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E se…

Categoria: Filmes | 10 de abril de 2015

Antes de ontem eu fui inventar de ver um filme… 😀 Estou fazendo um curso sobre melancolia e criação artística às terças e, na aula passada, a professora comentou sobre ele – Wild (lançado aqui com o título: Livre) um filme adaptado de um livro. Eu fiquei curiosa e resolvi assistir.

Nossa…

Gente, que filme triste.

 

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Não sei se é porque também perdi a minha mãe e me identifiquei; não sei se é porque eu também já tive tantas perdas – e tenho levado umas boas porradas esses últimos anos; mas meu coração ficou pequenininho, pesaaaaaado… Acho que tem relação com umas situações que venho passando e com uma decisão que eu acho que vou tomar mas ainda não tenho certeza… Só sei que eu senti esse filme bem dentro, sabem? Bem nas tripas mesmo. E chorei loucamente, claro 😀

Wild conta a história de uma moça que resolve percorrer uma trilha chamada Pacific Crest Trail – um percurso dificílimo, que vai de uma ponta a outra dos EUA: da frontreira com o México até a fronteira com o Canadá – sozinha (deixa eu frisar o *sozinha* porque cara, uma mulher sozinhona no meio do mato e do nada, com vários caras mal encarados cruzando com ela pelo caminho vez por outra, é muito, *muito* tenso). Ela faz isso para poder “andar de volta para a mulher que a mãe dela havia criado”, como um trabalho de luto.

O momento de vida em que ela decide fazer a trilha é o instante #FundoDoPoço. Depois da morte da mãe, ela entra em uma trajetória *mega* autodestrutiva de uso abusivo de drogas e quase uma ninfomania que fazia com que ela saísse transando com geral e mais uma galera. Detalhe: ela era casada. Claro que o marido descobre. E claro que eles, apesar de se amarem muito, se divorciam. Ela descobre que está grávida mas não sabe de quem é o pai. Ela aborta. Aí imaginem: junta a morte da mãe, com a morte da dignidade dela, com a morte do casamento, com a morte do bebê e vocês têm aí o fundo do poço mais fundo e escuro que pode existir.

Então ela decide percorrer essa trilha sem saber muito o motivo, e sem saber pra onde ela está indo exatamente. Apenas ir. E vendo o filme, a gente vai com ela. E nesse caminho ela vai revivendo a relação com a mãe e as coisas que ela fez, e passa por um monte de perrengue (!!), mas vai exorcisando os fantasmas e deixando o passado pra trás mesmo.

A última cena é narrada com um texto que, desde que ouvi pela primeira vez, quis trazer pra cá. Na verdade, é pra postar esse texto que eu contei tudo isso 😀 . Ao final da Pacific Crest tem uma ponte chamada Ponte dos Deuses. Quando ela chega lá ela (como narradora) diz:

“Não há jeito de saber o que faz uma coisa acontecer e não outra. O que leva a o quê. O que destrói o quê. O que faz algo florescer ou morrer, ou tomar outro curso. E se eu me perdoar? E se eu sentisse muito? Mas se eu pudesse voltar no tempo, eu não faria uma única coisa diferente… E se eu quis dormir com cada um daqueles homens? E se a heroína [a droga] me ensinou alguma coisa? E se todas aquelas coisas que eu fiz foram o que me trouxe até aqui? E se eu nunca fui redimida? E se já fui? Levaram-se anos para que eu me tornasse a mulher que minha mãe criou. Eu precisei de 4 anos, 7 meses e 3 dias para fazê-lo. E sem ela… Depois que eu perdi a mim mesma na natureza, no meu sofrimento, eu encontrei o meu próprio caminho para fora da floresta. E eu nem sabia para onde eu estava indo até eu chegar aqui, no meu último dia de trilha. ‘Obrigada’, eu pensei, de novo e de novo, por tudo o que a trilha havia me ensinado e tudo aquilo que eu não podia ainda saber: que dali a 4 anos eu cruzaria essa mesma ponte e me casaria com um homem, naquele mesmo lugar, quase visível de onde eu havia estado; como, em 9 anos, esse homem e eu teríamos um filho chamado Carver e, um ano depois, uma filha, a quem demos o nome de minha mãe – Bobby. A única coisa que eu sabia era que eu não precisava mais comer com as mãos, e que enxergar os peixes nadando abaixo da superfície da água era suficiente. Que era tudo. Minha vida – como todas as vidas – misteriosa, irrevogável e sagrada. Tão próxima, tão presente e tão pertencente a mim… E o quão selvagem era deixar ser.”

