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Primeiro você ♥

Categoria: Música, Relacionamentos, Vida | 15 de janeiro de 2015

Eu estava no carro esse fim de semana quando minha prima colocou uma música pra gente ouvir. Música triste, linda, linda… Na hora pensei que tinha que trazer pra cá, e então, cá estou eu :-D.

Vou colocar o vídeo com a legenda em português – e o clip tem tudo a ver com o motivo pelo qual eu resolvi trazer essa música pro #SobreAutoestima – e depois comento:

Essa é pra todas as pessoas que se encontram em relacionamentos abusivos – emocionalmente, fisicamente, psicologicamente, ou todas as opções anteriores. Relacionamentos que machucam, que sugam (detalhe pras alminhas sendo sugadas no clip), que despedaçam. Que vocês tenham a força pra pular fora, pra deixar acabar. Pra deixar sofrer, mas deixar passar – deixar ir *let it go* let it go* – pra ficar bem depois. Acima de tudo: pra não voltar, não repetir. Pra não dar a mais ninguém o poder de lhes fazer mal.

E como nada disso é simples nem fácil: força aí.

Pra encerrar eu fecho com o Osho – sempre uma boa ideia – porque eu dei de cara com esse texto dele a caminho do blog e não vou ignorar a sugestão 😀 :

“Primeiro fiquei sozinho.

Primeiro comece a se divertir sozinho.

Primeiro ame a si mesmo.

Primeiro seja tão autenticamente feliz que se ninguém vem, não importa: você está completo, cheio, transbordando.

Se ninguém bate a sua porta, está tudo bem.

Você não está esperando por alguém para vir e bater à porta.

Você está em casa.

Se alguém vier, bom. Belo.

Se ninguém vier, também é bom e belo.

Primeiro você.”

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“Pare de romantizar coisas que machucam”

<fonte da imagem: Tumblr.>

Ah, o amor – foda…

Categoria: Filmes, Relacionamentos | 21 de dezembro de 2014

Tô na onda dos post sobre relacionamento. Talvez por causa da minha realidade, talvez por causa de uma amiga próxima que está passando por um término bem difícil. De qualquer forma, os post chegam a mim, certo? Vocês que me acompanham sabem dessa minha teoria. Então vamos lá.

Eu estava escrevendo aquela parte do inteiro parte 1, quando, sem querer, eu parei pra ver esse filme… Alerta de spoiler – tenho que dar o alerta – filme: Ele não está assim tão afim de você – ou qualquer coisa do gênero.

Se não viu e pretende ver: pare aqui – mas volte depois!!!! 😀

 

 

**spoiler alert**spoiler alert**spoiler alert**spoiler alert**spoiler alert**

 

 

Esse filme me arrasou. Seja pela minha atual fase meio descrente, seja pelo motivo que for.

É um filme legal, tem o final meio feliz – e eu estou no ponto em que finais felizes me deixam triste -, mas o que me incomodou foi a incoerência.

O filme começa com a cena dessa menina pequena brincando no parquinho. Um menino – que é o menino que ela gosta – chega perto dela – e ela abre o maior sorrisão – e começa a descascar a pobre coitada: falando que ela é um cocô e coisa parecida – daí pra baixo. A menina aos prantos vai até a mãe buscando apoio, e a mãe diz:

“Sabe por que aquele menino fez essas coisas? E disse essas coisas pra você? Porque ele gosta de você.”

Ugh.

E a narradora do filme diz:

“Aí! Aí está o começo dos nossos problemas!”

E é verdade!

Ela diz: “somos programadas pra acreditar que se um cara age como um completo babaca, isso significa que ele gosta da gente”.

E quantas vezes a gente já não ouviu isso sobre o comportamento de garotos com relação a garotas? Se implica, se trata mal, se provoca, é porque gosta…

Será?!?!?!

De qualquer forma, ouvir esse tipo de afirmativa não ajuda ninguém.

Eu digo: “tratou mal? Implicou? Ofendeu? Fez vc se sentir um cocô?! Manda andar que o mundo é grande.

Mas voltando… 🙂

Esse filme conta a história de algumas outras mulheres em suas aventuras românticas, mas principalmente da Gigi, essa menina que é mega ofendida por esse molequinho no início do filme, mas que é levada pela mãe a acreditar que babaquice é um sinal de afeto/amor – já viu né.

Ela mega se humilha a vida inteira, mega corre atrás de quem **caga** na cabeça dela, até que, numa dessas “perseguições” inúteis, ela conhece esse cara, por acidente, que diz pra ela que ela está equivocada e que se um cara caga na cabeça dela é porque ele **está cagando**, e que se um cara não liga é porque ele não quer ligar etc etc. E que todas as histórias românticas e lindas nas quais ela acredita, ou são pura fantasia, ou são **A** exceção.

E quem nunca ouviu essas histórias lindas?

