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Pelo direito de encontrar a própria essência (parte 2)

Categoria: Mundo, Poemas, Vida | 12 de outubro de 2015

Esse é outro biopost – post de alguma forma relacionado à Biografia. Nele eu vou chegar onde eu pretendia com o parte 1A não ser que ele me leve em outra direção :-D.

Achei uma metáfora ótima pra falar desse processo biográfico e da busca pela própria essência. Vocês já ouviram falar de mecânica de fluidos? É uma área da Física que estuda, bem… fluidos 😀 – se bobear tá na química também… Mas enfim, nesse programa que eu assisti, e que vai nos dar a minha metáfora, o cientista era um físico. Ele propunha um experimento e, para fazê-lo, usava um recipiente transparente de vidro com um líquido dentro que parecia água (e se era ou não água não, tem muita importância pra gente). Eis as etapas:

Etapa 1) Uma por uma, ele ia colocando substâncias diferentes (também fluidos), gotas coloridas, dentro da água. A princípio, elas não se misturavam. Ficavam lá, gotas esticadas, imersas e separadas, cada uma com sua cor.

Etapa 2) Daí o cientista misturava tudo e, pra quem estava olhando de fora, parecia que havia essa substância única dentro do pote, um único líquido e uma única cor.

Etapa 3) Como mágica – e realmente, gente, é incrível -, através de um processo lá da mecânica dos fluidos (era como se ele girasse o pote no sentido anti-horário e assim voltasse no tempo (!)) o cientista regredia no processo, e **tcharaaaan**, lá estávamos nós novamente olhando um pote de água com substâncias coloridas, diferentes, imersas ali e totalmente separadas.

(*foda*)

Na nossa vida adulta, normalmente, é como se a gente tivesse ligado a televisão para assistir ao programa no fim da Etapa 2. Está lá o pote, com um único líquido dentro. Na metáfora, nós somos o pote. Olhamos pra dentro e vemos essa coisa única, meio turva. Mas o que tem dentro não é uma coisa só. O grande lance é “voltar no tempo”, realizar a Etapa 3 do experimento, e descobrir as diferentes coisas misturadas na nossa essência.

Vou dividir com vocês um poema que emergiu nesse processo da Biografia. Ele é sobre os meus pais…. E eu… no meio no bolo.

Triângulo

E o que eu vez por outra estou sempre dizendo? O que eu já confessei aqui pra vocês que era um dos desejos do meu coração?

> “Eu só queria ser especial pra alguém”

Mas o poema é sobre minha mãe…

Sacaram?

“Eu só queria ser especial pra alguém” – “Ela só queria ser o amor da vida dele” (!!!!!).

Isso é a minha mãe em mim.

Isso não sou eu.

A vida inteira eu carreguei um desejo do coração que era de outra pessoa…

*puta merda*

Isso é a-s-s-u-s-t-a-d-o-r.

Mas eu não preciso repetir essa história… E não vou.

 

Passar

Categoria: Poemas | 6 de julho de 2015

Vai passar

quando eu mudar com a lua

vai passar

na cerveja e na rua

vai nublar

quando a cabeça pra trás

eu jogar

pra gargalhada sair

vai passar

a cada manhã

acordar

pra doer menos

despertar

pra vida que abre

abraçar

o mundo que der

pra agarrar

a cada trago que quer

vai passar

na fumaça que eu soprar

pra bem longe

levantar

de cabeça erguida

e me amar

e buscar outra vida

e pular

fora do que fizer mal

trabalhar

e sair pro pau

e chorar

sim, faz parte

pra lavar

outro viver melhor

vai chegar

e o verbo pro passado

vai passar…

Vai passar.

large (2)

 

 

Medo do Escuro

Categoria: Poemas | 3 de julho de 2014

Medo do escuro - Sobre Autoestima

 

Insônia insone só com os espíritos…

espíritos que vêem, mas nunca vistos…

vêem no olhar, no expirar, o sofrimento

na mente, em si, por si, criar só de tormento.

 

Sabem  que a dor que dói mais é no silêncio,

que o pesar que pesa mais não é o que é fala,

mas que o sofrer é mais si mesmo quando cala,

quando o que resta é alimentar só de vazio.

 

Vazio que exige e demanda o preencher,

em um voraz sugar do que é externo.

Na incapacidade vê frustrar eterno

do sempre almejar e nunca ter.

 

Porque a busca é fora; a resposta, dentro,

e exterior nenhum há de provê-la a esmo.

Quando o si a si rejeita, é desalento.

Quando o amor mais impossível é o por si mesmo.

 

Medo do escuro. In: DAHER, Elias (Org.). Antologia do III concurso de poesia da revista literária. São Paulo: Scortecci, 2013.