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Comunicação não-violenta… SQN

Categoria: Relacionamentos, Vida | 24 de fevereiro de 2017

Eis a situação:

Eu, puta dentro das calças.

Imaginem assim, uma pessoa total e verdadeiramente puta.da.vida.

Eu.

Vejam, eu tinha acordado bem. Humor cintilante como o sol.

Tá, péra. Como o sooool talvez não.

Era, assim, um bebê “cintilância”, que estava começando a germinar depois de um período de tensões e brigas.

Aí, vem a pessoa e, ao invés de “bom dia”, é reclamação.

“Bom dia, Namorado!!!” (Leia-se: “Pô, sério que você tá começando o dia assim?”)

Eu ainda estava com uma disposição de tentar ser iluminada.

“Ainda”, no sentido de: “É… não durou”.

Mas, ok. Não vamos nos adiantar.

Eu estava lá, na tentativa.

Sentamos pra tomar café e…. toma-lhe mais reclamação, seguida do par reclamação/cobrança.

Não houve respiração profunda que desse jeito.

O tempo fechou e a “cintilância” virou irritação.

Mas latente.

Aquela coisa quieta (mortal),  que vai inflamando dentro da gente. Cada nova chaticezinha era como uma pelota de álcool gel tacada no foguinho da frustração.

No fim do café da manhã, vocês imaginem.

Eu.

Naquele estado.

Já soltando faísca.

Mas calaada.

Na minha.

Aí, vem a pessoa, tentando dar uma de Marshall Rosenberg, o que seria muito legal, não fosse pelo fato de que aquela tentativa escondia – sorrateira mas inconfundivelmente – uma exigência/cobrança de que eu tentasse também.

Cara…

Pelo menos pra mim, não tem nada menos desestimulante e definitivamente aniquilador (extermínio grau milésima potência) de comunicação não-violenta do que ser **cobrada** de me comunicar não-violentamente.

Isso foi, assim, vááárias pelotas no meu foguinho, mas ok, eu estava tentando tentar.

Mas vocês já tentaram? Gente, é difícil. É difícil daquele jeito quando a gente puxa os dedos – das duas mãos (!!) – pelo rosto abaixo derretendo a face, sabem? Você fica ali, pensando, pensando, caçando palavras e formas de se expressar, aí vem alguma coisa na sua cabeça só pra você perceber que aquilo é violento igual, e você fica vivendo isso de novo e de novo, procurando jeitos de falar, enquanto, ao mesmo tempo, você fica ali, lutando contra esse desejo cada vez mais ardente de mandar a pessoa ir à merda – porque sim, isso sim, definitivamente, seria violento. Só que quanto mais você está ali, tentando encontrar uma forma bacana – gentil – de falar, mais forte esse desejo fica e um “VAI À MERDAAA”, daqueles de encher as bochechas, tá assim, na ponta dos dentes, quase escapando…

E, ali, naquela hora, eu sentia uma frustração do cacete – pra somar com o quadro de “frustrância” geral da porra da manhã – e eu via – sentia, no corpo, em ondas que saíam de mim – a minha impaciência crescendo.

*Respira*Respira*

Aí eu falei. A coisa mais razoável que eu consegui.

E a pessoa:

“Isso não foi muito não-violento.”

*Inspiração loooonga*

Aí, meu irmão, não era mais álcool gel porra nenhuma. Era tanque de gasolina.

E eu? Calaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaafica calada, Kelly, fica calada, fica calada…

“Eu faço o maior esforço e o que eu ganho? Silêncio. Boa.” *sarcasmo estalando*

aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa

“Ótimo. Mais um dia estragado…” (subtexto: por você)

aaaaada

“Kelly, vamos conversar.”

“CONVERSAR É O CARALHO.”

Pronto. Ladeira abaixo.

