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O patinho feio

Categoria: Mundo, Vida | 13 de junho de 2016

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Outro dia eu estava pensando na intolerância humana e na resistência do ser humano ao diferente e me peguei lembrando da história do patinho feio. Gente, eu nunca tinha encarado O Patinho Feio como metáfora da intolerância social, mas super é!

Tá lá o patinho feio, tadinho. Todos os outros são patinhos amarelinhos e delicados e pequenos – ele é branco, grandão, meio desengonçado.

Ele é diferente, só isso.

Mas, por causa da diferença dele em relação ao grupo, a maioria o rejeita, faz pouco dele, o taxa de “feio” e daí pra baixo.

E, por causa da diferença dos outros no entorno dele e a rejeição que eles demonstram, ele se sente deslocado, sente não pertencer, não se identifica, sente-se mal com ele mesmo, acha que tem algo errado com ele.

Mas não tinha nada errado com ele. Ele não era “feio”. Ele só não era como os outros. Ele só escapava ao padrão daquele grupo onde ele estava inserido, um grupo para o qual a diferença não era tolerável.

Aí, claro, “ser diferente” ganha contornos pejorativos, pesados, negativos.

E aí é só sofrimento, né? Porque não adianta ele querer desesperadamente ser amarelo, pequenino e tudo o mais: nada é capaz de mudar o fato de que ele **não é** nem nunca vai ser um patinho.

Olha o desespero.

E enquanto ele tenta desesperadamente ser aquilo que ele não é, ele não consegue enxergar o que ele é realmente. Não um pato, mas um bebê-cisne.

E ele só consegue se dar conta disso quando resolve se retirar daquela situação de rejeição. Aí, a vida dá uma mãozinha, e ele encontra outros como ele.

Sacaram?

Então, minha dica para o dia de hoje (e para todos os outros dias da vida de vocês) é: não tentem ser aquilo que vocês não são. Isso só vai gerar sofrimento. Ao invés de ficar ouvindo os bullies patinhos babacas da vida, e ficar tentando encaixar onde não tem encaixe, e ficar tentando pertencer a um ambiente de rejeição – que não pertence a vocês!!!! – olhem para dentro e tentem descobrir que tipo de bebê bicho vocês realmente são :-D.

E seja lá que bicho for, ainda que em nenhum outro lugar, vocês têm lugar aqui – e dentro de si mesmos.

Beijos no coração *♡*

Descobrindo vozes consonantes – e outras nem tanto (parte 2)

Categoria: Mundo, Vídeos | 26 de maio de 2016

Descobrindo vozes consonantes - e outras nem tanto (parte 2) | Sobre Autoestima

Eu ia discorrer sobre coisas que eu concordei e coisas que eu não concordei com relação aos vídeos (desse post aqui), mas acho besteira. O que importa é que se tratam de vídeos de pessoas que estão no mesmo barco e no mesmo caminho que eu – e que muitos leitores daqui.

A Helena, nossa, a *Helena* é um ser mitológico, não é, não? Queria dar um abraço nela – eu sempre me sinto assim quando esbarro nessas pessoas incríveis que conseguiram super se aceitar, mesmo não encaixando nos padrões e mesmo com o mundo inteiro enchendo o saco. É um amor que eu sinto. É como se o amor que elas conseguiram conquistar por si mesmas fosse contagiante. Dá vontade de falar “dá aqui um abraço! Deixa eu encostar em você pra ver se você me passa um pouquinho disso!” :-D.

Estava pensando na Bia Jiacomine dizendo que, pra galera do mundo, hoje em dia, ou você é fitness ou você *tem que* se aceitar, se amar e tudo o mais.

A gente vive mesmo numa era de extremos, não é? Na qual ninguém mais nem disfarça a intolerância e a agressividade. Onde até mesmo a sua forma de se relacionar consigo mesma, com o seu corpo, com a sua vida, deveria seguir algum padrão ou alguma condição de grupo.

Pfffffff.

Vale reforçar que quando eu falo aqui  no blog de auto aceitação e autoestima não é no tom de **tem que** não, hein, gente? Aliás, nada é. A jornada de cada um é única e intransferível, e só cada um para saber onde dói, onde aperta, o que funciona, o que caga tudo, etc. Mas se tem uma coisa que eu aprendi é que não adianta nada ser a fitness tchutchuquérrima se você não se aceita de verdade.

Aceitar-se não é fácil. Como as meninas dos vídeos disseram, é bem difícil e não é algo que se consiga da noite pro dia. É um processo, longo, sofrido, suado, pesado às vezes, mas vale o esforço. Autoaceitação é uma conquista. E quando o mundo inteiro está o tempo todo, massivamente, exaustivamente, de todas as formas possíveis, em qualquer lugar que você vai, de maneiras diretas, indiretas e/ou subliminares, te dizendo que você **tem*que*ser*jovem** (pra sempre), **tem*que*ser*magra** (pra sempre), **não*pode*ter*cabelo*branco**, **não*pode*ter*cabelo*que*não*seja*liso*e*impecável**, **não*pode*ter*marca*de*expressão**, **não*pode*ter*pêlos*corporais**, **não*pode*ter*ruga**, **não*pode*ter*estria**, **não*pode*ter*celulite**, **não*pode*ter*gordura*corporal**, **não*pode*ter*dobrinhas*de*nenhum*tipo**, que **tem que** ter *tudo*sempre* bem *firme*,*liso*,*uniforme*e*durinho* – como plástico -,  essa não é uma conquista pequena, não, gente. Mas é importante porque, tendo autoaceitação, a vida pode seguir o rumo que for: namoros/casamentos podem acabar; a gente pode cometer erros e burrices e besteiras e cagadas; nosso corpo, cabelo e aparência podem mudar; tudo pode cair, amolecer e enrugar, mas nada disso significará um fender ou cindir de nós mesmos. Porque aceitar-se é estar inteiro – e estar na vida por inteiro.

