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Pelo direito às inseguranças

Categoria: Relacionamentos | 11 de maio de 2016

Minha bulldog teve filhotes e minha vida, por dias e dias e mais dias foi um caos de cansaço e fofura, de cocôs, xixis e mamadeiras,  de nebulizações, remédios, vitaminas e do trabalho ininterrupto e sem fim que dão oito bebês-cachorro – ainda está um pouco assim, mas um tiquinho melhor porque eles estão maiorezinhos. Por isso, acabou rolando uma certa alteração de prioridades aqui em casa e, minhas horas disponíveis pra exercício físico foram pro espaço. É claro que, se eu quisesse realmente, se ainda estivesse naquela fase de determinação ferrenha com isso, daria pra espremer umas corridas entre uma mamada e outra, mas putz: sem saco, sem pique, sem energia, enfim, sem vontade.

(Lembram da relação esquisita que eu estava tendo com isso de correr? De ficar noiada me sentindo podre se fosse 3 vezes na semana ao invés de cinco? Pois é…)

Como o meu corpo demora pra cacete para responder a exercício, mas responde rápido que é uma beleza à falta dele, logo, logo, num piscar de olhos filhotescos, minhas coxas firmes ficaram moles como pudim, minhas celulites, velhas amigas, voltaram a dar o implacável ar de sua presença (FALAÊ, Kellyyyyyyyyy!!! Uhuuuuuuuu), meus pneuzitos abdominais voltaram a crescer e eu, claro, complexada incubada mor, comecei a ficar cada vez mais incomodada comigo mesma.

Nessa (os que me leem, a essa altura, já devem estar bem familiarizados com a dinâmica), entra a vida (essa fofa), que a-do-ra esfregar as minhas questões na minha cara, pra fazer exatamente isso e me dar umas sacudidas.

(Cagada a caminho)

Daí, outro dia, estava eu sentada na mesa de café da manhã.

Namorado sentado no sofá.

Eu estava usando meu modelito camisona larga. Mau sinal, e já digo o motivo:

Na noite anterior, eu havia me sentido um pouco desconfortável de perceber o olhar dele (que **eu** interpretei como crítico) nos meus pneus barrigais a descoberto, durante a mamada da madrugada (cara, oito bocas pra alimentar no meio da noite, com sono quebrado de três em três horas, zumbi total = sem o menor espaço pra pensar em sentar com as costas retas e coisas do gênero: vai aquela postura peito no umbigo mesmo, e cabelo loucaraço, enquanto se tenta cochilar e ao mesmo tempo segurar a Pelanca (minha cachorra) deitada pra ela não fugir de amamentar e ajudar os bebezinhos a encontrarem as tetas perdidas) (*alerta vermelho*).

De xícara na mão, eu observava descontente as minhas coxas em metamorfose.

“Ai que droga”, eu disse. “É só eu parar de correr e minha coxa já fica toda mole…”

E ele (naquele tom tipo: para-de-reclamar-e faz-alguma-coisa):

“Faz step. Musculação. Tem tudo aí.”

Pausa.

Gente

Eu revivi aquela história do “vai correr” (aqui) e fiquei arrasada.

A-R-R-A-S-A-D-A.

Relendo o diálogo que eu acabei de escrever, eu fico pensando: “Aff, Kelly, que besteira”, mas na hora não foi besteira, não.

Na hora foi sério.

E ficou beeeeeeeeeem pior.

Pensem comigo (e isso tudo é insight que veio bem depois, viu? Porque na hora nem eu entendi o motivo de eu estar me sentindo tão mal): é claro que eu, de volta ao ciclo de doidice da minha insatisfação corpórea, estava me sentindo *super* insegura. Quando eu reclamei da minha coxa, o que eu estava fazendo na verdade era expressar, ainda que disfarçadamente, essa insegurança. Não era uma mera reclamação vazia. Era eu, me colocando em uma posição de vulnerabilidade, e querendo uma forcinha, um colo, um acolhimento. Ou seja, o que eu estava buscando quando eu verbalizei meu aborrecimento coxal era reafirmação, *conforto*, algo que dissipasse o meu desconforto.