Uahahahahahahahahaha

 

 

 

 

 

 

Pelo direito às inseguranças

Categoria: Relacionamentos | 11 de maio de 2016

Minha bulldog teve filhotes e minha vida, por dias e dias e mais dias foi um caos de cansaço e fofura, de cocôs, xixis e mamadeiras,  de nebulizações, remédios, vitaminas e do trabalho ininterrupto e sem fim que dão oito bebês-cachorro – ainda está um pouco assim, mas um tiquinho melhor porque eles estão maiorezinhos. Por isso, acabou rolando uma certa alteração de prioridades aqui em casa e, minhas horas disponíveis pra exercício físico foram pro espaço. É claro que, se eu quisesse realmente, se ainda estivesse naquela fase de determinação ferrenha com isso, daria pra espremer umas corridas entre uma mamada e outra, mas putz: sem saco, sem pique, sem energia, enfim, sem vontade.

(Lembram da relação esquisita que eu estava tendo com isso de correr? De ficar noiada me sentindo podre se fosse 3 vezes na semana ao invés de cinco? Pois é…)

Como o meu corpo demora pra cacete para responder a exercício, mas responde rápido que é uma beleza à falta dele, logo, logo, num piscar de olhos filhotescos, minhas coxas firmes ficaram moles como pudim, minhas celulites, velhas amigas, voltaram a dar o implacável ar de sua presença (FALAÊ, Kellyyyyyyyyy!!! Uhuuuuuuuu), meus pneuzitos abdominais voltaram a crescer e eu, claro, complexada incubada mor, comecei a ficar cada vez mais incomodada comigo mesma.

Nessa (os que me leem, a essa altura, já devem estar bem familiarizados com a dinâmica), entra a vida (essa fofa), que a-do-ra esfregar as minhas questões na minha cara, pra fazer exatamente isso e me dar umas sacudidas.

(Cagada a caminho)

Daí, outro dia, estava eu sentada na mesa de café da manhã.

Namorado sentado no sofá.

Eu estava usando meu modelito camisona larga. Mau sinal, e já digo o motivo:

Na noite anterior, eu havia me sentido um pouco desconfortável de perceber o olhar dele (que **eu** interpretei como crítico) nos meus pneus barrigais a descoberto, durante a mamada da madrugada (cara, oito bocas pra alimentar no meio da noite, com sono quebrado de três em três horas, zumbi total = sem o menor espaço pra pensar em sentar com as costas retas e coisas do gênero: vai aquela postura peito no umbigo mesmo, e cabelo loucaraço, enquanto se tenta cochilar e ao mesmo tempo segurar a Pelanca (minha cachorra) deitada pra ela não fugir de amamentar e ajudar os bebezinhos a encontrarem as tetas perdidas) (*alerta vermelho*).

De xícara na mão, eu observava descontente as minhas coxas em metamorfose.

“Ai que droga”, eu disse. “É só eu parar de correr e minha coxa já fica toda mole…”

E ele (naquele tom tipo: para-de-reclamar-e faz-alguma-coisa):

“Faz step. Musculação. Tem tudo aí.”

Pausa.

Gente

Eu revivi aquela história do “vai correr” (aqui) e fiquei arrasada.

A-R-R-A-S-A-D-A.

Relendo o diálogo que eu acabei de escrever, eu fico pensando: “Aff, Kelly, que besteira”, mas na hora não foi besteira, não.

Na hora foi sério.

E ficou beeeeeeeeeem pior.

Pensem comigo (e isso tudo é insight que veio bem depois, viu? Porque na hora nem eu entendi o motivo de eu estar me sentindo tão mal): é claro que eu, de volta ao ciclo de doidice da minha insatisfação corpórea, estava me sentindo *super* insegura. Quando eu reclamei da minha coxa, o que eu estava fazendo na verdade era expressar, ainda que disfarçadamente, essa insegurança. Não era uma mera reclamação vazia. Era eu, me colocando em uma posição de vulnerabilidade, e querendo uma forcinha, um colo, um acolhimento. Ou seja, o que eu estava buscando quando eu verbalizei meu aborrecimento coxal era reafirmação, *conforto*, algo que dissipasse o meu desconforto.

Mas (claro) não foi isso que eu recebi em troca.