:’-)

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O mundo é um lugar muito triste – bem pra além da celulite nossa de cada dia

Categoria: Filmes, Mundo | 30 de dezembro de 2014

Fim de ano é sempre época de balanço diante da promessa de renovação que o novo ano traz. Tudo bem que, como bem diz o Suricato Seboso,

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mas sempre fica esse clima de novas chances, de avaliar a vida, de estabelecer metas, de fazer promessas pra si mesmo.

Minhas reflexões desse ano vieram independentes e desconectadas da virada, de resoluções ou de planos. Elas vieram motivadas por um filme arrasador de corações que eu assisti ontem à noite (filme!! Filme!!). O nome é A boa mentira (The good lie).

Já que vou falar de filme, já sabem, né? 🙂 Se não quiserem que eu estrague a história pra vocês, parem de ler agora ou arrependam-se depois rsrsrsrsrs (mas, claro, claro: parem, assistam, e voltem (!!) pra conversar :-D).

Então vamos lá:

 

 

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A boa mentira é um filme baseado em fatos reais – o mais estarrecedor de tudo – que conta a história de uma família de refugiados sudaneses; ou melhor, a história de luta pela sobrevivência de um monte de crianças órfãs em um país assolado pela guerra civil. Já começa com a chacina do grupo familiar dos personagens principais: soldados/guerrilheiros invadem a aldeia e saem matando todo mundo. Sete irmãos conseguem escapar, depois de verem os pais sendo mortos. “Você é o chefe agora”, a única menina diz pro mais velho – que deve ter no máximo uns 14 anos – e, bem assim, ele se vê responsável por levar o que restou de sua família pra um lugar seguro. Só que não tem lugar seguro: eles vagam de lugar pra lugar, atravessando a savana africana, só pra chegar onde aqueles que eles conseguem encontrar ainda vivos pelo caminho os mandam ir e descobrir que a guerra chegou lá também.

Um por um os mais novos vão morrendo: de sede, de fome, de fraqueza, vítimas da violência; até que só restam os três maiores: a menina – Abital – o mais velho – Theo – e o do meio – Mamere. Por um breve período eles se unem a um grupo grande de refugiados na jornada para o Quênia, mas não demora muito para que os soldados/guerrilheiros encontrem o grupo também, e novamente exterminem todos os que não conseguem fugir, em uma dessas limpezas étnicas monstruosas que estão acontecendo, nesse instante mesmo, pelo planeta, sem a gente nem se dar conta. Os três irmãos conseguem escapar com mais dois meninos: Jeremiah e Paul.

Dias se passam de caminhadas de morte por lugares extremamente hostis, até que eles param em um campo aberto de capim alto pra dormir. Do jeito que a coisa vai, você fica com medo de sair um leão dali e matar todo mundo. Mas eles conseguem descansar. Passa-se uma das cenas mais bonitas na qual o Mamere desenha um quadrado na terra onde ele coloca a mão e repete o nome do pai; Theo coloca a mão sobre a dele e recita o nome do avô, Mamere o do bisavô, e assim sucessivamente até que eles recitam todos os seus ancestrais e, ao fazê-lo, são lembrados de seu lugar no mundo. É como se dissessem que enquanto se lembrarem, eles estão com eles; que enquanto se lembrarem, eles sabem quem são.

Mas na manhã seguinte Mamere se levanta sonolento, sem perceber o exército atravessando a campina. Nos gritos que se seguem, Theo o puxa para baixo, ordena que ele fique deitado escondido com os outros, fica de pé e – fingindo ser Mamere – se entrega aos soldados para salvar os irmãos.

“Você é o chefe agora”, Abital diz pra Mamere, que se desespera com a perda de Theo. “Ele se entregou para que você pudesse viver, então viva.” E assim, depois de muito sofrimento, Mamere consegue levar os demais ao campo de refugiados sudaneses no Quênia, onde eles permanecem por 13 anos esperando pela chance de uma vida melhor nos Estados Unidos – que é pra onde a ONU consegue mandar alguns deles de tempos em tempos.

Quando eles finalmente conseguem chegar nos Estados Unidos, os responsáveis pela alocação dos exilados no país separam a Abital deles sem dó nem piedade. A total frieza em separar famílias e a insensibilidade das pessoas teoricamente responsáveis por facilitar a adaptação deles é muito triste. E eles são pessoas tão boas e inocentes que corta o coração. Mas mesmo que não fossem. Está ali exposta no filme a total incapacidade da sociedade de perceber, entender e aceitar o outro, o diferente – até mesmo aqueles cujo trabalho deveria ser esse!!