Mas (claro) não foi isso que eu recebi em troca.

Vocês lembram daquela história em que eu falei pro ex que eu não gostava tanto assim de mim e ele respondeu: “Então se mata”?

Sejamos francos, em ambos os casos – tanto no exemplo do ex, quanto no do atual – eles poderiam ter ganhado o Troféu Joinha da Sensibilidade. Só que, verdade seja dita, eu também não soube pedir o que queria.

Eu nem sabia o que eu queria.

O que diminui consideravelmente a probabilidade de eu conseguir o que precisava.

Sendo assim, eu recebi a resposta de Namorado (que, sim, não foi legal e foi bem ao estilo “vai correeeeeeer!!”) como um balde de água fria interno, um soco no estômago.

Cara, eu fiquei tão chateada que tive que me levantar e ir chorar no banheiro.

Quando voltei pra sala, *óbvio* que ele percebeu que tinha alguma coisa errada. Depois de muita insistência dele (porque eu não queria falar sobre aquilo de jeito nenhum), eu acabei dizendo que não queria ter que me sentir desconfortável ou me preocupar ao ficar sentada, sem blusa, perto dele. Que eu não queria sentir o olhar crítico dele nas minhas dobrinhas, porque eu tinha dobrinhas, e minha vida já estava complicada demais pra eu ter mais esse estresse, ou ter que ter mais essa preocupação – a de me manter fit. Falei da história do “vai correr”, de como eu me senti (como se ele gostar ou não de mim dependesse da minha forma física). Eu disse que, quando ele falava essas coisas, a mim parecia que ele estava dizendo que, se meu corpo mudasse, o interesse/sentimento dele por mim também mudaria.

Aí, galera…

Aí, a coisa ficou feia.

Eu, que já estava fragilizada, ouvi ele responder que não tinha como me garantir que continuaria interessado em mim se eu engordasse (!!!!!!!!!!!!!!), o que eu recebi como um absurdo gi-gan-tes-co, e fiquei *real* e *verdadeiramente* puta.

“O quê?” Ele disse. “Você prefere que eu minta? Que eu te engane? Eu não tenho como saber o que vai acontecer se você engordar muito. Ninguém tem como antecipar essas coisas. Você quer que eu te faça promessas vazias de que aconteça o que acontecer meu interesse em você vai continuar o mesmo? Eu não tenho como fazer isso. Seria mentira.”

(E eis o momento em que você se questiona sobre o grau de honestidade que você deseja das pessoas)

Caralho.

Claro, a discussão foi embora ladeira abaixo como bola de neve. Eu me fechei e me armei como sempre acontece quando algo me machuca de verdade, e eu simplesmente *não*conseguia*acreditar* no que eu estava ouvindo. A gente falou muita coisa um pro outro, mas o âmago da questão era o seguinte: a minha decepção por descobri-lo essa pessoa que atribui um peso tão grande à estética e cujo sentimento é dependente e indissociável da aparência. Quer dizer, o âmago da discussão era esse, porque lá estava eu dizendo que ele estava se mostrando ser assim, e ele dizendo que não era, que não estava, que não, que não. Até que a coisa toda explodiu com ele dizendo que, se ele se importasse tanto assim com aparência, não estaria comigo.

*Silêncio longo*

Depois dessa, claro, a conversa acabou.

E por muito, muito pouco, outras coisas não acabam também.

Agora vamos lá pra moral da história que nem desenho do He-man (porque, vamo lá, é preciso acreditar que quando super cagadas assim acontecem, algum aprendizado a gente tem pra tirar delas. Ao menos isso…):

O que eu aprendi?

