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Escorregamentos e coisas impregnantes

Categoria: Relacionamentos, Vida | 18 de fevereiro de 2016

Falaê povo!

Penso no blog todo dia (sério!), abro a página muitas vezes pra começar a escrever (juro!), nada sai (que angústia!) e aí eu me pego pensando nas desculpas que eu deveria dar (desculpas no sentido de desculpar-se mesmo, nada de inventar historinha pra justificar ausência, não :-D). Fato é: ando sumida 😀 (uahahaha repetindo o óbvio). Vocês também, pelos dados do Google Analytics :-D. Mas é, eu sei… Como ser leitor assíduo de um blog que não oferece coisas novas pra ler, né?

Pois é… Tenho que entrar na vibe produtiva de novo (Produção! Produção!). O que me lembra:

Hoje (“hoje foi há três dias atrás 😀 já pensei e mudei de ideia sobre várias coisas que escrevi no post mas, ao invés de apagar, vou acrescentar as mudanças ou dúvidas em azul, até porque eu ainda não cheguei a um consenso sobre as coisas)  de manhã, estava a minha filha vendo um programa infantil com palhaços que eu considero insuportável. A música que os seres toscos estavam cantando era assim:

“?trabalhar, trabalhar ?trabalhar até cansar?”.

Eu ouvindo e pensando “que porra é essa?!” e me peguei perguntando pra ela – que me olhou de volta com seus olhões de cinco anos – “Gente! O que eles estão ensinando às crianças?!” A conotação da coisa toda era ruim: trabalhar até cansar, até se exaurir, se estourar todo e morrer :-D… Mas, vamos lá, o que importa é produzir (!!!) – Produção! Produção! >> E eis que eu volto para onde estava :-D. Não que o trabalho no blog seja comparável (de jeito nenhum: isso aqui é prazer 😀 mesmo :-D). É só que isso (dos palhaços nefastos) estava na minha cabeça e com o afã de produzir, eu me lembrei…

Bla… 😀

Continuando… 😀

Dei uma desaparecida também porque estava me sentindo uma hipócrita. Fiquei pensando: como falar de autoestima para os outros se eu mesma, que achava que tinha progredido tanto, estou aqui totalmente neurada e enlouquecida de novo” (já não sei mais se tanto assim… depois que vocês lerem, me digam)? Maaaaaas, como falar dos vacilos, escorregadas e retrocessos sempre fez parte do blog, resolvi dar uma suspendida na autocrítica e na autocobrança pela perfeição autoestímica que nunca houve nem haverá (afinal, todo mundo tem seus dias podres) e dividir minhas (muitas) limitações (é sempre construtivo, de qualquer forma).

Hoje (há três dias atrás e hoje também 😀 e todos os dias… :-D), estava eu correndo… Quando corro, sempre penso no blog… É engraçado isso – mas faz sentido. Essa história de correr marcou muito, né? Nos dias negros do semestre passado… E muitos posts começaram em/com corridas, ou falaram sobre, ou tiveram relação de alguma forma. Como eu sempre corro no mesmo lugar também, às vezes a corrida tem a sensação de volta no tempo. Tem esse pedaço específico dessa rua super arborizada em declive, onde, quando eu passo, eu consigo enxergar o caminho inteiro margeado pelo arco das árvores, e é como se ali eu conseguisse ter essa visão de várias imagens de mim no passado e é como se essas várias Kellys que não existem mais corressem comigo, e conversassem comigo, e colocassem minhas mudanças – e o que não mudou tanto – em perspectiva…

😀

Enfim…

Pois é, continuo correndo. Porque “nooooooossa, que delícia” (?delícia?delícia?assim você me mata? uahahahahaha) ??!?!!

Não.

N-ã-o  m-e-s-m-o.

Porque (uhuu) me preocupo com a minha saúde e quero não ter problemas cardíacos no futuro?

*Pfffffffffffffffffffffffffffffffffff*

Faz-me rir.