E isso me fez pensar: e se fosse eu ali, será que eu teria entendido? Será que eu teria tido sensibilidade e bondade suficientes pra não passar direto? Pra estender a mão?

Tem várias cenas de chamada de consciência e choque de realidade nesse filme, mas tem uma que mexeu comigo – várias na verdade, mas essa ficou na minha cabeça – que é quando o Jeremiah – que consegue um emprego de empacotador de supermercado – é obrigado, todos os dias, a jogar carrinhos inteiros de comida fora (vegetais murchos, coisas que passaram da data de validade, etc). Depois de ter visto, por anos e anos, milhares de pessoas morrerem de inanição na África, fazer isso é particularmente penoso e incompreensível pra ele. “Será que não tem ninguém precisando dessa comida? Me parece errado jogá-la no lixo”, ele diz pro chefe que diz que não quer saber: que ele não pode mais vender a comida no supermercado, então é pra jogar no lixo e pronto.

Semanas depois, o chefe surpreende o Jeremiah ajudando uma mulher pobre a separar, nos carrinhos de descarte, os alimentos que ainda estão em condições de serem consumidos.

“O que diabos você pensa que está fazendo?!?” O chefe berra.

“Não deveria ser negada ajuda àqueles que precisam dela.”

“Eu disse que era pra você jogar a comida no lixo. Por que você não obedece?!”

“Porque é errado.”

“Quem disse?!”

“Jeremiah.”

“Quem diabos é Jeremiah?!?”

“Eu. Meu nome é Jeremiah,” ele diz; no que ele tira o avental do uniforme e vai embora.

Só nessa cena a gente vê o absurdo da sociedade do consumo – que na verdade, é a sociedade do descarte – a total falta de solidariedade e incoerência da máquina social capitalista ocidental – joga no lixo, mas não dá a quem precisa – e a total – e totalmente injusta e cruel – invisibilidade daquela pessoa – “quem diabos é Jeremiah?”!?!

Felizmente, outros acabam se importando o bastante para ajudá-los e oferecer um apoio real, e a personagem da Reese Whiterspoon – a Carrie – consegue trazer a Abital de volta pros irmãos (que mesmo não sendo todos biológicos, se amam e se consideram como se fossem).

Quando finalmente as coisas parecem encaminhadas, uma carta chega do campo de refugiados no Quênia de um homem que se identifica como Theo. Sem nunca ter superado a culpa pelo que aconteceu na campina naquela manhã, Mamere se vê na obrigação de ir até lá verificar se o homem é mesmo seu irmão mais velho, e tentar trazê-lo para os Estados Unidos de volta com ele. O reencontro dos dois é emocionante: eles se reconhecem pelo ritual de lembrança dos ancestrais – as mãos sobre a terra e umas sobre as outras – em uma metáfora para o reencontro de seu lugar nessa vida. Mamere percorre todas as embaixadas de Nairobi em busca de ajuda, de algum país com boas relações com os EUA que interceda pela imigração de Theo, mas todos se recusam.

Sem alternativa, ele mente para o irmão, dizendo que conseguiu e, no dia da viagem, quase na boca do portão de embarque, Mamere passa os seus próprios documentos e passagem para Theo, dizendo: “a partir de agora você atende somente pelo nome Mamere, entendeu?” Confuso, Theo tenta resistir, mas Mamere silencia seus protestos dizendo: “há anos atrás você me deu a vida, agora eu a devolvo a você. Você é o chefe agora.” E assim, Theo embarca para os Estados Unidos e Mamere volta para o campo de refugiados.

🙁

Passei bem uma meia hora olhando pra tela da TV depois do fim do filme, chorando que nem louca.

Que triste… que filme triste… e, o pior de tudo: tudo verdade, realidade, realidade de tanta, tanta gente…

O mundo é um lugar muito triste. Quantas pessoas não vivem essas coisas todos os dias? Quantas crianças não vêem os pais assassinados? Quantos não morrem de fome e sede? Quantos não são condenados a morrer de miséria e epidemias e violência pelo mundo afora?

E o que são meus problemas perto disso tudo?

Nada.

E eu só consigo pensar que eu queria ser uma pessoa melhor, que eu queria poder ser uma pessoa melhor, que eu queria fazer alguma coisa….