  1. Que coisas pequenas viram coisas  gigamastodonticósmicas quando a gente não está bem.
  2. Cutucão dado só dói de verdade quando dado em ferida aberta. E se o negócio não só está aberto, como inflamado… Aí é salve-se quem puder.
  3. Esperar que alguém adivinhe o que você precisa – quando nem você sabe direito – só dá em merda. A gente precisa saber o que quer/precisa. E precisa dizer claramente. E pedir.
  4. Apesar do 1, do 2 e do 3, tudo bem se sentir inseguro.
  5. E independente do 2, o fato de ter ferida aberta *não* justifica o cutucão. Ou seja, doendo ou não, ninguém tem que aceitar “ser cutucado”.

Tá meio confuso? Vou tentar elaborar melhor.

Outro dia eu estava vendo um desenho com a minha filha e um dos personagens disse o seguinte: “Embora seja muito bom acreditar em si mesmo, uma ajudinha dos outros pode ser uma grande benção” (Personagem Ihro em: Avatar: a lenda de Aang, livro 2, episódio 15).

Já disse isso muitas vezes: eu sou uma pessoa implacável comigo mesma. E isso também se manisfesta no fato de que, quando eu me aborreço ou me frustro no meu lidar com os outros, ao invés de eu ficar chateada ou em conflito com os outros, eu fico é comigo mesma (!). Porque eu entro numa de achar que eu **tenho que saber lidar**.

Nessa situação aí com o Namorado, por exemplo: eu (de forma totalmente equivocada) entro nessa de ficar refletindo sobre o diálogo e pensando que é tudo uma besteira, e que eu não deveria me aborrecer por besteira. Que eu deveria ser esse poço de confiança e autossuficiência pra não me abater com isso. Eu acho que eu deveria ser – e me cobro ser – essa pessoa super bem resolvida com tudo, sem dias ruins, sem pirações, sem escorregadas, sem fraquezas: um poço de paz interior e amor próprio imperturbáveis, essa super mulher, super suficiente em si mesma, que nunca teria tido esse momento de insegurança por conta de uma coxa mais flácida.

Bom, isso é impossível.

Pelo menos pra mim. Agora. Porque eu não sou essa pessoa.

Mas, o mais importante: ainda que fosse possível, eu não tenho que saber lidar. O fato é que eu nem deveria ter que lidar com isso, porque o que eu mereço é empatia, respeito, consideração, e não o oposto.

Tá, claro, como eu mesma não sou capaz de me dar colo (empatia, respeito, consideração), eu sou igualmente incapaz de pedir colo aos outros. Como a vida é espelho, as pessoas ao meu redor refletem para mim a mesma implacabilidade com a qual eu lido comigo mesma. Ok. Mas essas são apenas considerações acerca de mecanismos, coisas pra eu estar atenta e tentar mudar, pra parar de atrair isso pra mim. Beleza. Mas isso não anula a escrotidão alheia. Não tira a responsabilidade do outro no caos. E isso não significa, de jeito nenhum, que eu tenha que aceitar esse tipo de coisa.

Depois do fim apocalíptico da conversa, eu e Namorado passamos um tempo sem nos falarmos. Quando voltamos a conversar novamente foi comigo proferindo as seguintes palavras:

“Eu acho que não dá mais pra gente continuar junto”.

E eu as considero uma vitória.

Porque apesar de toda a minha piração corpórea, eu ainda estou inteira o bastante para estar disposta a abrir mão de algo que eu quero muito para me preservar. Para o meu próprio bem. Para não me ver, novamente, agarrada a uma relação que me faz mal.

E isso é bom. Isso faz uma grande diferença.

Acabou que nós conseguimos nos entender e eu consegui dizer que sim, eu tenho questões. Que óbvio que a coisa toda me afetou desse jeito porque eu já não estava bem. Seria legal resolvê-las? Seria lindo. Mas isso não significa que eu já deveria estar com tudo pronto e resolvido de cara. E isso não significa que quem está comigo não possa/deva me dar um ombro, um colo, uma forcinha.