(Essa tenho que repetir:

****Pfffffffffffffffffffff****)

Tenho corrido por pura nóia, isso sim. Porque, no fundo da minha mente, paira a preocupação com me sentir atraente pelada (Alerta vermelho! Alerta vermelho! Tipo cena de filme norte americano, quando o submarino está prestes a ser bombardea- *boooooooom!!!*).

Cruel…

Nada pra colocar a gente de cara com as nossas questões do que relacionamento amoroso, gente (fato.). Nada pra pôr em teste *mesmo* a auto aceitação, do que ficar pelada na frente de alguém com quem você se importa e que você quer que te ache atraente. Principalmente no início, né? Porque depois a gente relaxa e passa a confiar mais na força do vínculo (:-D). Mas no começo… 😀 Esse é o momento em que eu deveria falar sobre o absurdo de tudo isso (será?), que a opinião do outro não importa (será? será viável isso?), que que se dane se o outro não te quiser – homem é que nem biscoito: se um não quer, tem mil e oito na fila, etc etc -, que a gente tem que se gostar, se curtir, se admirar e quem não concordar que vá andar que o mundo é grande (Ok, vai… Mas…) >> Mas, na prática… Uahahahahaha É difícil 😀 (E eu nem sei se as coisas são assim, tão preto no branco, e tão a ferro e fogo também…)  (risquei esse pedaço fora pra desconsiderá-lo considerando-o, e vocês vão entender o motivo quando lerem o outro post, onde eu falo sobre os meus conflitos e as dúvidas que me surgiram escrevendo esse aqui)

Bom, pelo menos eu consigo perceber os mecanismos operando, então não regredi taaaaanto assim. Mas, putz, que frustração: eu achando que estava tudo superado, que a Kelly-da-baixa-autoestima era passado – e sim, já mudei em muitos aspectos, mas caramba, ô coisinha impregnante.

Percebi que estava vibrando nas fossas abissais (ê! 😀 Exagero :-D) da autoestima em uma viagem que fiz recentemente, pra cidade natal da minha mãe, onde ainda vive minha família materna. Agora vejo que não tinha como ser diferente, porque estar lá foi como estar com a minha mãe de novo (autoestima no paredão de fuzilamento *trátrátrárátrátrátrá*). Ir pra lá foi como voltar no tempo e estar novamente na época em que me achava feia, totalmente inadequada e em constante luta com meu corpo (primeira frase da tia que não me via há quase dez anos: “Poxa Kelly, que bom que você está saudável”? “Poxa Kelly, que bom que você está bem?” Não. Ela diz: “Poxa Kelly, que bom que você não engordou mais”, pra vocês verem o nível da relação corpo/peso na família). Como a vida não dá mole (nem o psicológico: somatizei mesmo) eu tive um acesso de retenção de líquido e fiquei uns 4 kgs mais pesada de um dia pro outro.

**expressão que choque*

*A * MORTE * DA * PAZ * DA * PESSOA*

(só doidice) 

Pra completar, tem o namorado pra pôr mais lenha na fogueira, claro. Eu, que não consegui me abster de comer (por favor, né) todas as coisas maravilhosas e reconfortantes que só dá pra comer lá, comentei com ele, por telefone, que voltaria uma bola pra casa. Ao que ele responde:

A) “Eu só quero que você volte, amor”

B) “Eu te amo de qualquer jeito”

C) “Vai correr!!!!!!”

Adivinhem…

Uahahahahaha.

Opção “C”. Tipo: não volte bola, não. De jeito nenhum.

Ah, o amor… 😀

A sinceridade dói, é verdade, mas, como dizem Simone e Simaria, “é melhor viver embriagada do que enganada” (uahahahahahaha).

Eu, que já esperava por essa e que já estava meio surtada, fiquei mais doidaraça ainda e minha relação com o espelho foi se arrebentando toda, escada abaixo. Me enchi de chá verde (uma coisa horrorosa, em pó, com sabor naturalmente artificial de abacaxi *argh*) porque me disseram que era bom pra desinchar e, sinceramente, se ali tivessem me dito que comer cocô resolveria meu problema, eu teria comido (exagero, claro, mas eficiente pra passar a vibe da coisa toda).