Vocês lembram daquela história em que eu falei pro ex que eu não gostava tanto assim de mim e ele respondeu: “Então se mata”?

Sejamos francos, em ambos os casos – tanto no exemplo do ex, quanto no do atual – eles poderiam ter ganhado o Troféu Joinha da Sensibilidade. Só que, verdade seja dita, eu também não soube pedir o que queria.

Eu nem sabia o que eu queria.

O que diminui consideravelmente a probabilidade de eu conseguir o que precisava.

Sendo assim, eu recebi a resposta de Namorado (que, sim, não foi legal e foi bem ao estilo “vai correeeeeeer!!”) como um balde de água fria interno, um soco no estômago.

Cara, eu fiquei tão chateada que tive que me levantar e ir chorar no banheiro.

Quando voltei pra sala, *óbvio* que ele percebeu que tinha alguma coisa errada. Depois de muita insistência dele (porque eu não queria falar sobre aquilo de jeito nenhum), eu acabei dizendo que não queria ter que me sentir desconfortável ou me preocupar ao ficar sentada, sem blusa, perto dele. Que eu não queria sentir o olhar crítico dele nas minhas dobrinhas, porque eu tinha dobrinhas, e minha vida já estava complicada demais pra eu ter mais esse estresse, ou ter que ter mais essa preocupação – a de me manter fit. Falei da história do “vai correr”, de como eu me senti (como se ele gostar ou não de mim dependesse da minha forma física). Eu disse que, quando ele falava essas coisas, a mim parecia que ele estava dizendo que, se meu corpo mudasse, o interesse/sentimento dele por mim também mudaria.

Aí, galera…

Aí, a coisa ficou feia.

Eu, que já estava fragilizada, ouvi ele responder que não tinha como me garantir que continuaria interessado em mim se eu engordasse (!!!!!!!!!!!!!!), o que eu recebi como um absurdo gi-gan-tes-co, e fiquei *real* e *verdadeiramente* puta.

“O quê?” Ele disse. “Você prefere que eu minta? Que eu te engane? Eu não tenho como saber o que vai acontecer se você engordar muito. Ninguém tem como antecipar essas coisas. Você quer que eu te faça promessas vazias de que aconteça o que acontecer meu interesse em você vai continuar o mesmo? Eu não tenho como fazer isso. Seria mentira.”

(E eis o momento em que você se questiona sobre o grau de honestidade que você deseja das pessoas)

Caralho.

Claro, a discussão foi embora ladeira abaixo como bola de neve. Eu me fechei e me armei como sempre acontece quando algo me machuca de verdade, e eu simplesmente *não*conseguia*acreditar* no que eu estava ouvindo. A gente falou muita coisa um pro outro, mas o âmago da questão era o seguinte: a minha decepção por descobri-lo essa pessoa que atribui um peso tão grande à estética e cujo sentimento é dependente e indissociável da aparência. Quer dizer, o âmago da discussão era esse, porque lá estava eu dizendo que ele estava se mostrando ser assim, e ele dizendo que não era, que não estava, que não, que não. Até que a coisa toda explodiu com ele dizendo que, se ele se importasse tanto assim com aparência, não estaria comigo.

*Silêncio longo*

Depois dessa, claro, a conversa acabou.

E por muito, muito pouco, outras coisas não acabam também.

Agora vamos lá pra moral da história que nem desenho do He-man (porque, vamo lá, é preciso acreditar que quando super cagadas assim acontecem, algum aprendizado a gente tem pra tirar delas. Ao menos isso…):

O que eu aprendi?

  1. Que coisas pequenas viram coisas  gigamastodonticósmicas quando a gente não está bem.
  2. Cutucão dado só dói de verdade quando dado em ferida aberta. E se o negócio não só está aberto, como inflamado… Aí é salve-se quem puder.
  3. Esperar que alguém adivinhe o que você precisa – quando nem você sabe direito – só dá em merda. A gente precisa saber o que quer/precisa. E precisa dizer claramente. E pedir.
  4. Apesar do 1, do 2 e do 3, tudo bem se sentir inseguro.
  5. E independente do 2, o fato de ter ferida aberta *não* justifica o cutucão. Ou seja, doendo ou não, ninguém tem que aceitar “ser cutucado”.

