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Feliz ano novo

Categoria: Amor Próprio, Vida | 31 de dezembro de 2017

Oi, gente!

 

Cá estamos nós, no último post do (in)tenso ano de 2017.

Esse será o primeiro Réveillon que passarei sozinha (emblemático) – quer dizer, não exatamente sozinha, já que estarei com meus bichos e plantas, mas, no que tange companhia humana, sozinha.

Isso não me aflige e nem entristece de forma alguma. Quer dizer, talvez entristeça um pouco, mas não é uma tristeza ruim. É uma tristeza bonita, daquelas que a gente sente quando se dá conta de quanto o filho cresceu.

A geladeira recém consertada me garantirá prosecco e cerveja gelados. Ainda tenho dois sacos de cereja que sobraram do natal, e 1/4 da minha pizza favorita – cuidadosamente reservado para a ocasião (os outros 3/4 foram consumidos com minha filha na janta de sexta passada, nosso último jantar do ano juntas, já que ela foi pra casa do pai). A casa cheira a pinheiro e brilha colorida de pisca-piscas (ou piscas-piscas?). Então, tá tudo certo.

Chorei bastante esses últimos dias lavando a alma do sofrimento causado pelas lutas internas que insisti em travar, contra coisas que não posso mudar. Fico até com receio de dizer o que vou dizer – porque, nesses meses, sempre que achei que estava perto de me curar, acontecia alguma coisa que, de súbito, me levava pro escuro do buraco de novo, e me mostrava que ele ainda estava lá, aberto e sangrento -, mas acho que, finalmente, aceitei.

Aceitei que as coisas foram como foram. Aceitei que elas agora são o que são, como são.

E só assim eu posso esperar me libertar, gente. Só assim o buraco vai começar a fechar, sarando, de fato, e não sendo tapado ilusória e temporariamente com coisas externas.

Ele será preenchido de mim: a única coisa que pode realmente preenchê-lo.

E vai levar tempo…

Leva tempo.

Mas o tempo leva…

*Se* a gente deixar. Se a gente aceitar.

Nessas últimas horas do ano, eu venho desejar a vocês um desejo de ano novo incomum. Uma coisa simples, porém muito difícil. A chavinha que vira e transforma tudo:

Aceitação, gente.

A mais maravilhosa e completa aceitação.

Que ela possa envolver a totalidade das suas vidas e tudo aquilo que vocês são, porque quando a gente aceita a nossa vida como ela é/está e como ela foi/esteve, e quando a gente se aceita como é/está e como foi/esteve, a nossa existência deixa de ser essa grande procissão de autoflagelação, luta, conflito, “gastura”, frustração e sofrimento.

Aceitar-se completamente é amar-se incondicionalmente.

Então, um super feliz ano novo de aceitação para todos nós.

Até ano que vem 🙂

 

 

 

 

 

 

 

Então é natal…

Categoria: Vida | 25 de dezembro de 2017

Pois é, galera. É natal. E o fim desse ano de merda se aproxima.

Vivaaaaaaaa!!!!!

Mas não me entendam mal: digo “ano de merda” quase com carinho (quase rsrs), porque estou cheia de um sentimento de gratidão e, por isso, decidi escrever.

(Antes de continuar, uma pausa para desejar um super feliz natal para todos vocês. Feliz nataaaaaaaaaal!!!!!!)

Mesmo dura e endividada, me dei ao luxo de ser extravagante e me sento agora, aqui, de frente para um pinheiro de verdade, vivo e cheiroso (um sonho antigo que eu finalmente resolvi bancar esse ano), ouvindo um dos LPs que pertenceram à minha mãe e à minha infância (graças ao fato de eu ter me dado de presente de natal uma vitrola). Só isso já me enche de uma felicidade doída.

É isso.

O resumo desse natal.

Felicidade doída.

Mas felicidade.

Há elementos faltando que abrem um rombo no meu coração… mas há outros que o aquecem… como uma compressa… como um abraço carinhoso, segurando as bordas do buraco, impedindo o rombo de se alargar e me engolir.

Que outra maneira há de (pros)seguir?