Lembrei da frase de encerramento do Lórax (outro filme tudooo: uma animação “pra criança”, mas tão triste, tão rica,  e tão cheia de coisas importantes) – aliás: pausa! Vou aproveitar a multimedia da parada pra colocar uma música do Lórax que tem tudo a ver com tudo (prestem atenção na letra):

(sempre choro)

– mas enfim… retomando: lembrei da frase de encerramento do Lórax, e a uso aqui pra encerrar minha reflexão:

“A menos que você se importe de montão, nada vai mudar. Não vai, não.”

<fonte da imagem: Suricato Seboso>

<link relacionado: www.thegoodliefund.org>

Ah, o amor – foda…

Categoria: Filmes, Relacionamentos | 21 de dezembro de 2014

Tô na onda dos post sobre relacionamento. Talvez por causa da minha realidade, talvez por causa de uma amiga próxima que está passando por um término bem difícil. De qualquer forma, os post chegam a mim, certo? Vocês que me acompanham sabem dessa minha teoria. Então vamos lá.

Eu estava escrevendo aquela parte do inteiro parte 1, quando, sem querer, eu parei pra ver esse filme… Alerta de spoiler – tenho que dar o alerta – filme: Ele não está assim tão afim de você – ou qualquer coisa do gênero.

Se não viu e pretende ver: pare aqui – mas volte depois!!!! 😀

 

 

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Esse filme me arrasou. Seja pela minha atual fase meio descrente, seja pelo motivo que for.

É um filme legal, tem o final meio feliz – e eu estou no ponto em que finais felizes me deixam triste -, mas o que me incomodou foi a incoerência.

O filme começa com a cena dessa menina pequena brincando no parquinho. Um menino – que é o menino que ela gosta – chega perto dela – e ela abre o maior sorrisão – e começa a descascar a pobre coitada: falando que ela é um cocô e coisa parecida – daí pra baixo. A menina aos prantos vai até a mãe buscando apoio, e a mãe diz:

“Sabe por que aquele menino fez essas coisas? E disse essas coisas pra você? Porque ele gosta de você.”

Ugh.

E a narradora do filme diz:

“Aí! Aí está o começo dos nossos problemas!”

E é verdade!

Ela diz: “somos programadas pra acreditar que se um cara age como um completo babaca, isso significa que ele gosta da gente”.

E quantas vezes a gente já não ouviu isso sobre o comportamento de garotos com relação a garotas? Se implica, se trata mal, se provoca, é porque gosta…

Será?!?!?!

De qualquer forma, ouvir esse tipo de afirmativa não ajuda ninguém.

Eu digo: “tratou mal? Implicou? Ofendeu? Fez vc se sentir um cocô?! Manda andar que o mundo é grande.

Mas voltando… 🙂

Esse filme conta a história de algumas outras mulheres em suas aventuras românticas, mas principalmente da Gigi, essa menina que é mega ofendida por esse molequinho no início do filme, mas que é levada pela mãe a acreditar que babaquice é um sinal de afeto/amor – já viu né.

Ela mega se humilha a vida inteira, mega corre atrás de quem **caga** na cabeça dela, até que, numa dessas “perseguições” inúteis, ela conhece esse cara, por acidente, que diz pra ela que ela está equivocada e que se um cara caga na cabeça dela é porque ele **está cagando**, e que se um cara não liga é porque ele não quer ligar etc etc. E que todas as histórias românticas e lindas nas quais ela acredita, ou são pura fantasia, ou são **A** exceção.

E quem nunca ouviu essas histórias lindas?

Eu lembro que quando eu era adolescente, minha professora contou uma história de uma amiga que tinha casado, mas o marido tinha dado um  pé na bunda dela. Arrasada, deprimida, ela se afundou em sofrimento e potes de sorvete. Há meses, antes do cara dar no pé, ela havia recebido um convite pro casamento de uma amiga. Ela não queria ir – casamento *pfff* que deprimente – mas a amiga insistiu, insistiu, e ela acabou indo. Na festa, lá está ela, entornando as taças de champagne pra permanecer sã, quando esse cara chega perto dela e diz: “Oi. Desculpa… eu sei que vai parecer loucura mas… quando eu te vi eu pensei: “você vai casar com ela”.

*meu eu adolescente suspirou*

Minha professora disse que eles casaram mesmo e foram mega felizes desde então. Mesma professora essa que tinha dito que havia se casado com O GRANDE AMOR da vida dela aos vinte anos – e que brigava com deus e o mundo que duvidavam que eles dariam certo em tão tenra idade – mas que se separou e que hoje posta fotos com o novo “namorido” e o chama de grande amor da vida.

E o que eu quero dizer com tudo isso? Duas coisas:

Uma que eu já disse num post anterior: não existe “grande amor da vida”, mas “grande amor de momentos da sua vida”;

E isso de acreditar em “sinais” é meio cilada.

