimentação é 70% do processo”.

Lascou-se.

Ninguém merece fazer academia **E** dieta. Na minha cabeça, fazer a primeira é justamente para não ter que fazer a segunda!

É a vida, essa coisa sarcástica.

Moral da história?

Baconzita sou, baconzita permaneço.

Tamo aí na atividade 😀

Rsrs

E enquanto eu conseguir rir disso, tá tudo bem.

 

Pelo direito à não-domesticação capilar

Categoria: Vida |

Pelo direito de ser feliz com o cabelo que se tem - Sobre autoestima

Já contei aqui da minha saga capilar (nesse post antigo). Meu cabelo é essa coisa geniosa e imprevisível, que fica sempre do jeito que bem entende. É assim desde a adolescência e, depois de muita guerra, eu aprendi a não me incomodar com ele.

Há algumas semanas eu resolvi pintá-lo de novo. Eu tenho bastante cabelo branco (também, desde a adolescência) e esse lance de tintura é um saco, né? Porque passam nem bem quinze dias e lá estão os brancos ressurgindo de novo. Você acaba escravizado. E sempre tem um mala pra reforçar, de formas indiretas e outras nem tanto, que “já está na hora de retocar as raízes” (Argh). Não sei se eu teria saco pra ficar voltando no salão de duas em duas semanas – deixa eu pensar… Hmmmmmm… Não. -, mas, com toda a certeza, eu não tenho dinheiro (:-D) (pequeno detalhe fundamental). Por isso, fiquei um tempão sem ir lá – por dureza e também (principalmente, sejamos sinceros) por uma resistenciazinha básica, por ter sido cobrada melhorias no âmbito capilar. Vocês que me leem, já sabem como a coisa funciona por aqui: veio com cobrança babaca, *fodeu*. O que nem sempre é bom, mas enfim, lá fui eu pro salão.

Como o cara que geralmente faz o meu cabelo não estava, acabei sendo atendida por um cabeleireiro desconhecido (#medo), que de cara já me conquistou por sugerir que eu mantivesse a minha mecha (eu tenho um mechão branco bem na frente). Fiquei encantada! Uma opção para fora da escravidão! O branco já está aqui mesmo – o cabelo pode crescer à vontade.

Ele pintou, fez isso, fez aquilo, e terminadas as químicas colorísticas, lá vem ele falar de tratamento.

Ok, tratamentos.

Como eu tinha conseguido um dinheiro, escolhi um que era caro, mas que, segundo ele, operava milagres. Era daqueles que você precisa pranchar o cabelo depois, pro calor selar a cutícula ou sei lá o quê.

Saí do salão com as madeixas flutuantes no estilo comercial de shampoo. E lisas. Perfeitamente obedientes.

Normalmente eu detesto meu cabelo liso. Sou uma quase careca,  daí quando o bicho alisa, fico com cara de quem tomou lambida de vaca. Mas dessa vez eu até curti. Minha filha achou lindo, o namorado se animou, foi divertido. Por isso não lavei logo de cara. Deixei o dia seguinte passar, e no próximo eu ainda não tinha lavado também. Acho que gostei dos desdobramentos relacionísticos e acabei mantendo a lisura da cabeça por mais tempo. Só que aí uma coisa muito louca aconteceu:

Eu comecei a ficar mal humorada.

Comecei a me sentir incomodada.

Comecei a me sentir não-eu.

Feia. Esquisita. Apagada.

Como que ecoando meus pensamentos, uma pessoa na faculdade vira pra mim e diz, assim que me vê chegar: “mas o que foi que você fez com o seu cabelo?!”

Pronto.

Fiquei me perguntando a mesma coisa. Por que eu não tinha lavado tudo logo?

Cheguei em casa agoniada e mergulhei no chuveiro. Passei shampoo umas três vezes pra tirar bem os artifícios domesticadores todos. Fiquei me olhando de instante em instante no espelho, na desconfiança, enquanto esperava o cabelo secar. E quando ele secou e armou, volumoso e maluco como sempre, eu respirei aliviada.

Essa vida de cabelo certinho não é pra mim, não.