Eu lembro que quando eu era adolescente, minha professora contou uma história de uma amiga que tinha casado, mas o marido tinha dado um  pé na bunda dela. Arrasada, deprimida, ela se afundou em sofrimento e potes de sorvete. Há meses, antes do cara dar no pé, ela havia recebido um convite pro casamento de uma amiga. Ela não queria ir – casamento *pfff* que deprimente – mas a amiga insistiu, insistiu, e ela acabou indo. Na festa, lá está ela, entornando as taças de champagne pra permanecer sã, quando esse cara chega perto dela e diz: “Oi. Desculpa… eu sei que vai parecer loucura mas… quando eu te vi eu pensei: “você vai casar com ela”.

*meu eu adolescente suspirou*

Minha professora disse que eles casaram mesmo e foram mega felizes desde então. Mesma professora essa que tinha dito que havia se casado com O GRANDE AMOR da vida dela aos vinte anos – e que brigava com deus e o mundo que duvidavam que eles dariam certo em tão tenra idade – mas que se separou e que hoje posta fotos com o novo “namorido” e o chama de grande amor da vida.

E o que eu quero dizer com tudo isso? Duas coisas:

Uma que eu já disse num post anterior: não existe “grande amor da vida”, mas “grande amor de momentos da sua vida”;

E isso de acreditar em “sinais” é meio cilada.

Com “sinais” eu volto pro filme. O mesmo cara que diz pra Gigi que ela é uma iludida de achar que o cara tá ocupado, ou estressado, ou que perdeu o telefone dela, ou o que quer que seja, ao invés de aceitar que ele simplesmente não quer ligar; é o mesmo que diz pra ela que isso de sinais é uma loucura: é pegar uma série de acontecimentos e torcê-los em coisas que *não são* em função de um sentido maior a concordar com “sinais”, aquilo *que se quer que seja*. É com base em sinais, por exemplo, que uma outra personagem do filme insiste em correr atrás de um cara casado, alimentada por uma amiga que diz: “e se você encontrar o amor da sua vida mas já estiver casado com outra pessoa? Será que você devia deixar a oportunidade escapar?” >> nada mais do que uma desculpa bonita pra justificar traição, ou pra apaziguar uma consciência pesada, ou pra justificar uma atração inesperada.

Gente, “sinais” são perigosos. Não que eu não acredite neles. Eu até acredito. Só acho que muitas vezes a gente entende os sinais de forma errada. Ou os interpreta tão literalmente que eles se tornam, realmente, uma armadilha.

Eu fui morar e trabalhar em outro país, aos 19 anos, por causa de sinais: pra juntar dinheiro, pra ir até um outro país, mais longe ainda, onde eu achava que vivia minha alma gêmea.

Cheguei eu lá, com a cara e com a coragem, achando que era tudo o que eu precisava fazer pra mágica acontecer.

Resultado?

Me fodi.

Não satisfeita, saí do meus país, sozinha e sem apoio, na cara e na coragem, no impulso, na loucura, uma segunda vez, por causa de sinais – não, não podia ter dado errado. Os sinais estavam lá, tinha que significar alguma coisa!! -: Comi o pão que o diabo amassou e sofri que nem uma desgraçada por causa de sinais. Pra no fim descobrir que os sinais eram ilusão da minha mente romântica, e que o garoto que eu achava que era a minha alma gêmea… bom, não achava o mesmo com relação a mim.

Eu achei que os sinais me diziam que ele era O GRANDE AMOR DA MINHA VIDA, e que eu precisava ir até ele.

Hoje em dia eu vejo que os sinais apenas me guiaram pro lugar onde eu tinha que ir pra aprender – na marra (!) e no sofrimento (putz, que sofrimento…) – coisas que eu precisava aprender.

Eu passei anos – ANOS!! – tentando digerir essa história. Tentando encontrar sentido nas atitudes do garoto. Só pra entender, que no fim, não tinha sentido. Que (eu) não tinha sentido (significado) nenhum pra ele. Era diversão, sei lá, qualquer coisa sem muita importância. E eu, anos e anos, gastando minha energia pra tentar entender o que não tinha “entendimento”. Porque a coisa toda não *era* nada pra ninguém mais além de mim.

**dor, dor**

E no fim, eis o sentido real de tudo pra minha vida: dor pra aprender. Dor pra crescer. Nada a ver com ele. Nada a ver com nós dois sendo felizes pra sempre, como eu achava que seria.

A minha bronca com o Ele não está assim tão afim de você é que, depois do discurso todo pra desconstruir a ilusão, eles reforçam a ilusão com o final.

O carinha lá passa o filme inteiro tentando fazer a Gigi ver que esses “encontros mágicos”, essas histórias que dão certo, são a exceção, mas que ela, como tantas zilhões de outras, é a regra; só pra no final jogar tudo isso no lixo ao mostrar que ela não é a regra, ela é a exceção : ou seja, mais uma ilusão: que apesar de sermos tratadas como lixo, nós todas podemos ser a exceção.

*Aff*

A cena é linda e de doer, quando ele diz pra ela: “você é a minha exceção”.

Bacana… Chorei – 😀 – Mas fode com a moral toda do filme.