 

Expectativa X Realidade

Categoria: Mundo, Relacionamentos, Vida | 15 de março de 2016

Já falei aqui muitas vezes sobre as representações sociais de amor, de romantismo, de alma gêmea, e todas essas coisas que criam raiz (tronco, galhos, folhas, frutos… a porra toda) dentro das mulheres (não posso dizer que *apenas* nelas, mas principalmente, né? Vamos combinar) e que quebram em cacos doídos quando confrontadas com a belezinha fofa que é a realidade dos relacionamentos. Mesmo já tendo falado, e refletido sobre, muitas e muitas vezes, ainda não consegui me libertar totalmente delas e, vira e mexe, tomo uma bordoada na lata pra ficar esperta (figurativamente, hein gente? Literalmente, nunca mais rsrsrsrs). Hoje passei por mais uma dessas.

*Riso sarcástico, porém resignado*

Mais uma vez, fui lá eu para a minha corrida básica (eu sei, eu sei, isso de correr tá ficando chato rsrs), só que hoje, namorado foi comigo. Logo no início, nos perdemos no circuito porque, como eu já estou nessa há mais tempo, meu ritmo é outro. Pois bem. Completei lá as minhas voltas todas e depois voltei andando na contra-mão pra cruzar com ele. Aí me deparei com essa cena de filme: eu numa ponta do quarteirão, ele na outra, ao longe, os dois andando um na direção do outro.

(rsrsrsrsrs)

(Já conseguem adivinhar o que vem?)

Fui – lógico – assolada por visões incontáveis de cenas de filmes e livros, nas quais casais apaixonados correm um para o outro, para se lançar, felizes e extasiados – claro – nos braços um do outro.

Visualizaram?

Normalmente o cara ainda dá aquela giradinha com a mulher, só pra contrabalançar a inércia – leis da física, sabem como é – e não se estatelar no chão. Mas enfim, quem se importa, não é mesmo? É tudo lindo, poético e sempre salpicado de risos altos e beijos longos. Puro êxtase.

(rsrsrsrs)

Ahan.

Aí, lá estou eu, andando na calçada, pensando nessas coisas. Meus lábios vão se espalhando em um riso largo e frouxo no meu rosto, enquanto uma ideia toma corpo – pra, não demora muito, tomar o meu corpo – dentro de mim. Eu tenho um segundinho de dúvida (sabedoria… rsrs… que eu nunca escuto… ) que a minha empolgação logo sufoca e, num instante, lá estou eu em disparada, correndo na direção dele. Quando chego perto, flexiono os joelhos no momento perfeito, dou impulso com os pés que me tiram do chão num arco lindo de romântico,  e me jogo com tudo – braços, coração e sorriso abertos – nos braços do namorado…

… que só não desvia, porque…

Ahmmm…

Seria…

Bem…

Seria **ESCROTO**.

Quer dizer, ele não desvia *totalmente*, porque, verdade seja dita, ele deu uma chegadinha pro lado.

(rsrsrs)

Nada de giro, nem de risos, nem de beijos. Todo esse frufru lindo continuou aprisionado no reino da ficção e da minha expectativa. A realidade é que ele me recebe com um **UGH** meio abafado (mas nada disfarçado) e diz:

“Não faz isso, não. Você pesa muito. Minha coluna não aguenta”.

(UAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA)

Baldããããããão de água fria (sério, Kelly? (:-D)) e eu só consigo pensar (enquanto tento lidar com a minha frustração e, vou ser bem sincera, não chorar) que as desgraçadas malditas miiiiii-se-ráááááááá-veis das histórias não nos preparam pra isso…

“A vida não é uma história, Kelly”, eu repito, de novo, de novo e de novo (e de novo).