Com “sinais” eu volto pro filme. O mesmo cara que diz pra Gigi que ela é uma iludida de achar que o cara tá ocupado, ou estressado, ou que perdeu o telefone dela, ou o que quer que seja, ao invés de aceitar que ele simplesmente não quer ligar; é o mesmo que diz pra ela que isso de sinais é uma loucura: é pegar uma série de acontecimentos e torcê-los em coisas que *não são* em função de um sentido maior a concordar com “sinais”, aquilo *que se quer que seja*. É com base em sinais, por exemplo, que uma outra personagem do filme insiste em correr atrás de um cara casado, alimentada por uma amiga que diz: “e se você encontrar o amor da sua vida mas já estiver casado com outra pessoa? Será que você devia deixar a oportunidade escapar?” >> nada mais do que uma desculpa bonita pra justificar traição, ou pra apaziguar uma consciência pesada, ou pra justificar uma atração inesperada.

Gente, “sinais” são perigosos. Não que eu não acredite neles. Eu até acredito. Só acho que muitas vezes a gente entende os sinais de forma errada. Ou os interpreta tão literalmente que eles se tornam, realmente, uma armadilha.

Eu fui morar e trabalhar em outro país, aos 19 anos, por causa de sinais: pra juntar dinheiro, pra ir até um outro país, mais longe ainda, onde eu achava que vivia minha alma gêmea.

Cheguei eu lá, com a cara e com a coragem, achando que era tudo o que eu precisava fazer pra mágica acontecer.

Resultado?

Me fodi.

Não satisfeita, saí do meus país, sozinha e sem apoio, na cara e na coragem, no impulso, na loucura, uma segunda vez, por causa de sinais – não, não podia ter dado errado. Os sinais estavam lá, tinha que significar alguma coisa!! -: Comi o pão que o diabo amassou e sofri que nem uma desgraçada por causa de sinais. Pra no fim descobrir que os sinais eram ilusão da minha mente romântica, e que o garoto que eu achava que era a minha alma gêmea… bom, não achava o mesmo com relação a mim.

Eu achei que os sinais me diziam que ele era O GRANDE AMOR DA MINHA VIDA, e que eu precisava ir até ele.

Hoje em dia eu vejo que os sinais apenas me guiaram pro lugar onde eu tinha que ir pra aprender – na marra (!) e no sofrimento (putz, que sofrimento…) – coisas que eu precisava aprender.

Eu passei anos – ANOS!! – tentando digerir essa história. Tentando encontrar sentido nas atitudes do garoto. Só pra entender, que no fim, não tinha sentido. Que (eu) não tinha sentido (significado) nenhum pra ele. Era diversão, sei lá, qualquer coisa sem muita importância. E eu, anos e anos, gastando minha energia pra tentar entender o que não tinha “entendimento”. Porque a coisa toda não *era* nada pra ninguém mais além de mim.

**dor, dor**

E no fim, eis o sentido real de tudo pra minha vida: dor pra aprender. Dor pra crescer. Nada a ver com ele. Nada a ver com nós dois sendo felizes pra sempre, como eu achava que seria.

A minha bronca com o Ele não está assim tão afim de você é que, depois do discurso todo pra desconstruir a ilusão, eles reforçam a ilusão com o final.

O carinha lá passa o filme inteiro tentando fazer a Gigi ver que esses “encontros mágicos”, essas histórias que dão certo, são a exceção, mas que ela, como tantas zilhões de outras, é a regra; só pra no final jogar tudo isso no lixo ao mostrar que ela não é a regra, ela é a exceção : ou seja, mais uma ilusão: que apesar de sermos tratadas como lixo, nós todas podemos ser a exceção.

*Aff*

A cena é linda e de doer, quando ele diz pra ela: “você é a minha exceção”.

Bacana… Chorei – 😀 – Mas fode com a moral toda do filme.

O que eu quero dizer é o que eu venho dizendo de novo e de novo ao longo de bilhões de posts: não importa se é regra ou se é exceção. Você tem que amar a si mesma antes de tudo. Você tem que estar inteira; senão, mais cedo ou mais tarde, dá merda – mesmo amando a si mesma, pode dar, mas pelo menos, se você o fizer, se der cagada você consegue desviar…  😀

E assim encerro esse lindo post com essa filosófica e profunda frase de encerramento: ame a si mesma(o) senão dá merda.

uahahahahahaha 😀

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“Que merda é essa?! Eu queria um Nike!”

<fonte da imagem: We ❤ it!>