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Tropeçando num desabafo

Categoria: Mundo, Relacionamentos | 5 de fevereiro de 2015

O amor tem sido temática recorrente nos últimos posts e não sei muito por que. As coisas vão vindo e eu vou escrevendo. Talvez, como várias pessoas queridas estejam passando por términos e situações complicadas; talvez porque mesmo a minha situação não seja lá muito simples; vira e mexe eu tropeço em textos e filmes que trazem o amor pro mundo da autoestima. Mundo este, aliás, por onde o amor sempre transita. É nas relações amorosas que nossas questões e carências ficam mais evidentes; é nelas que as coisas que enterramos, que temos escondidas lá no fundo, emergem; e são essas relações, principalmente, que condenamos a mortes lentas ou execuções expressas quando falta amor por nós mesmos.

Hoje, estava vasculhando a internet procurando por notícias sobre a tempestade que está chegando no Rio, quando encontrei o Desabafo sobre o Amor, do Luiz Menezes. Eu já estava pensando num post – que ia ser sobre berinjela 😀 – e resolvi mudar pra trazer esse texto pra vocês. Talvez seja porque eu ainda estou com o coração partido de ter assistido o A Teoria de Tudo – (spoiler!! spoiler!!) que não, não é essa história de amor épica e romântica e transcendente que eles estão dando a entender na divulgação do filme; mas antes, uma história de amor real e que acaba (!) – e ainda não tenha conseguido digerir uma das falas mais devastadoras de um script que eu já ouvi/vi no cinema – “eu amei você”: ênfase no passado… e aí, morremos de dor -; mas, seja pelo motivo que for, o texto é bom e tem a ver com a temática do blog e com coisas que nós já andamos conversando por aqui; então, vamos a ele.

O Luiz Menezes começa dizendo que o amor não é, nem nunca foi, justo.

“O amor é aquele carinha da sua escola, da primeira série, que te xingava de um milhão de palavrões infantis só porque você tinha os dentes da frente abertos”, ele diz. “O amor é aquela caixa de morangos que parecem estar maravilhosos e, quando você abre, descobre que todos os que estavam no fundo estão podres. O amor é aquela seção de calças de cintura alta perfeitas, tamanho 32, que não cabem nem mesmo em modelos”. E continua:

“O amor não é justo. E, talvez, o problema resida não no sentimento em si, e sim no timing. Duas pessoas, quando se encontram, têm a possibilidade mínima de se encontrarem no mesmo estágio de vida. Não importa se você é magra, loira e tem os olhos azuis, se o cara não tá a fim de namorar agora. Não importa quantos gominhos você tenha na sua barriga malhadíssima, se o outro te acha um saco. Conheci muita gente e me apaixonei por cada uma delas – paixão é sim, uma forma mínima de amar, por menor que seja. Conheci gente demais em tempos errados demais. Hoje, percebo o quanto estive errado em cultivar mais expectativas do que a mim mesmo. Descobrir-se é a primeira etapa do processo “amar”: amar a si mesmo. Amar quem você é, na essência. Decidi aos nove anos de idade que iria ser publicitário. Hoje, percebo o quanto me envergo em caminhos diferentes e alternativos, por poder, livremente, ser o que sou. Cada um de nós deveria, antes de tudo, descobrir-se. Abrir-se ao mundo. Há muito a ser explorado, tanto em sua alma, quanto em seu corpo, quanto em seu bairro – imagina o quanto pode haver no mundo inteiro, então. E, o amor (ok, papo de auto-ajuda, mas que jamais deixará de ser verdade) só é possível quando descobrimos que o outro está ali para somar, e não completar. Não podemos enxergar no outro qualidades que sentimos não existir em nós mesmos – o que cheira a inveja – e muito menos esperar que o outro nos trate como uma mãe ou um pai. Carência demais é doença. Agarrar a primeira coisa que se vê só mostra o quão fraco e necessitado você se torna a cada segundo em que está sozinho. Desejar a companhia de alguém é uma coisa; imaginar o outro como um escravo particular para curar suas inseguranças é outra […]. Vá ser feliz com você mesmo. A única coisa que te merece é o mundo – não somos prêmios particulares, nem bônus de celular, nem números da Telesena. Somos indivíduos que, querendo ou não, doendo ou não, nascemos e morremos sozinhos. Encontrar alguém que, ao invés de nos roubar, queira nos acompanhar nessa jornada, é sua árdua missão particular – recebe-se o que se é refletido. Se atrás de você só tem gente louca, quem está de ponta-cabeça é você (nota particular). Descubra-se. Valorize-se em todos os seus trejeitos. Use algo mais curto (ou mais comprido). Dance. Viaje. E, quando, por poesia – por descuido não, por favor! -, alguém queira ficar, que seja para acrescentar.