O que eu quero dizer é o que eu venho dizendo de novo e de novo ao longo de bilhões de posts: não importa se é regra ou se é exceção. Você tem que amar a si mesma antes de tudo. Você tem que estar inteira; senão, mais cedo ou mais tarde, dá merda – mesmo amando a si mesma, pode dar, mas pelo menos, se você o fizer, se der cagada você consegue desviar…  😀

E assim encerro esse lindo post com essa filosófica e profunda frase de encerramento: ame a si mesma(o) senão dá merda.

uahahahahahaha 😀

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“Que merda é essa?! Eu queria um Nike!”

<fonte da imagem: We ❤ it!>

 

 

A ilusão do pedaço que faz do nosso pedaço, inteiro – parte 2

Categoria: Relacionamentos | 17 de dezembro de 2014

Demorou pra sair essa parte 2, né, gente? 😀

Peço desculpas. Minha vida anda meio insana. Mas vamos lá: antes tarde do que nunca 😀

Começo essa parte 2 retomando o finzinho da parte 1, quando eu estava falando dos meus anos de terapia e da loucura que é o fato de eu ter passado a maioria esmagadora desse tempo, que deveria ser para mim, falando do meu relacionamento. Isso me fez lembrar um filme: Comer, rezar, amar. Vocês já viram? É um filme lindo e ótimo pra ilustrar as coisas que eu tenho dito aqui. Vou usá-lo nesse post pra dar continuidade as coisas que eu já venho dizendo lá, desde a parte 1.

O Comer, rezar, amar começa falando a mesma coisa que o fim do meu post anterior. A personagem principal – Liz – está contando a história de uma amiga psicóloga que vai trabalhar com refugiados de um lugar onde houve um grande desastre natural, que fez com que as pessoas perdessem tudo. Ao invés de trabalhar essa perda durante a terapia, de tentar lidar com a tragédia, Liz pergunta: adivinha sobre o que essas pessoas queriam falar com a psicóloga?

Seus relacionamentos amorosos.

Seria inacreditável se não rolasse uma identificação tão imediata com relação a isso.

Relacionamentos amorosos têm essa capacidade impressionante de se tornarem o centro das nossas vidas – acho que por causa dessas construções sociais de que é o outro que nos completará, é o outro que nos fará felizes – e, no fim, é justamente essa característica que acaba sendo o elemento motivador do fim na maioria dos casos – ou, quando não do fim, de muito, muito, muito, muitoooo desgaste. E o que tudo isso tem a ver com autoestima? Tudo.

Retomo a foto que eu usei pra ilustrar o post anterior:

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Autoestima tem tudo a ver com isso.

Acho que estou me repetindo, mas sempre vale: se a gente deposita a chave da nossa felicidade no outro, o que acontece quando o outro vai embora? Quando a gente faz do outro o centro da nossa vida, o que acontece se – quando – o pra sempre acaba?

Hoje em dia eu vejo a autoestima não só como um escudo que protege a gente das variáveis da vida e da inconstância das pessoas, mas também como uma ponte para o outro. Quanto mais sólida a nossa autoestima, mais sólida a ponte, menores as chances da ponte ruir sob os nossos pés e levar a gente pra debaixo dos escombros. A metáfora é fraquinha mas acho que funciona. E o que eu estou dizendo aqui eu digo com base naquilo que aprendi a duras penas, ao longo de dez anos.

No filme a Liz diz – ou dizem pra ela – “nunca deixe ninguém amar você menos do que você se ama”; uma concepção que, de certa forma, se a gente parar pra olhar, já está meio implícita nas nossas relações amorosas. Mas o que acontece se seu amor por si mesmo é insuficiente? pouco? inexistente?

Desastre.

Hoje em dia eu aceito uma coisa contra a qual eu iludidamente lutei a maior parte da minha vida: as coisas acabam. Como absolutamente tudo nesse mundo – nossas vidas inclusive – relacionamentos amorosos acabam. Foi uma admissão difícil pra mim e eu sempre sinto a dor desse desencanto – porque pra mim isso foi um processo de desencanto de mundo mesmo – quando eu vejo casais que eu conheço se separarem. É como se mais um pouquinho da mágica de tudo fosse embora.

Mas existem mais de 7 bilhões de pessoas na terra, e se um pouquinho da mágica vai embora de um lado, ela pode ressurgir em algo novo do outro. Não existe só uma pessoa pra você em toda a sua existência. Não existe o único grande amor da sua vida, mas únicos grandes amores de momentos da sua vida. Momentos que podem ser longos ou curtos, mas que invariavelmente acabarão, nem que seja com a morte de alguém.

E o que fazer quando acaba? Bom, não tem muito o que fazer a não ser seguir andando. Vai seguir chorando por um tempo, vai. Mas e daí? Deixa sofrer. Deixa chorar. Deixa sair. Deixa pra trás. Dói pra cacete, mas passa *e sim, esse é aquele momento em que aquele que está passando por um término quer socar a cara da gente, porque o que quer dizer isso?!?!? Passa?? Como assim passa?!?!* 😀 Mas passa mesmo. E passa mais rápido quando a gente está inteiro.

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