Como tudo tem seu lado positivo, pelo menos um bom sinal: se, há uns anos atrás, alguém me dissesse que eu peso muito, noooooossa, eu ficaria *pra morrer*. Sério. Ficaria péssima, mal, me sentindo podre. Hoje, eu nem me liguei nisso: só conseguia pensar nas comédias românticas, nos livros, nas histórias, nas novelas, nas cenas fervilhando dentro da minha cabeça antes de eu sair correndo, e tentar encaixar um desfecho que, ao invés de barulhos molhados de sucção, acabasse com:

“Não faz isso. Não pode, não. Com os seus duzentos mil quilos, você ferra a minha coluna, cara”.

Puta que pariu…

rsrsrsrsrs

Romancezinhos malditos.

Escorregamentos e coisas impregnantes

Categoria: Relacionamentos, Vida | 18 de fevereiro de 2016

Falaê povo!

Penso no blog todo dia (sério!), abro a página muitas vezes pra começar a escrever (juro!), nada sai (que angústia!) e aí eu me pego pensando nas desculpas que eu deveria dar (desculpas no sentido de desculpar-se mesmo, nada de inventar historinha pra justificar ausência, não :-D). Fato é: ando sumida 😀 (uahahaha repetindo o óbvio). Vocês também, pelos dados do Google Analytics :-D. Mas é, eu sei… Como ser leitor assíduo de um blog que não oferece coisas novas pra ler, né?

Pois é… Tenho que entrar na vibe produtiva de novo (Produção! Produção!). O que me lembra:

Hoje (“hoje foi há três dias atrás 😀 já pensei e mudei de ideia sobre várias coisas que escrevi no post mas, ao invés de apagar, vou acrescentar as mudanças ou dúvidas em azul, até porque eu ainda não cheguei a um consenso sobre as coisas)  de manhã, estava a minha filha vendo um programa infantil com palhaços que eu considero insuportável. A música que os seres toscos estavam cantando era assim:

“?trabalhar, trabalhar ?trabalhar até cansar?”.

Eu ouvindo e pensando “que porra é essa?!” e me peguei perguntando pra ela – que me olhou de volta com seus olhões de cinco anos – “Gente! O que eles estão ensinando às crianças?!” A conotação da coisa toda era ruim: trabalhar até cansar, até se exaurir, se estourar todo e morrer :-D… Mas, vamos lá, o que importa é produzir (!!!) – Produção! Produção! >> E eis que eu volto para onde estava :-D. Não que o trabalho no blog seja comparável (de jeito nenhum: isso aqui é prazer 😀 mesmo :-D). É só que isso (dos palhaços nefastos) estava na minha cabeça e com o afã de produzir, eu me lembrei…

Bla… 😀

Continuando… 😀

Dei uma desaparecida também porque estava me sentindo uma hipócrita. Fiquei pensando: como falar de autoestima para os outros se eu mesma, que achava que tinha progredido tanto, estou aqui totalmente neurada e enlouquecida de novo” (já não sei mais se tanto assim… depois que vocês lerem, me digam)? Maaaaaas, como falar dos vacilos, escorregadas e retrocessos sempre fez parte do blog, resolvi dar uma suspendida na autocrítica e na autocobrança pela perfeição autoestímica que nunca houve nem haverá (afinal, todo mundo tem seus dias podres) e dividir minhas (muitas) limitações (é sempre construtivo, de qualquer forma).

Hoje (há três dias atrás e hoje também 😀 e todos os dias… :-D), estava eu correndo… Quando corro, sempre penso no blog… É engraçado isso – mas faz sentido. Essa história de correr marcou muito, né? Nos dias negros do semestre passado… E muitos posts começaram em/com corridas, ou falaram sobre, ou tiveram relação de alguma forma. Como eu sempre corro no mesmo lugar também, às vezes a corrida tem a sensação de volta no tempo. Tem esse pedaço específico dessa rua super arborizada em declive, onde, quando eu passo, eu consigo enxergar o caminho inteiro margeado pelo arco das árvores, e é como se ali eu conseguisse ter essa visão de várias imagens de mim no passado e é como se essas várias Kellys que não existem mais corressem comigo, e conversassem comigo, e colocassem minhas mudanças – e o que não mudou tanto – em perspectiva…

😀

Enfim…

Pois é, continuo correndo. Porque “nooooooossa, que delícia” (?delícia?delícia?assim você me mata? uahahahahaha) ??!?!!