Tá meio confuso? Vou tentar elaborar melhor.

Outro dia eu estava vendo um desenho com a minha filha e um dos personagens disse o seguinte: “Embora seja muito bom acreditar em si mesmo, uma ajudinha dos outros pode ser uma grande benção” (Personagem Ihro em: Avatar: a lenda de Aang, livro 2, episódio 15).

Já disse isso muitas vezes: eu sou uma pessoa implacável comigo mesma. E isso também se manisfesta no fato de que, quando eu me aborreço ou me frustro no meu lidar com os outros, ao invés de eu ficar chateada ou em conflito com os outros, eu fico é comigo mesma (!). Porque eu entro numa de achar que eu **tenho que saber lidar**.

Nessa situação aí com o Namorado, por exemplo: eu (de forma totalmente equivocada) entro nessa de ficar refletindo sobre o diálogo e pensando que é tudo uma besteira, e que eu não deveria me aborrecer por besteira. Que eu deveria ser esse poço de confiança e autossuficiência pra não me abater com isso. Eu acho que eu deveria ser – e me cobro ser – essa pessoa super bem resolvida com tudo, sem dias ruins, sem pirações, sem escorregadas, sem fraquezas: um poço de paz interior e amor próprio imperturbáveis, essa super mulher, super suficiente em si mesma, que nunca teria tido esse momento de insegurança por conta de uma coxa mais flácida.

Bom, isso é impossível.

Pelo menos pra mim. Agora. Porque eu não sou essa pessoa.

Mas, o mais importante: ainda que fosse possível, eu não tenho que saber lidar. O fato é que eu nem deveria ter que lidar com isso, porque o que eu mereço é empatia, respeito, consideração, e não o oposto.

Tá, claro, como eu mesma não sou capaz de me dar colo (empatia, respeito, consideração), eu sou igualmente incapaz de pedir colo aos outros. Como a vida é espelho, as pessoas ao meu redor refletem para mim a mesma implacabilidade com a qual eu lido comigo mesma. Ok. Mas essas são apenas considerações acerca de mecanismos, coisas pra eu estar atenta e tentar mudar, pra parar de atrair isso pra mim. Beleza. Mas isso não anula a escrotidão alheia. Não tira a responsabilidade do outro no caos. E isso não significa, de jeito nenhum, que eu tenha que aceitar esse tipo de coisa.

Depois do fim apocalíptico da conversa, eu e Namorado passamos um tempo sem nos falarmos. Quando voltamos a conversar novamente foi comigo proferindo as seguintes palavras:

“Eu acho que não dá mais pra gente continuar junto”.

E eu as considero uma vitória.

Porque apesar de toda a minha piração corpórea, eu ainda estou inteira o bastante para estar disposta a abrir mão de algo que eu quero muito para me preservar. Para o meu próprio bem. Para não me ver, novamente, agarrada a uma relação que me faz mal.

E isso é bom. Isso faz uma grande diferença.

Acabou que nós conseguimos nos entender e eu consegui dizer que sim, eu tenho questões. Que óbvio que a coisa toda me afetou desse jeito porque eu já não estava bem. Seria legal resolvê-las? Seria lindo. Mas isso não significa que eu já deveria estar com tudo pronto e resolvido de cara. E isso não significa que quem está comigo não possa/deva me dar um ombro, um colo, uma forcinha.

 

Expectativa X Realidade

Categoria: Mundo, Relacionamentos, Vida | 15 de março de 2016

Já falei aqui muitas vezes sobre as representações sociais de amor, de romantismo, de alma gêmea, e todas essas coisas que criam raiz (tronco, galhos, folhas, frutos… a porra toda) dentro das mulheres (não posso dizer que *apenas* nelas, mas principalmente, né? Vamos combinar) e que quebram em cacos doídos quando confrontadas com a belezinha fofa que é a realidade dos relacionamentos. Mesmo já tendo falado, e refletido sobre, muitas e muitas vezes, ainda não consegui me libertar totalmente delas e, vira e mexe, tomo uma bordoada na lata pra ficar esperta (figurativamente, hein gente? Literalmente, nunca mais rsrsrsrs). Hoje passei por mais uma dessas.