Porque o amor não é justo. Mas ele há de acontecer, um dia”.

🙂

E pra encerrar esse post que é meu mas que está sendo construído com a voz de outros, faço recurso do Ferreira Gullar quando ele diz:

“A vida é louca. A vida é pouca. Mas não há senão ela”.

E completo: pra você, não há senão a sua.

 

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<fonte do texto do Luiz Menezes: http://lounge.obviousmag.org/sete_horas/2014/12/desabafo-sobre-o-amor.html#ixzz3Qt82mtJZ>

<fonte da imagem: We♥it!>

 

Primeiro você ♥

Categoria: Música, Relacionamentos, Vida | 15 de janeiro de 2015

Eu estava no carro esse fim de semana quando minha prima colocou uma música pra gente ouvir. Música triste, linda, linda… Na hora pensei que tinha que trazer pra cá, e então, cá estou eu :-D.

Vou colocar o vídeo com a legenda em português – e o clip tem tudo a ver com o motivo pelo qual eu resolvi trazer essa música pro #SobreAutoestima – e depois comento:

Essa é pra todas as pessoas que se encontram em relacionamentos abusivos – emocionalmente, fisicamente, psicologicamente, ou todas as opções anteriores. Relacionamentos que machucam, que sugam (detalhe pras alminhas sendo sugadas no clip), que despedaçam. Que vocês tenham a força pra pular fora, pra deixar acabar. Pra deixar sofrer, mas deixar passar – deixar ir *let it go* let it go* – pra ficar bem depois. Acima de tudo: pra não voltar, não repetir. Pra não dar a mais ninguém o poder de lhes fazer mal.

E como nada disso é simples nem fácil: força aí.

Pra encerrar eu fecho com o Osho – sempre uma boa ideia – porque eu dei de cara com esse texto dele a caminho do blog e não vou ignorar a sugestão 😀 :

“Primeiro fiquei sozinho.

Primeiro comece a se divertir sozinho.

Primeiro ame a si mesmo.

Primeiro seja tão autenticamente feliz que se ninguém vem, não importa: você está completo, cheio, transbordando.

Se ninguém bate a sua porta, está tudo bem.

Você não está esperando por alguém para vir e bater à porta.

Você está em casa.

Se alguém vier, bom. Belo.

Se ninguém vier, também é bom e belo.

Primeiro você.”

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“Pare de romantizar coisas que machucam”

<fonte da imagem: Tumblr.>

Ah, o amor – foda…

Categoria: Filmes, Relacionamentos | 21 de dezembro de 2014

Tô na onda dos post sobre relacionamento. Talvez por causa da minha realidade, talvez por causa de uma amiga próxima que está passando por um término bem difícil. De qualquer forma, os post chegam a mim, certo? Vocês que me acompanham sabem dessa minha teoria. Então vamos lá.

Eu estava escrevendo aquela parte do inteiro parte 1, quando, sem querer, eu parei pra ver esse filme… Alerta de spoiler – tenho que dar o alerta – filme: Ele não está assim tão afim de você – ou qualquer coisa do gênero.

Se não viu e pretende ver: pare aqui – mas volte depois!!!! 😀

 

 

**spoiler alert**spoiler alert**spoiler alert**spoiler alert**spoiler alert**

 

 

Esse filme me arrasou. Seja pela minha atual fase meio descrente, seja pelo motivo que for.