Não.

N-ã-o  m-e-s-m-o.

Porque (uhuu) me preocupo com a minha saúde e quero não ter problemas cardíacos no futuro?

*Pfffffffffffffffffffffffffffffffffff*

Faz-me rir.

(Essa tenho que repetir:

****Pfffffffffffffffffffff****)

Tenho corrido por pura nóia, isso sim. Porque, no fundo da minha mente, paira a preocupação com me sentir atraente pelada (Alerta vermelho! Alerta vermelho! Tipo cena de filme norte americano, quando o submarino está prestes a ser bombardea- *boooooooom!!!*).

Cruel…

Nada pra colocar a gente de cara com as nossas questões do que relacionamento amoroso, gente (fato.). Nada pra pôr em teste *mesmo* a auto aceitação, do que ficar pelada na frente de alguém com quem você se importa e que você quer que te ache atraente. Principalmente no início, né? Porque depois a gente relaxa e passa a confiar mais na força do vínculo (:-D). Mas no começo… 😀 Esse é o momento em que eu deveria falar sobre o absurdo de tudo isso (será?), que a opinião do outro não importa (será? será viável isso?), que que se dane se o outro não te quiser – homem é que nem biscoito: se um não quer, tem mil e oito na fila, etc etc -, que a gente tem que se gostar, se curtir, se admirar e quem não concordar que vá andar que o mundo é grande (Ok, vai… Mas…) >> Mas, na prática… Uahahahahaha É difícil 😀 (E eu nem sei se as coisas são assim, tão preto no branco, e tão a ferro e fogo também…)  (risquei esse pedaço fora pra desconsiderá-lo considerando-o, e vocês vão entender o motivo quando lerem o outro post, onde eu falo sobre os meus conflitos e as dúvidas que me surgiram escrevendo esse aqui)

Bom, pelo menos eu consigo perceber os mecanismos operando, então não regredi taaaaanto assim. Mas, putz, que frustração: eu achando que estava tudo superado, que a Kelly-da-baixa-autoestima era passado – e sim, já mudei em muitos aspectos, mas caramba, ô coisinha impregnante.

Percebi que estava vibrando nas fossas abissais (ê! 😀 Exagero :-D) da autoestima em uma viagem que fiz recentemente, pra cidade natal da minha mãe, onde ainda vive minha família materna. Agora vejo que não tinha como ser diferente, porque estar lá foi como estar com a minha mãe de novo (autoestima no paredão de fuzilamento *trátrátrárátrátrátrá*). Ir pra lá foi como voltar no tempo e estar novamente na época em que me achava feia, totalmente inadequada e em constante luta com meu corpo (primeira frase da tia que não me via há quase dez anos: “Poxa Kelly, que bom que você está saudável”? “Poxa Kelly, que bom que você está bem?” Não. Ela diz: “Poxa Kelly, que bom que você não engordou mais”, pra vocês verem o nível da relação corpo/peso na família). Como a vida não dá mole (nem o psicológico: somatizei mesmo) eu tive um acesso de retenção de líquido e fiquei uns 4 kgs mais pesada de um dia pro outro.

**expressão que choque*

*A * MORTE * DA * PAZ * DA * PESSOA*

(só doidice) 

Pra completar, tem o namorado pra pôr mais lenha na fogueira, claro. Eu, que não consegui me abster de comer (por favor, né) todas as coisas maravilhosas e reconfortantes que só dá pra comer lá, comentei com ele, por telefone, que voltaria uma bola pra casa. Ao que ele responde:

A) “Eu só quero que você volte, amor”

B) “Eu te amo de qualquer jeito”

C) “Vai correr!!!!!!”