Como na minha adolescência.

Como minha mãe fazia comigo.

Uma merda.

Mas o legal: eu estava consciente, vendo tudo acontecer. Não deu pra evitar o desastre, mas eu estava atenta ao processo. E o que eu fiz?

Adivinhem?

Fui correr.

Uahahahahahahahaha

Calor filho da puta, arriscando tomar mangada na cabeça (porque as ruas lá são cheias de mangueiras), querendo morrer >> fui correr.

Eu, descobrindo o que é ser um para-brisa de carro, com mil insetos entrando no meu olho, nariz, boca, e virando cadáveres grudados no meu suor (sem sacanagem. Nojento) >> fui correr.

Eu, querendo tudo, menos correr >> fui correr.

Eu, depois de ter comido e bebido o dia inteiro, parecendo uma cobra depois de engolir uma vaca >> fui correr (e passar muito mal depois porque… né? *uahahahahahaha*).

E, como a coisa toda tá na cabeça e, na real, não tem nada a ver com o peso, nem todos os quilômetros corridos do mundo adiantaram de alguma coisa. Psicológica e emocionalmente, eu digo. Porque, corporalmente, é claro que tiveram efeito. Mas de que adianta um efeito que você não consegue ver?

Cara, foi tudo tão louco, que nem me maquiar, na hora de voltar, eu consegui. Estava tão preocupada em chegar me sentindo minimamente bonita (ou preocupada que o namorado me achasse minimamente bonita) que na hora de passar o lápis de olho, fiquei parecendo um panda e, no esforço de limpar a cagada sem removedor de maquiagem (porque eu não tinha), com a delicadeza que me é característica (#sóquenão), fodi meu olho. Esfreguei a cara com tanta força que assei a pele do rosto (uahahahahahahahahahaha *g-zuis apaga a luz*). Eu olhava pro espelho, um ser ansioso de cara vermelha e maquiagem borrada me encarava de volta (que eu tinha vontade de esganar), e cada vez que eu tentava ajeitar, só deixava pior. Resultado? Passei a viagem de volta me melecando de Bepantol pra ver se conseguia amenizar a situação. E enchendo o saco da minha filha (coitada rsrsrsrs): “tá vermelho ainda?”, “tá vermelho?”, “melhorou?” 😀

Comédia…

Aí eu cheguei. A vermelhidão – que, a meus olhos, me transformava num tomatão desfigurado – nem rendeu comentários (então subentende-se (levando em consideração a franqueza do namorado :-D) que não estava tão acentuada assim) e a balança de casa me disse que eu voltei mais leve do que fui (!!) (rsrsrsrsrs).

Afff.

Desgastes, desgastes… Desgastes desnecessários. E tudo por uma preocupação com o que os outros vão achar da minha aparência, exacerbada por essa coisa mal resolvida que eu tenho pra resgatar com a minha mãe – que já até morreu.

(Hora de buscar a kid na escola. Continuo com as considerações depois :-D)

Pelo direito de doer – mas não morrer por isso

Categoria: Relacionamentos, Vida | 29 de maio de 2015

Uma das coisas mais estranhas quando alguém muito próximo da gente morre é o mundo continuar girando, as pessoas continuarem indo pro trabalho, as rotinas continuarem seguindo, os ônibus e carros continuarem passando… tudo, do lado de fora, continuar exatamente o mesmo: movimento, fluxo, barulho, vida. Você fica parado olhando aquilo tudo e pensa: “como assim??”

A pior coisa é acordar nas primeiras semanas. Existe um intervalo curto, muito curto, entre o acordar e o abrir do olho… É que o sono oblitera o que aconteceu; no sono você esquece… E por um momentinho ali, nesse intervalo, é como se nada tivesse acontecido. Mas aí você lembra. E é como se a pessoa morresse de novo.

Estou usando o exemplo da morte de alguém próximo como metáfora, porque sair de um casamento é bem isso. É uma morte: morte de sonho, morte de plano, de projeto de vida, de coisas nas quais você acreditava, de uma parte de você e do outro.

