Amor devastação

Categoria: Amor Próprio, Relacionamentos | 24 de agosto de 2017

Esse é um post de fossa…

 

Andei sumida, gente, porque muita coisa aconteceu.

Post passado (aqui) eu contei pra vocês do meu término-tempo com o Namorado, e que a gente tinha combinado pensar como e de que maneira nós continuaríamos na vida um do outro.

Bem, não queríamos ficar longe, tanto que, durante esse suposto tempo, nos encontramos várias vezes, muitas das quais deu merda. Não sei o motivo exatamente. Basicamente, eu acho que o que aconteceu é que queríamos desesperadamente um ao outro, mas estávamos machucados, com raiva e com medo. Receita para o desastre.

Minha vida estava uma loucura. Vocês não imaginam: alguns dias depois da gente se separar, bem quando eu estava daquele jeito cabelinho-na-parede, eu recebi um telegrama me informando que dali a uma semana teriam início as provas de um concurso para o qual eu tinha me inscrito. Cara… Passar nesse concurso era a coisa mais importante, a virada mais essencial, a transformação mais necessária que eu precisava operar na minha vida, gente. E lá estava eu, sabendo disso tudo, mas total e completamente devastada.

Mas já dizia a minha mãe, “a necessidade faz o gato pular”, e eu não tive outra opção a não ser meter a cara. Eu, mãe solteira, bolsista, uma **fodida** de grana, simplesmente não podia, de jeito nenhum, me dar ao luxo de deixar essa oportunidade de segurança e independência financeira passar. Até porque era um concurso pra fazer exatamente o que eu queria da vida. Mas o desespero batia forte, o desânimo, a tristeza… e eu repetia pra mim, de novo e de novo, as palavras de um amigo meu: “Kelly, se você perder esse concurso por causa de homem, eu dou na sua cara!”

(:-D)

Foi foda.

Eu me sentava no sofá desesperada, querendo chorar, morrer, mas tinha que respirar fundo, tirar energia sei lá de onde e estudar. E a semana seguinte, a semana das provas, foi trocentas vezes pior porque, além do nervosismo e do desespero envolvidos no processo, a cada véspera de prova, o Namorado aparecia, dizendo que queria ajudar, mas o que acontecia é que ele arrumava briga comigo.

Ele ia embora e eu ficava lá, sentada, me tremendo toda, com a cabeça nas mãos, dizendo: “eu fiz isso comigo”. E *eu* fiz mesmo, porque eu escolhi abrir a porta. Lá no fundo eu sabia que o encontrar daria merda. Assim mesmo, quando ele me perguntava se podia ir lá em casa, eu, com saudade, com fome dele, dizia sim.

É bem estranho isso, e super válido pra gente pensar nas coisas que a gente faz consigo mesma, em como e no quanto nós mesmos complicamos a nossa própria vida, e, que, às vezes, parece que o difícil a fazer é o que é melhor  pra gente (!) (deveria ser o oposto, né, mas não é): impor os limites, não dar ao outro outra opção além de respeitar a gente.

Na penúltima prova – que eu fui, aliás, fazer virada, sem dormir, porque tinha ficado até onze horas da noite discutindo com ele – eu dei um basta. Disse que não queria mais falar com ele até a data que a gente havia determinado para o fim do nosso tempo. Foi muito, muito difícil fazer isso, mesmo com a raiva que eu estava sentindo. Eu estava apavorada com a possibilidade de ele me esquecer, me superar, não querer mais nada comigo. Mas eu precisei cerrar os dentes, enterrar isso dentro de mim (sobrecarregar meus amigos com mensagens chorosas e desesperadas, pra dar uma segurada), e colocar minhas prioridades no lugar.

Depois da semana mais difícil da minha vida, eu cheguei ao fim do concurso e, após uma cerimônia nos moldes de uma apuração dos desfiles das escolas de samba, com as notas sendo retiradas de envelopes lacrados, uma a uma, candidato por candidato (gente… sério… muito desesperador), eu descobri… que passei (!!!!!).