Pensei numa metáfora agora. Imaginem que a vida é oceano e que a gente – corpo, espírito e o que mais tiver – é barco. Quando a gente não está inteiro, nem é preciso tempestade pra afundar – o mar pode estar calmo como água de banho de banheira, mas fácil, fácil, a gente vai parar lá no fundo. Agora quando nós estamos inteiros, sólidos em nós mesmos, pode vir a tempestade que for: não digo que saímos ilesos, mas *saímos*, e nos regeneramos, e seguimos navegando.

(Quem me conhece na vida real deve estar rindo com mais essa metáfora de barco rsrsrsrs) (ou então eu é que ando convivendo demais com psicanalistas rsrsrsrs)

Expectativa X Realidade

Categoria: Mundo, Relacionamentos, Vida | 15 de março de 2016

Já falei aqui muitas vezes sobre as representações sociais de amor, de romantismo, de alma gêmea, e todas essas coisas que criam raiz (tronco, galhos, folhas, frutos… a porra toda) dentro das mulheres (não posso dizer que *apenas* nelas, mas principalmente, né? Vamos combinar) e que quebram em cacos doídos quando confrontadas com a belezinha fofa que é a realidade dos relacionamentos. Mesmo já tendo falado, e refletido sobre, muitas e muitas vezes, ainda não consegui me libertar totalmente delas e, vira e mexe, tomo uma bordoada na lata pra ficar esperta (figurativamente, hein gente? Literalmente, nunca mais rsrsrsrs). Hoje passei por mais uma dessas.

*Riso sarcástico, porém resignado*

Mais uma vez, fui lá eu para a minha corrida básica (eu sei, eu sei, isso de correr tá ficando chato rsrs), só que hoje, namorado foi comigo. Logo no início, nos perdemos no circuito porque, como eu já estou nessa há mais tempo, meu ritmo é outro. Pois bem. Completei lá as minhas voltas todas e depois voltei andando na contra-mão pra cruzar com ele. Aí me deparei com essa cena de filme: eu numa ponta do quarteirão, ele na outra, ao longe, os dois andando um na direção do outro.

(rsrsrsrsrs)

(Já conseguem adivinhar o que vem?)

Fui – lógico – assolada por visões incontáveis de cenas de filmes e livros, nas quais casais apaixonados correm um para o outro, para se lançar, felizes e extasiados – claro – nos braços um do outro.

Visualizaram?

Normalmente o cara ainda dá aquela giradinha com a mulher, só pra contrabalançar a inércia – leis da física, sabem como é – e não se estatelar no chão. Mas enfim, quem se importa, não é mesmo? É tudo lindo, poético e sempre salpicado de risos altos e beijos longos. Puro êxtase.

(rsrsrsrs)

Ahan.

Aí, lá estou eu, andando na calçada, pensando nessas coisas. Meus lábios vão se espalhando em um riso largo e frouxo no meu rosto, enquanto uma ideia toma corpo – pra, não demora muito, tomar o meu corpo – dentro de mim. Eu tenho um segundinho de dúvida (sabedoria… rsrs… que eu nunca escuto… ) que a minha empolgação logo sufoca e, num instante, lá estou eu em disparada, correndo na direção dele. Quando chego perto, flexiono os joelhos no momento perfeito, dou impulso com os pés que me tiram do chão num arco lindo de romântico,  e me jogo com tudo – braços, coração e sorriso abertos – nos braços do namorado…

… que só não desvia, porque…

Ahmmm…

Seria…

Bem…

Seria **ESCROTO**.

Quer dizer, ele não desvia *totalmente*, porque, verdade seja dita, ele deu uma chegadinha pro lado.

(rsrsrs)

Nada de giro, nem de risos, nem de beijos. Todo esse frufru lindo continuou aprisionado no reino da ficção e da minha expectativa. A realidade é que ele me recebe com um **UGH** meio abafado (mas nada disfarçado) e diz:

“Não faz isso, não. Você pesa muito. Minha coluna não aguenta”.

(UAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA)

Baldããããããão de água fria (sério, Kelly? (:-D)) e eu só consigo pensar (enquanto tento lidar com a minha frustração e, vou ser bem sincera, não chorar) que as desgraçadas malditas miiiiii-se-ráááááááá-veis das histórias não nos preparam pra isso…

“A vida não é uma história, Kelly”, eu repito, de novo, de novo e de novo (e de novo).

Como tudo tem seu lado positivo, pelo menos um bom sinal: se, há uns anos atrás, alguém me dissesse que eu peso muito, noooooossa, eu ficaria *pra morrer*. Sério. Ficaria péssima, mal, me sentindo podre. Hoje, eu nem me liguei nisso: só conseguia pensar nas comédias românticas, nos livros, nas histórias, nas novelas, nas cenas fervilhando dentro da minha cabeça antes de eu sair correndo, e tentar encaixar um desfecho que, ao invés de barulhos molhados de sucção, acabasse com:

“Não faz isso. Não pode, não. Com os seus duzentos mil quilos, você ferra a minha coluna, cara”.

Puta que pariu…

rsrsrsrsrs

Romancezinhos malditos.