O natal desse ano foi o primeiro em muitos e muitos (muitos) anos no qual não houve absolutamente nenhuma tensão. Passei aqui em casa, com minha filha (grande amor, meu pequeno sol particular), com um amigo-irmão meu dos tempos de colégio e a mãe dele (eles dois também não têm família disponível). Pessoas que não julgam. Que não se importam se você engordou ou emagreceu, se está feio ou bonito, se está bem ou mal vestido, bem ou mal de vida, se está trabalhando ou não, se sua casa está limpa ou suja, bagunçada ou arrumada, se você não tem sofá e nem se as cadeiras da mesa estão desmontando. Pessoas que não dão o menor valor pra cenários, aparências e máscaras de nenhum tipo. Com quem não há teatro nem pisar em ovos. Pessoas que só querem estar com você (e estando, tá tudo bem), bater papo, e cantar Maiara&Maraísa junto (rsrsrsrs).

Que grande e maravilhoso alívio, gente. Que presente!

Assim, contrariando a vibe geral do ano, nada deu errado. Nem mesmo o fato da minha geladeira quebrar (!) (2017 continuando a ser 2017 até o fim rsrsrs) foi sentido como problema: apenas uma coisa com a qual eu vou lidar depois. O gelo ficou meio derretido, mas ainda conseguiu sobreviver em pocinhas, nas cubas, até o fim da ceia. E, nesse calor, o que mais se poderia querer, minha gente?! 😀 Um verdadeiro milagre de natal 😀

Outra grande realização foi, mesmo com a kida maior, ainda conseguir manter a fantasia da existência do Papai Noel. Pode parecer uma idiotice, mas é tão, tão legal (fantástico, na completa acepção da palavra) ver o espanto e a alegria dela diante de toda a dinâmica da chegada dos presentes, e da grande habilidade que o Papai Noel tem de escapar mesmo as mais elaboradas tocaias rsrsrs. Ela corria que nem louca pela casa, de janela em janela, tentando encontrar a origem do barulho dos sinos das renas 😀 . E quando ela descobriu o presente na porta?! A onda de felicidade que sai dela é inexplicável. É impagável. Traz magia pro mundo.

As louças usadas foram aquelas usadas em todos os natais da minha vida até meus 25 anos. Eu, como guardiã de alguns objetos de família, pude me dar a esse luxo. E, por meio dessas coisas, eu pude trazer minha mãe pra cá e vivê-la (ou torná-la viva) em pequenas tradições (como o usar dos pratos de festa).

Dá vontade de chorar?

Dá.

E eu chorei.

Mas o choro não foi inteiramente tristeza.

Tem algo de milagre nele.

Foi uma noite pra mostrar que, mesmo com toda a cagada, com todo o sofrimento, com a verdadeira tsunami que foi esse ano, há algo de verdadeiramente milagroso na minha vida. E tantas, tantas coisas pelas quais ser grata.

Por mais estranho que isso possa parecer, o natal desse ano foi como voltar pra casa…

A casa que existe em mim.

E que outra existe?

 

E enquanto eu escrevia esse post, eu ouvia essa mesma música de novo e de novo e de novo. E como eu aprendi a me ligar nessas sincronicidades musicais, fui procurar a letra. Olhem isso:

Detalhe que, parte da minha ideia quando eu comecei a escrever o post era falar pra vocês um pouco do meu processo da cura da criança interior, e, de como eu, finalmente, havia conseguido fazer as pazes com a minha mãe.

Rsrsrs

A vida, gente. Essa coisa mágica.

Revisitando coisas já ditas

Categoria: Mundo, Vida, Vídeos | 26 de maio de 2017

Sei lá por qual motivo eu estou com os posts sobre abuso na cabeça. Fico pensando e pensando numa frase que eu escrevi – “é nos limites cinzentos que a gente se perde” – e me perguntando se eu fui clara o bastante.

Essa frase é um alerta para o perigo de certas sutilezas, que acabam mascarando, pra gente e pros outros, a horripilância de certas coisas e situações.

Na minha vida, nenhuma das situações de abuso foi ao estilo trash total-estranho-te-pega-num-beco-te-espanca-e-faz-coisas-terríveis-dignas-de-filme-de-terror. Nenhuma delas. Mas isso não quer dizer que elas não aconteceram, e nem que não causaram estrago.

Refletindo sobre isso, encontrei um vídeo da Jout Jout que eu acho que reforça bem essa ideia, e resolvi trazer pra cá pra complementar.

É um pouco pesado – porque abuso é pesado -, mas vale a pena. Pra pensar. Pra reconhecer.

Porque reconhecimento – poder identificar, poder discernir – é uma parte importante do poder fazer algo a respeito.

Beijos procês.