Tive que ligar pra ele pra contar. Ele estava tão ansioso quanto eu pelo resultado. Na hora, eu só sentia alívio, e todas as mágoas e brigas e raivas desapareceram de dentro de mim. Eu o queria comigo, ele foi me encontrar para comemorar, e os olhares que a gente trocou eram puro amor. Ele voltou pra casa comigo e cuidou de mim nos dois dias seguintes (eu virei um espectro, gente, uma morta viva, minha energia acabou e eu desliguei que nem celular descarregado), antes de voltar para a casa dele pra terminar o tempo do tempo.

Quando a gente finalmente sentou pra conversar, foi mágico. A gente só queria voltar um pro outro. Que alívio maravilhoso foi sentir todo o medo que me habitou durante aquele mês ir embora. Decidimos voltar e nos esforçar para crescer juntos, para construir um relacionamento saudável, um futuro. Nós dois sabíamos que não seria nada fácil, que havia muitos ajustes e muito trabalho a ser feito, mas nós queríamos tentar, queríamos acertar.

Foi incrível.

E depois vieram os momentos de dificuldade, porque, nos relacionamentos, eles sempre vêm.

E aí… ele desistiu…

(*dor*)

… e terminou comigo dois dias atrás.

Agora eu oscilo entre rompantes de raiva (que me energizam e me confortam, gratidão eterna por eles) e desespero e dor. Pensei muitas e muitas vezes em ligar pra ele implorando pra ele voltar, pra ele não fazer isso, não jogar nosso relacionamento no lixo… Perdi um tempo esses dias e sofri mais ainda pensando que eu poderia tê-lo impedido talvez, se eu tivesse me agarrado a ele na hora… e pedido… e implorado… e argumentado…

Penso diferente agora.

Olho pra trás e tenho orgulho de mim por não ter feito isso.

Na hora em que aconteceu, eu tive meu momento de fraqueza, sim, de “não, espera, por favor, vem cá…” mas ele durou pouco porque, quando eu me percebi, novamente, em uma posição de ter que o convencer a não desistir da nossa relação (momentos parecidos já haviam acontecido em conversas nos dois dias anteriores e em tantas outras), eu me interrompi. E uma raiva abençoada baixou sobre mim (pra me salvar rsrs). E tudo o que eu pensava era: “Vale a pena estar com alguém que precisa ser convencido a estar comigo? Pra quê?!” O que fez com que eu me esticasse na minha coluna e dissesse (talvez mais perto de um “berrasse”): “Beleza. Você tá terminando comigo? Então sai daqui agora!”

Hoje em dia, eu tenho uma visão bastante clara sobre o que é um relacionamento amoroso. Depois de tudo o que eu passei na minha vida, definitivamente ela não é romântica (tipo conto de fadas) e nem iludida. Eu acho até que é muito mais sensacional o modo como eu enxergo uma relação agora. Relacionamento pra mim é trabalho, é escolha, é esforço, é, acima de tudo, cultivo. É viver dias em que você quer esganar a pessoa, e dias em que é como se um sol brilhasse dentro de você por causa dela (é, em grande parte por esses segundos, que se segura a onda nos primeiros). É ter que encarar o que é feio em você e no outro, mas aprender com isso e seguir amando mesmo assim. É crescer junto, mesmo com toda a bosta que vem à tona nos processos de crescimento. É superar, e chorar, e rir, e discutir, e se desculpar, conhecer o alívio de ser perdoado e de perdoar, conversar sem nem dizer nada, cair, levantar, se irritar, se abraçar e sentir como se o toque do outro expandisse o seu corpo para além dos limites da pele, e viver a experiência maravilhosa de saber que tem alguém ali, com você, pro que der e vier.

Mas pra isso acontecer, não é destino, não é karma, não é deus, não é a vida: é escolha, gente. É escolher, dia após dias, seguir  e construir caminho com aquela pessoa. Sendo assim, acima de tudo, é querer…

E não importa o quanto eu queira isso com toda a força do meu coração… ele não quer.

E não existe absolutamente nada que eu possa fazer a respeito disso a não ser chorar…

E seguir em frente…

Até que um dia eu encontre alguém que queira tanto quanto eu.

 

 

 

 

 

 

 

comentários via facebook