É um filme legal, tem o final meio feliz – e eu estou no ponto em que finais felizes me deixam triste -, mas o que me incomodou foi a incoerência.

O filme começa com a cena dessa menina pequena brincando no parquinho. Um menino – que é o menino que ela gosta – chega perto dela – e ela abre o maior sorrisão – e começa a descascar a pobre coitada: falando que ela é um cocô e coisa parecida – daí pra baixo. A menina aos prantos vai até a mãe buscando apoio, e a mãe diz:

“Sabe por que aquele menino fez essas coisas? E disse essas coisas pra você? Porque ele gosta de você.”

Ugh.

E a narradora do filme diz:

“Aí! Aí está o começo dos nossos problemas!”

E é verdade!

Ela diz: “somos programadas pra acreditar que se um cara age como um completo babaca, isso significa que ele gosta da gente”.

E quantas vezes a gente já não ouviu isso sobre o comportamento de garotos com relação a garotas? Se implica, se trata mal, se provoca, é porque gosta…

Será?!?!?!

De qualquer forma, ouvir esse tipo de afirmativa não ajuda ninguém.

Eu digo: “tratou mal? Implicou? Ofendeu? Fez vc se sentir um cocô?! Manda andar que o mundo é grande.

Mas voltando… 🙂

Esse filme conta a história de algumas outras mulheres em suas aventuras românticas, mas principalmente da Gigi, essa menina que é mega ofendida por esse molequinho no início do filme, mas que é levada pela mãe a acreditar que babaquice é um sinal de afeto/amor – já viu né.

Ela mega se humilha a vida inteira, mega corre atrás de quem **caga** na cabeça dela, até que, numa dessas “perseguições” inúteis, ela conhece esse cara, por acidente, que diz pra ela que ela está equivocada e que se um cara caga na cabeça dela é porque ele **está cagando**, e que se um cara não liga é porque ele não quer ligar etc etc. E que todas as histórias românticas e lindas nas quais ela acredita, ou são pura fantasia, ou são **A** exceção.

E quem nunca ouviu essas histórias lindas?

Eu lembro que quando eu era adolescente, minha professora contou uma história de uma amiga que tinha casado, mas o marido tinha dado um  pé na bunda dela. Arrasada, deprimida, ela se afundou em sofrimento e potes de sorvete. Há meses, antes do cara dar no pé, ela havia recebido um convite pro casamento de uma amiga. Ela não queria ir – casamento *pfff* que deprimente – mas a amiga insistiu, insistiu, e ela acabou indo. Na festa, lá está ela, entornando as taças de champagne pra permanecer sã, quando esse cara chega perto dela e diz: “Oi. Desculpa… eu sei que vai parecer loucura mas… quando eu te vi eu pensei: “você vai casar com ela”.

*meu eu adolescente suspirou*

Minha professora disse que eles casaram mesmo e foram mega felizes desde então. Mesma professora essa que tinha dito que havia se casado com O GRANDE AMOR da vida dela aos vinte anos – e que brigava com deus e o mundo que duvidavam que eles dariam certo em tão tenra idade – mas que se separou e que hoje posta fotos com o novo “namorido” e o chama de grande amor da vida.

E o que eu quero dizer com tudo isso? Duas coisas:

Uma que eu já disse num post anterior: não existe “grande amor da vida”, mas “grande amor de momentos da sua vida”;

E isso de acreditar em “sinais” é meio cilada.

Com “sinais” eu volto pro filme. O mesmo cara que diz pra Gigi que ela é uma iludida de achar que o cara tá ocupado, ou estressado, ou que perdeu o telefone dela, ou o que quer que seja, ao invés de aceitar que ele simplesmente não quer ligar; é o mesmo que diz pra ela que isso de sinais é uma loucura: é pegar uma série de acontecimentos e torcê-los em coisas que *não são* em função de um sentido maior a concordar com “sinais”, aquilo *que se quer que seja*. É com base em sinais, por exemplo, que uma outra personagem do filme insiste em correr atrás de um cara casado, alimentada por uma amiga que diz: “e se você encontrar o amor da sua vida mas já estiver casado com outra pessoa? Será que você devia deixar a oportunidade escapar?” >> nada mais do que uma desculpa bonita pra justificar traição, ou pra apaziguar uma consciência pesada, ou pra justificar uma atração inesperada.