Mas é morte só de parte de você, e não de você inteira. E dói, claro, mas não há dor que não passe.

Nos arcanos maiores do Tarot, há duas cartas fortes de transformação: A Torre e A Morte:

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As imagens são bem emblemáticas, né?

Você olha e pensa: “eita, é o mundo se acabando” :-D, mas, por incrível que pareça, elas não são cartas com significados ruins. São cartas boas, que sinalizam mudanças pra melhor. Só que, às vezes, pra que certas coisas mudem, um raio tem que cair na sua cabeça uahahahaha 😀

*Tô brincando*

Vocês entendem onde eu quero chegar? 😀 Nem eu sei se estou conseguindo ser clara uahahaha (ontem saí pra afogar as mágoas com uma amiga que também está passando pela mesma situação, e agora estou aqui me perguntando por que (por que, deeeeeeus, por quê??) eu fui beber… 😀 ressaca da porra rsrs).

A história da cerveja me leva onde eu queria chegar.

Quando encontrei essa amiga ontem ela virou pra mim e disse: “como você está? Porque a impressão que eu tive quando você me contou por mensagem foi que você tava bem e feliz pra caralho”.

Não, não estou feliz pra caralho. Mas também não estou cortando os pulsos. E eu acho isso ótimo.

As pessoas esperam da gente um certo tipo de comportamento com relação a certas coisas (não estou falando da minha amiga não, tô falando no geral). Um exemplo: sua mãe morre. Daí, uns dias depois, você está no meio de uma conversa e dá uma risada com vontade. O povo logo te olha estranho, como quem diz: “Ué, tá rindo??? Tua mãe não morreu?!” É como se todo mundo quisesse te ver arrasado, dilacerado, sangrando, aos prantos, catatônico depois de grandes perdas. Mas não tem que ser assim. Não deve ser assim. Você sofre, claro, dói, é péssimo – eu tô aqui, sem conseguir dormir, com dor de coluna, mãos dormentes, tendo crise de ansiedade – mas você não morre. Você não perde a capacidade nem o direito de se sentir feliz, de se divertir, de jogar a cabeça pra trás e dar um gargalhadão bem dado, de ficar bem.

Eu, pelo menos, estou olhando pro que está acontecendo de forma positiva. A imagem geral da minha vida agora é como aquelas cartas ali em cima, mas eu estou muito certa da decisão que eu tomei. Eu tinha que me jogar da janela da torre, sacam? Só que eu não vou me estourar no chão: eu vou passar de fase (que nem aquele jogo de video game do James Bond que, pra passar de fase, a gente tinha que se jogar do precipício com o boneco). Tô fodida, sozinha e sem dinheiro – mas isso vai ser bom pra mim: vai me obrigar a me tornar independente, vai me forçar a aprender a me erguer sobre os meus próprios pés. E eu sou uma pessoa péssima e podre por me sentir empolgada com isso? Não. Eu sou uma pessoa péssima e podre por pensar que agora eu tô na pista e que eu vou super poder sair, me divertir e dar pra quem eu quiser? Não. Isso significa que eu não estou sofrendo? Não. Significa que eu estou sofrendo direito :-D.

Não sei porque tô com essa cena na cabeça – deve ser toda a metáfora de morte etc – uma lembrança, na verdade, de quando minha mãe morreu. Ela foi cremada e eu e o ex fomos buscar as cinzas. Depois fomos até a praia – o lugar no Rio que minha mãe mais gostava – para eu jogar as cinzas dela no mar. Fiquei o caminho todo olhando pro pote plástico no meu colo – pra ser um pote de sorvete só faltava o símbolo da Kibon na tampa. Sério. Quando abri, fiquei olhando aquela areia granulenta e cinza e pensando “putz, isso é minha mãe?” … Daí estou lá, no mar até os joelhos, eu, nessa situação, vendo minha mãe literalmente me escapar por entre os dedos e sumir no vento, quando o ex começa a brigar comigo da areia. Dizendo, irritado, que eu estava fazendo aquilo errado. Gritando que eu tinha que jogar as cinzas a favor do vento e não contra.