*Riso sarcástico, porém resignado*

Mais uma vez, fui lá eu para a minha corrida básica (eu sei, eu sei, isso de correr tá ficando chato rsrs), só que hoje, namorado foi comigo. Logo no início, nos perdemos no circuito porque, como eu já estou nessa há mais tempo, meu ritmo é outro. Pois bem. Completei lá as minhas voltas todas e depois voltei andando na contra-mão pra cruzar com ele. Aí me deparei com essa cena de filme: eu numa ponta do quarteirão, ele na outra, ao longe, os dois andando um na direção do outro.

(rsrsrsrsrs)

(Já conseguem adivinhar o que vem?)

Fui – lógico – assolada por visões incontáveis de cenas de filmes e livros, nas quais casais apaixonados correm um para o outro, para se lançar, felizes e extasiados – claro – nos braços um do outro.

Visualizaram?

Normalmente o cara ainda dá aquela giradinha com a mulher, só pra contrabalançar a inércia – leis da física, sabem como é – e não se estatelar no chão. Mas enfim, quem se importa, não é mesmo? É tudo lindo, poético e sempre salpicado de risos altos e beijos longos. Puro êxtase.

(rsrsrsrs)

Ahan.

Aí, lá estou eu, andando na calçada, pensando nessas coisas. Meus lábios vão se espalhando em um riso largo e frouxo no meu rosto, enquanto uma ideia toma corpo – pra, não demora muito, tomar o meu corpo – dentro de mim. Eu tenho um segundinho de dúvida (sabedoria… rsrs… que eu nunca escuto… ) que a minha empolgação logo sufoca e, num instante, lá estou eu em disparada, correndo na direção dele. Quando chego perto, flexiono os joelhos no momento perfeito, dou impulso com os pés que me tiram do chão num arco lindo de romântico,  e me jogo com tudo – braços, coração e sorriso abertos – nos braços do namorado…

… que só não desvia, porque…

Ahmmm…

Seria…

Bem…

Seria **ESCROTO**.

Quer dizer, ele não desvia *totalmente*, porque, verdade seja dita, ele deu uma chegadinha pro lado.

(rsrsrs)

Nada de giro, nem de risos, nem de beijos. Todo esse frufru lindo continuou aprisionado no reino da ficção e da minha expectativa. A realidade é que ele me recebe com um **UGH** meio abafado (mas nada disfarçado) e diz:

“Não faz isso, não. Você pesa muito. Minha coluna não aguenta”.

(UAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA)

Baldããããããão de água fria (sério, Kelly? (:-D)) e eu só consigo pensar (enquanto tento lidar com a minha frustração e, vou ser bem sincera, não chorar) que as desgraçadas malditas miiiiii-se-ráááááááá-veis das histórias não nos preparam pra isso…

“A vida não é uma história, Kelly”, eu repito, de novo, de novo e de novo (e de novo).

Como tudo tem seu lado positivo, pelo menos um bom sinal: se, há uns anos atrás, alguém me dissesse que eu peso muito, noooooossa, eu ficaria *pra morrer*. Sério. Ficaria péssima, mal, me sentindo podre. Hoje, eu nem me liguei nisso: só conseguia pensar nas comédias românticas, nos livros, nas histórias, nas novelas, nas cenas fervilhando dentro da minha cabeça antes de eu sair correndo, e tentar encaixar um desfecho que, ao invés de barulhos molhados de sucção, acabasse com:

“Não faz isso. Não pode, não. Com os seus duzentos mil quilos, você ferra a minha coluna, cara”.

Puta que pariu…

rsrsrsrsrs

Romancezinhos malditos.