Gente, “sinais” são perigosos. Não que eu não acredite neles. Eu até acredito. Só acho que muitas vezes a gente entende os sinais de forma errada. Ou os interpreta tão literalmente que eles se tornam, realmente, uma armadilha.

Eu fui morar e trabalhar em outro país, aos 19 anos, por causa de sinais: pra juntar dinheiro, pra ir até um outro país, mais longe ainda, onde eu achava que vivia minha alma gêmea.

Cheguei eu lá, com a cara e com a coragem, achando que era tudo o que eu precisava fazer pra mágica acontecer.

Resultado?

Me fodi.

Não satisfeita, saí do meus país, sozinha e sem apoio, na cara e na coragem, no impulso, na loucura, uma segunda vez, por causa de sinais – não, não podia ter dado errado. Os sinais estavam lá, tinha que significar alguma coisa!! -: Comi o pão que o diabo amassou e sofri que nem uma desgraçada por causa de sinais. Pra no fim descobrir que os sinais eram ilusão da minha mente romântica, e que o garoto que eu achava que era a minha alma gêmea… bom, não achava o mesmo com relação a mim.

Eu achei que os sinais me diziam que ele era O GRANDE AMOR DA MINHA VIDA, e que eu precisava ir até ele.

Hoje em dia eu vejo que os sinais apenas me guiaram pro lugar onde eu tinha que ir pra aprender – na marra (!) e no sofrimento (putz, que sofrimento…) – coisas que eu precisava aprender.

Eu passei anos – ANOS!! – tentando digerir essa história. Tentando encontrar sentido nas atitudes do garoto. Só pra entender, que no fim, não tinha sentido. Que (eu) não tinha sentido (significado) nenhum pra ele. Era diversão, sei lá, qualquer coisa sem muita importância. E eu, anos e anos, gastando minha energia pra tentar entender o que não tinha “entendimento”. Porque a coisa toda não *era* nada pra ninguém mais além de mim.

**dor, dor**

E no fim, eis o sentido real de tudo pra minha vida: dor pra aprender. Dor pra crescer. Nada a ver com ele. Nada a ver com nós dois sendo felizes pra sempre, como eu achava que seria.

A minha bronca com o Ele não está assim tão afim de você é que, depois do discurso todo pra desconstruir a ilusão, eles reforçam a ilusão com o final.

O carinha lá passa o filme inteiro tentando fazer a Gigi ver que esses “encontros mágicos”, essas histórias que dão certo, são a exceção, mas que ela, como tantas zilhões de outras, é a regra; só pra no final jogar tudo isso no lixo ao mostrar que ela não é a regra, ela é a exceção : ou seja, mais uma ilusão: que apesar de sermos tratadas como lixo, nós todas podemos ser a exceção.

*Aff*

A cena é linda e de doer, quando ele diz pra ela: “você é a minha exceção”.

Bacana… Chorei – 😀 – Mas fode com a moral toda do filme.

O que eu quero dizer é o que eu venho dizendo de novo e de novo ao longo de bilhões de posts: não importa se é regra ou se é exceção. Você tem que amar a si mesma antes de tudo. Você tem que estar inteira; senão, mais cedo ou mais tarde, dá merda – mesmo amando a si mesma, pode dar, mas pelo menos, se você o fizer, se der cagada você consegue desviar…  😀

E assim encerro esse lindo post com essa filosófica e profunda frase de encerramento: ame a si mesma(o) senão dá merda.

uahahahahahaha 😀

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“Que merda é essa?! Eu queria um Nike!”

<fonte da imagem: We ❤ it!>