(*riso um pouco amargo, confesso, e curto, pelo nariz*)

(merecia um #ProntoFalei essa né? uahahahahahaha que péssimo… :-D)

Lembram da história das três saídas? Mudar, aceitar ou pular fora?

Mudar, não muda. Aceitar eu tentei, mas não deu. Logo, o que resta?

Pois é.

É claro que todo relacionamento tem cagada. Aliás, relacionamento amoroso – casamento então – é pós graduação na arte de aprender a ferir quem a gente gosta. A questão é até que ponto vale à pena e até que ponto a gente pode ou está disposto a se deixar machucar.

 

 

 

 

Pelo direito de… fim (e de um post longo :-D)

Categoria: Relacionamentos, Vida | 25 de maio de 2015

Estava relendo alguns posts passados aqui do blog e esbarrei nessa frase minha sobre o  A Teoria de Tudo – (spoiler!! spoiler!!) (link para o post, aqui).

Lá eu digo que, ao contrário do que faz parecer a divulgação do filme, que ele “não é essa história de amor épica e romântica e transcendente que eles estão dando a entender […]; mas antes, uma história de amor real e que acaba (!)”.

🙂

Só nessa frasesinha já dá pra enxergar toda a construção e ilusão de uma vida inteira 😀 .

Vamos lá. Nesse trecho eu coloco em oposição histórias de amor “épicas, românticas e transcendentes” e aquelas que “são reais e acabam”. Ou seja, não existem histórias do primeiro tipo que *acabam* – e, pelo menos, era isso que eu estava pensando quando escrevi. Mas também tem aí uma noção implícita que me escapou completamente enquanto eu escrevia e que agora eu vejo claramente: que não existem histórias desse tipo na esfera do real.

😀

A primeira posição é uma visão muito Disney da vida 😀 – e eu acho que eu estou longe de ser a única mulher no mundo criada com ela – e a segunda é um sintoma do que estava rolando na minha vida do lado de cá da tela – e já, já eu chego lá. Dá pra perceber, nessas duas frases que eu grifei em itálico ali em cima, o meu percurso real como pessoa fora da virtualidade: da ilusão total (histórias de amor verdadeiro são como filmes da Disney) para a desilusão total (amor verdadeiro é historinha).

😀

E assim eu chego no ponto que eu quero e que eu enxergo agora – uma visão muito mais acertada, a meu ver -: histórias de amor acabam, mas isso não faz delas nem menos românticas, nem menos épicas, nem menos transcendentes.

Eu já falei sobre isso algumas vezes por aqui – sobre a finitude do amor. O que eu vejo agora é só que essa finitude não o desqualifica e nem o destitui de magia, entendem?

Eu fui criada para acreditar que o *amor verdadeiro* – mágico, maravilhoso, indestrutível – era para sempre. E se não fosse assim, não era verdadeiro. Eu fui criada para acreditar que eu devia esperar por ele, e que quando o encontrasse, pronto, tudo estaria certo. Aí eu fui vivendo, fui vendo como são as coisas na prática e comecei a perceber tudo isso como uma grande ilusão – uma grande ilusão coletiva que condenou à frustração muitas e muitas pessoas 😀 (eu inclusive 😀 ) – e que não existia isso. Que *amor verdadeiro* não era vida real.

Eu disse aqui muitas vezes de “amores da vida” de/em “momentos da vida”, e é assim mesmo. Mas todas as vezes que eu disse isso, havia implícito um certo desencantamento, como se esse amor de momentos fosse sempre menos e menos encantador do que aquele do pra sempre. Fins sempre me causaram uma reação dolorida do tipo “nãããããããão!!!”. Quando amigos – casais lindos – se separavam, eu sempre pensava: “como assim?!?!”. Quando filmes big românticos terminavam em fim, isso me revoltava. E aquele final do Soneto de Fidelidade do Vinícius de Moraes sempre me arrasou o coração:

“E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.”