Adivinhem…

Uahahahahaha.

Opção “C”. Tipo: não volte bola, não. De jeito nenhum.

Ah, o amor… 😀

A sinceridade dói, é verdade, mas, como dizem Simone e Simaria, “é melhor viver embriagada do que enganada” (uahahahahahaha).

Eu, que já esperava por essa e que já estava meio surtada, fiquei mais doidaraça ainda e minha relação com o espelho foi se arrebentando toda, escada abaixo. Me enchi de chá verde (uma coisa horrorosa, em pó, com sabor naturalmente artificial de abacaxi *argh*) porque me disseram que era bom pra desinchar e, sinceramente, se ali tivessem me dito que comer cocô resolveria meu problema, eu teria comido (exagero, claro, mas eficiente pra passar a vibe da coisa toda).

Como na minha adolescência.

Como minha mãe fazia comigo.

Uma merda.

Mas o legal: eu estava consciente, vendo tudo acontecer. Não deu pra evitar o desastre, mas eu estava atenta ao processo. E o que eu fiz?

Adivinhem?

Fui correr.

Uahahahahahahahaha

Calor filho da puta, arriscando tomar mangada na cabeça (porque as ruas lá são cheias de mangueiras), querendo morrer >> fui correr.

Eu, descobrindo o que é ser um para-brisa de carro, com mil insetos entrando no meu olho, nariz, boca, e virando cadáveres grudados no meu suor (sem sacanagem. Nojento) >> fui correr.

Eu, querendo tudo, menos correr >> fui correr.

Eu, depois de ter comido e bebido o dia inteiro, parecendo uma cobra depois de engolir uma vaca >> fui correr (e passar muito mal depois porque… né? *uahahahahahaha*).

E, como a coisa toda tá na cabeça e, na real, não tem nada a ver com o peso, nem todos os quilômetros corridos do mundo adiantaram de alguma coisa. Psicológica e emocionalmente, eu digo. Porque, corporalmente, é claro que tiveram efeito. Mas de que adianta um efeito que você não consegue ver?

Cara, foi tudo tão louco, que nem me maquiar, na hora de voltar, eu consegui. Estava tão preocupada em chegar me sentindo minimamente bonita (ou preocupada que o namorado me achasse minimamente bonita) que na hora de passar o lápis de olho, fiquei parecendo um panda e, no esforço de limpar a cagada sem removedor de maquiagem (porque eu não tinha), com a delicadeza que me é característica (#sóquenão), fodi meu olho. Esfreguei a cara com tanta força que assei a pele do rosto (uahahahahahahahahahaha *g-zuis apaga a luz*). Eu olhava pro espelho, um ser ansioso de cara vermelha e maquiagem borrada me encarava de volta (que eu tinha vontade de esganar), e cada vez que eu tentava ajeitar, só deixava pior. Resultado? Passei a viagem de volta me melecando de Bepantol pra ver se conseguia amenizar a situação. E enchendo o saco da minha filha (coitada rsrsrsrs): “tá vermelho ainda?”, “tá vermelho?”, “melhorou?” 😀

Comédia…

Aí eu cheguei. A vermelhidão – que, a meus olhos, me transformava num tomatão desfigurado – nem rendeu comentários (então subentende-se (levando em consideração a franqueza do namorado :-D) que não estava tão acentuada assim) e a balança de casa me disse que eu voltei mais leve do que fui (!!) (rsrsrsrsrs).

Afff.

Desgastes, desgastes… Desgastes desnecessários. E tudo por uma preocupação com o que os outros vão achar da minha aparência, exacerbada por essa coisa mal resolvida que eu tenho pra resgatar com a minha mãe – que já até morreu.

(Hora de buscar a kid na escola. Continuo com as considerações depois :-D)