(Aliás, na minha adolescência, eu lembro de pensar que o Vinícius era um galinha babaca por causa do penúltimo verso uahahaha)

Mas agora eu enxergo diferente. Agora eu enxergo com olhos mais maduros. Mas só enxergo também porque o meu pra sempre acabou…

Quem me acompanha sabe que eu “juntei meus paninhos” com o meu primeiro (e único) namorado, e que nós passamos os últimos dez anos juntos.

E agora acabou.

E ver que acabou – aceitar que acabou – foi um processo longo e doloroso, não só por eu  ter que abrir mão do meu relacionamento (e toda estabilidade e segurança que vêm no pacote) mas também por ter que abrir mão de uma parte muito grande de mim mesma – e, gente… como dói…

E o que tudo isso tem a ver com autoestima?

Tudo.

Eu não tenho nada. Não tenho pra onde ir. Não tenho dinheiro. Não tenho reserva nenhuma, margem nenhuma de contorno, nem nenhum plano B. Terminar, além de só e machucada, me deixa literal e profundamente fodida em termos gerais de vida. Mas é o que eu tinha que fazer.

Por mim.

Por amor a mim.

Pra que eu possa ser o tipo de mulher que eu quero que a minha filha tenha como exemplo.

Hoje eu olho pra trás e posso ver como e onde o processo começou. O fim da minha história não foi impetuoso e enfático como um bater de porta, mas lento, gradual e sofrido como uma partida de navio: você fica ali parado no porto olhando, e o navio vai indo… vai indo… vai se afastando devagarzinho… vai indo embora… E você acena, e acena, acena até o braço doer… até o braço ficar dormente… até não ter mais nada pra olhar além de horizonte. Até que, lá pelas tantas, alguém chega, te cutuca no ombro e diz: “vai embora. Não tem mais nada pra ver aqui”.

No meu caso, essa cutucadinha de chamada de realidade não veio na forma de uma pessoa, mas de vários processos. O blog é um deles – eu precisava me fortalecer pra ver, precisava estar inteira pra pular fora. É curioso que eu tenha começado o blog justamente quando as coisas estavam mais escuras: ali, logo após o acontecimento que deu partida nos motores do navio, digamos assim. Esse, claro, foi feio, foi sério, foi como a morte de algo dentro de mim – e como toda morte, exigiu um trabalho de elaboração de luto para que eu pudesse fazer as pazes com a perda.

Pra mim, esse trabalho foi o blog.

A minha antiga terapeuta usava uma metáfora pra falar das mágoas que a gente carrega: ela dizia que cada um de nós leva uma mochila nas costas recheada de passado e coisas ruins. E que o tempo vai passando e a gente vai enchendo, enchendo a mochila de mágoa, até que o peso é tão grande que a gente não consegue andar pra frente.

Esse blog foi a maneira que eu encontrei de esvaziar a minha mochila – acho até que de me livrar dela mesmo, de largá-la no chão. Pra seguir em frente.

Um pouco antes de eu terminar, eu estava na estação de metrô e precisei correr pra alcançar a porta do vagão. Mas eu não estou falando de uma corridinha tímida, social. Eu **corri**: joelhos pra cima, bem altos, pernas bem afastadas, vestido estalando atrás de mim, cabelo… – bom, o cabelo ficou onde estava mesmo uahahaha mas se ele fosse liso e flutuante, teria chicoteado e ondulado no vento :-D. *Corri* como não me lembrava de ter corrido há muito, muito tempo. E correndo me senti desprovida de peso, sem mochila… livre…

E ali eu soube que tudo ficaria bem.

Minha história com o meu primeiro (mas que não será único) namorado acabou – acabou romanticamente, porque nós temos uma filha e estamos unidos por isso pro resto das nossas vidas – e tudo bem… Isso não desqualifica a nossa história. Não tira a magia de certos momentos. É claro que teve coisa feia, mas todos nós somos um lado sombra… E nada disso tira o encanto. Só torna a história real… E tudo bem. Ela ainda é épica e transcendente, e eu vou levá-la comigo… pra sempre.

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<fonte da imagem: We ♥ it!>